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Maceió/Al, 11 de dezembro de 2017

Colunistas

Jorge Luiz Bezerra Jorge Luiz Bezerra
É professor universitário, advogado, Mestre em Direito pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), delegado de Polícia Federal aposentado, especialista em Política Criminal, Segurança Pública e Privada, além de autor de diversos livros e artigos jurídicos.
26/11/2017 às 10:15

O brilho fugaz da fascinante e fatal cocaína

Com a cocaína, não há mediação. Ou tudo ou nada. E tudo é fugaz Com a cocaína, não há mediação. Ou tudo ou nada. E tudo é fugaz

Em 2012, o ano em que o iPhone 5 e o iPad Mini vieram, a Apple tornou-se a empresa mais capitalizada que já esteve numa lista de cotações. Seu estoque experimentou um aumento de 67 % (sessenta e sete por cento) no mercado de ações em apenas um ano. Um crescimento notável para os números das finanças. Se você tivesse investido 1.000 euros nas ações da Apple no início de 2012, agora teria 1.670. Não é ruim. Mas se você tivesse investido 1.000 euros na coca no início de 2012, agora teria 182.000: cem vezes mais que investir no estoque recorde do ano!

A cocaína é um excelente nicho de investimentos. A cocaína é um bem anticíclico. A cocaína é o verdadeiro bem que não teme nem a escassez de recursos, nem a inflação dos mercados. Existem muitos cantos do mundo que vivem sem hospitais, sem internet, sem água corrente, mas, não sem o Brilho, Brite, Branca, White, Snow e outra centena de apelidos que a droga ganhou nas ruas. Conclusão: a cocaína exerce um maldito fascínio.

A ONU diz que em 2009, 21 toneladas de cocaína foram consumidas na África, 14 na Ásia e duas na Oceania. Mais de 101 toneladas em toda a América Latina e Caribe. Todo mundo quer, todos usam, todos os que começam a usá-la precisam. As despesas são mínimas, considerando os enormes ganhos que são quase imediatos. Para tristeza da sociedade sadia a cocaína é vendida mais facilmente do que ouro e seus lucros podem superar os do petróleo. 

Não há títulos listados na bolsa de valores capazes de gerar o benefício da cocaína. O investimento mais arriscado, a especulação mais deslumbrante, movimentos rápidos de enormes fluxos de dinheiro que conseguem quebrar as condições de vida de continentes inteiros, não conseguem uma multiplicação do valor comparável, nem de longe aos carteis colombianos, mexicanos entre outros. 

Com a cocaína, não há mediação. Ou tudo ou nada. E tudo é fugaz. Você ganha se for o mais forte, o mais astuto, o melhor organizado e armado. Mesmo quando os agentes da Lei localizam a raiz criminosa e tenta retirá-la, ainda é difícil encontrar todas as pessoas jurídicas, investimentos imobiliários e contas bancárias que foram criadas devido à extraordinária extensão alcançada rapidamente pelo “pó branco”. 

*COMPOSIÇÃO GERAL DO CLORIDRATO DE COCAÍNA*
A cocaína é um bem complexo. Dentro da brancura, esconde o trabalho de milhões de pessoas. Nenhum deles é enriquecido como aqueles que sabem colocar-se no topo principal da cadeia produtiva. Os Barões da cocaína sabem como seu produto nasce, passo a passo.  Sabem que em junho é plantado e em agosto é colhido. Que a semeadura deve ser feita com uma semente da planta com pelo menos três anos e que as culturas de coca são feitas três vezes por ano. Compreendem que as folhas coletadas devem ser depositadas para secar dentro das 24 horas após a poda, caso contrário elas estragam e o agricultor não as vende mais. Têm pleno conhecimento que o próximo passo é cavar dois orifícios no chão. No primeiro, ao lado das folhas secas, adiciona-se permanganato de potássio e querosene. Eles sabem que esta mistura é então queimada muito bem, até que uma baga esverdeada seja obtida, o carbonato de cocaína, que uma vez filtrada, deve ser transferido para o segundo furo. E que o próximo ingrediente é o ácido sulfúrico concentrado. Eles sabem que o que você obtém é o sulfato básico de cocaína, a pasta básica, que precisa colocar em lugar seco. Sabem que é a última fase.  As etapas envolvem o uso de acetona, ácido clorídrico e álcool absoluto. Estão cientes que necessitam filtrar novamente e novamente. E então por de novo para secar. Eles sabem que é assim que se obtém cloridrato de cocaína, comumente chamado de cocaína. 

