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Maceió/Al, 13 de dezembro de 2017

Colunistas

Jorge Luiz Bezerra Jorge Luiz Bezerra
É professor universitário, advogado, Mestre em Direito pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), delegado de Polícia Federal aposentado, especialista em Política Criminal, Segurança Pública e Privada, além de autor de diversos livros e artigos jurídicos.
13/10/2017 às 07:02

Crack, será que um dia controlaremos?

É sabido que o surgimento do CRACK ocorreu na década de 1970, tornando-se popular na década seguinte entre moradores de bairros pobres de grandes cidades dos Estados Unidos, como Nova York, Los Angeles e Miami, principalmente, entre jovens negros e de origem hispanica..

Potente, barato e feito a partir da mistura de pasta de cocaína com bicarbonato de sódio, o CRACK é geralmente fumado. Trata-se de uma forma impura da cocaína e não de um subproduto. O nome deriva do verbo "to crack", que, em inglês, significa quebrar, devido aos pequenos estalidos produzidos pelos cristais (as pedras) ao serem queimados, como se quebrassem.

A fumaça produzida pela pedra de CRACK chega ao sistema nervoso central em 10 segundos, devido ao fato da área de absorção pulmonar ser grande. Seus efeitos duram de 3 a 10 minutos, com picos de euforia mais fortes do que o da cocaína, após o qual advém uma depressão abismal, o que leva a consumir novamente para compensar o mal-estar, ensejando intensa dependência. Além disso, o CRACK provoca alucinações e paranoia.

O uso do CRACK e sua potente dependência psíquica leva o usuário que não tem dinheiro ao crime. Pequenos furtos começam em casa e extrapolam a vizinhança. Muitos vendem tudo o que têm, ficando somente com a roupa do corpo. Em alguns casos, se prostituem para sustentar o vício. As famílias também são grandes vítimas do CRACK. O dependente não consegue manter uma rotina de trabalho ou de estudos e vive em busca da droga. 

O CRACK causa neurofilexia e doenças reumáticas, levando, às vezes, à morte. A recuperação dessa doença (dependência do Crack), chamada "doença adquirida” é uma das mais difíceis dentre as drogas. A submissão voluntária ao tratamento por parte do dependente é difícil, haja vista que a "fissura" (síndrome de abstinência), isto é, a vontade de voltar a usar a droga, é descomunal. 

O CRACK começou a perder o estigma de droga para consumo exclusivo da população de rua quando o então, prefeito de Washington D.C., Marion Barry, foi flagrado, em janeiro de 1990, consumindo a droga num quarto de hotel em companhia de uma mulher, que era informante do FBI. Ver famosos fumando crack serviu de alerta ao país e levou a um endurecimento da legislação antidrogas e a um maior investimento em prevenção. Entre os mais famosos viciados em CRACK destacam-se Amy Winehouse (morta por uma overdose), Samuel Jackson, Oprah Winfrey, Robert Downey Jr., estes 3 últimos venceram a duras penas o terrível vício.

*Custos sociais e econômicos do uso do Crack*

A maioria das famílias de usuários não tem condições de custear tratamentos ou de conseguir vagas em clínicas terapêuticas assistenciais, que nem sempre são idôneas. 

O seu surgimento é um divisor de águas no submundo das drogas. No Brasil, as pedras começaram a ser usadas em 1990, na periferia paulista. De início, as próprias quadrilhas de traficantes do Rio não permitiam a sua entrada, pois os bandidos temiam que o CRACK destruísse rapidamente sua fonte de renda: os consumidores.

Em menos de 2 anos o CRACK alastrou-se por todo o Brasil. Os números provam que o CRACK se tornou a droga mais comercializada no Rio. Também está presente em todas as cidades de grande e médio porte do país.

Com efeito, no centro da capital paulista, brotou a Cracolândia, área invadida pelos crackeiros (usuários), uma espécie de zona autônoma na qual convergem centenas de usuários e traficantes para o fluxo dessa nefasta relação, sob o míope olhar das autoridades públicas.  Essa mancha na topografia urbana paulistana desvaloriza imóveis, dificulta as atividades comerciais locais e gera grande insegurança na região.

Cracolândia (derivação de crack) é o nome dado informalmente a determinada região dentro do bairro de Santa Ifigênia, no qual se desenvolveu um intenso tráfico de drogas (daí o nome da região) e redes de prostituição. Na gestão Serra-Kassab, projetos públicos conhecidos de uma forma geral como Nova Luz, foram criados, a fim de destinar incentivos para reconfiguração e requalificação da área, como a isenção no IPTU para imóveis com valor venal de até R$ 300 mil, desde que seus donos recuperem suas fachadas após a adaptação às regras da Lei Cidade Limpa. O projeto não foi implantado completamente, o viciados migraram para outras áreas próximas.  O Nova Luz, porém, conseguiu recuperar as fachadas dos prédios e afastar os a legião de consumidores e traficantes de crack que coabitavam com prostitutas e sem tetos nas proximidades da Estação da Luz.