Os Barões da cocaína sabem acima de tudo que a massa dos camponeses, dos pequenos traficantes e dos transportadores (“mulas”) que encontraram um emprego mais rentável (plantio, refino e tráfico) do que achariam em outros lugares, mas que ainda assim, têm os dois pés plantados na miséria.  Tudo concorre para a perpetuação de um sistema de exploração dos pobres e enriquecimento em benefício de alguns.

*O MERCADO MUNDIAL DA COCAÍNA*
E no topo desses poucos estão aqueles que tiveram a capacidade de entender que na longa jornada da coca, das folhas colombianas ao nariz do consumidor ocasional, o dinheiro real é feito com a venda, revenda e gestão dos preços. Porque se é verdade que um quilo de cocaína é vendido na Colômbia por 1.500 dólares, no México entre U$ 12.000 e U$16.000, nos Estados Unidos para U$ 27.000, na Espanha para U$ 46.000, na Holanda para U$ 47.000, na Itália para U$ 57.000 e no Reino Unido para U$ 77.000; se é verdade que o preço por grama varia de US $ 61 em Portugal para U$ 166 em Luxemburgo, incluindo U$ 80 na França, U$ 87 na Alemanha, U$ 96 na Suíça e U$ 97 na Irlanda; se é verdade que 1 Kg (um quilo) de cocaína pura com o corte é retirado da média de 3 (três) quilos que serão revendidos em doses de 1 grama, misturadas com: giz, cal, vidro ralado, xilocaína etc.

Se tudo isso é verdade, não é menos verdade que aqueles que ordenam toda essa cadeia são alguns dos homens mais ricos do mundo. Quem não lembra das mansões de Pablo Escobar, com torneiras ouro, fazendas com minis zoológicos que tinham até leões, tigres etc. De Roberto Suarez Gomez megatraficante boliviano que financiou em 1980, o sangrento golpe militar de Garcia Meza, e que em 1983, se ofereceu para pagar a dívida externa de seu país para com os EUA em troca da liberdade do filho, preso na Suíça e deportado para a terra do Tio Sam.

Novos clãs da máfia gerenciam hoje, o tráfico de coca. Com a distribuição, conquistam o território onde é comercializado. Um negócio de dimensões planetárias. Por um lado, os territórios de produção que se tornam feudos onde nada mais cresce, exceto a pobreza e a violência, os territórios que os grupos mafiosos mantêm sob o controle de obras de caridade e esmolas, para ludibriar os miseráveis.
Por outro lado, a Cocaína se faz presente na maioria dos países: Itália, Inglaterra, Rússia, China, Japão, Filipinas, Sérvia, Hungria etc. Em todo lugar, grupos poderosos operam a cocaína com a facilidade de um caixa eletrônico. Quer comprar um shopping center? Importe coca e depois de um tempo terá o dinheiro para fechar a transação. Deseja influenciar as campanhas eleitorais? Importe (trafique) coca e em poucos meses estará pronto. 

*CONCLUSÃO*
Como se vê: a cocaína é a resposta universal à necessidade de liquidez. A economia da cocaína cresce de forma desproporcional e chega a todos os lugares.

Afinal, traficar cocaína é a melhor forma de ganhar dinheiro? Talvez, mas, certamente, a cada dia é a maneira mais rápida de ficar preso por longos anos. Isso quando não for assassinado num acerto de contas, com direito a levar toda família nessa desventura macabra, porém factível e usual.

Portanto, AVISO AOS NAVEGANTES: Não se arrisquem no precipício do uso e do tráfico de cocaína. 

Todos os dias o “bad guys” descobrem uma forma de traficar cocaína, entrementes, os “good guys”, os agentes da Lei, também desenvolvem maneiras de detecção do famoso (o mais mortal) derivado da Coca (Erythroxylom coca). 

Por enquanto, na guerra contra a cocaína, os carteis e organizações criminosas estão levando vantagem, todavia, esse jogo está virando, lentamente, é verdade, mas, está mudando. Este combate poderá ser mais eficiente se todos nos envolvermos, disseminando uma cultura antidrogas, incentivando a todos jovens que digam NÃO a cocaína e as demais drogas que viciam, violentam e matam sonhos e vidas, principalmente.

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