*Polícia faz operação contra tráfico de drogas e Doria diz que Cracolândia “acabou”.*

“Mais de 900 agentes das polícias Civil e Militar começaram por volta das 6h30 deste domingo (21/05/2017) uma grande operação na região da Cracolândia, no Centro de São Paulo. Ao menos 38 pessoas foram presas e um usuário ficou ferido. Com 12 Kg de crack apreendidos.

Para o prefeito de São Paulo, João Doria, a Cracolândia "acabou". "A Cracolândia aqui acabou, não vai voltar mais. Nem a Prefeitura permitirá, nem o governo do Estado. Essa área será liberada de qualquer circunstância como essa. A partir de hoje, isso é passado. Vamos colocar câmeras de monitoramento", disse. Segundo ele, os hotéis do programa "Braços Abertos", que atendiam os usuários, da gestão de Fernando Haddad, serão destruídos. Segundo Doria, a região vai ganhar moradias construídas pela iniciativa privada. ” (Portal G1. 21/05/2017 07h07).

Para se ter uma ideia da gravidade dos crimes praticados naquela área, no período das operações contra o tráfico de drogas, a polícia prendeu o homem conhecido como ‘sniper’ da Cracolândia, que fazia segurança armada para traficantes do *Primeiro Comando da Capital (PCC)* no Centro de São Paulo. Procurado também por desertar do Exército em Pernambuco, Anderson Alves de Siqueira Bernardino Kunzle ostentava uma submetralhadora, apelidada de ‘Lurdinha’, e um cão da raça pitbull, chamado de ‘Thor’, no Facebook.
No dia 7 de junho/2017, a polícia prendeu outro atirador que atuava pelo PCC na Cracolândia, José Raimundo, na região Central da capital paulista pela Polícia Militar enquanto circulava em um carro roubado. Segundo a polícia, ele era responsável pela segurança no local e ajudava a manter a organização do fluxo para não atrapalhar a venda de drogas.

Claro que o atual alcaide paulistano estava para lá de entusiasmado quando declarou o fim da Cracolândia, o que o levou, posteriormente, a relativizar que o problema não será resolvido facilmente. "Não vamos conseguir acabar com um problema histórico, mas vamos reduzi-lo sensivelmente e acabar com o shopping center ao ar livre vendendo drogas 24 horas por dia para as pessoas. A polícia vai ficar permanentemente aqui, e haverá a interdição imediata de todas as pensões e hotéis [do Braços Abertos], serão bloqueados e na sequência, derrubados, demolidos, o mais rápido possível", afirmou. (Portal G1. 21/05/2017 07h07).

No final desta fase da operação, o Governador Alckmin que atua integrado ao Prefeito Dória, declarou: “Esse é um trabalho permanente, não vai resolver do dia para a noite. Não deve haver concentração porque facilita a vida do traficante e dificulta a abordagem". 
Doria afirmou que as ações na Cracolândia vão continuar. "Não tem recuo. Vamos continuar avançando em ação medicinal, urbanística e social".  Complementou: "O fluxo vai diminuir. A intenção não é estabelecer novos endereços, é fazer ações contínuas para que as pessoas possam ser acolhidas, tratadas para garantir a sua sobrevivência. E a reurbanização de toda a área central, com habitação popular, CEU, creche e instalação hospitalar. Tudo em regime de parceria pública com investimentos privados." (Portal G1 SP11/06/2017; 06h59)

Cerca de cinco meses após a Prefeitura de São Paulo e o governo do estado realizarem citada megaoperação na Cracolândia, parte das unidades de atendimento aos usuários de drogas mantidas pelo município e estado no local estão fechadas ou operando parcialmente. 
Enquanto isso, o “ fluxo” (movimento da massa de usuários de Crack que perambulam na área do bairro da Luz), continua, sem alterações significativas. A Guarda Civil Metropolitana (GCM) ajuda a PM nas incursões contra os traficantes, a Polícia Civil investiga, traficantes são presos. Mas, estamos longe de eliminar a presença daquela horda de mortos-vivos que buscam todos os dias *“ o Crack deles de cada dia”* numa nova Cracolandia, agora num formato instável, pois migra, conforme as ordens dos traficantes de plantão(Leia-se PCC) no bairro da Luz.

*Será que um dia controlaremos o abuso de Crack em nossas grandes cidades?

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