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Maceió/Al, 17 de outubro de 2017

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Jorge Luiz Bezerra Jorge Luiz Bezerra
É professor universitário, advogado, Mestre em Direito pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), delegado de Polícia Federal aposentado, especialista em Política Criminal, Segurança Pública e Privada, além de autor de diversos livros e artigos jurídicos.
24/02/2017 às 20:17

Crack: Prossegue a epidemia

Em menos de 2 anos o Crack alastrou-se por todo o Brasil Em menos de 2 anos o Crack alastrou-se por todo o Brasil

Estudiosos afirmam que o surgimento do crack ocorreu na década de 1970, tornando-se popular na década seguinte entre moradores de bairros pobres de grandes cidades dos Estados Unidos, como Nova York, Los Angeles e Miami, principalmente, entre jovens negros e de origem hispano-americana.

Forte e barata é geralmente fumada. Feita a partir da mistura de pasta de cocaína com bicarbonato de sódio. É uma forma impura de cocaína e não um subproduto. O nome deriva do verbo "to crack", que, em inglês, significa quebrar, devido aos pequenos estalidos produzidos pelos cristais (as pedras) ao serem queimados, como se quebrassem.

A fumaça produzida pela pedra de Crack, chega ao sistema nervoso central em 10 segundos, devido ao fato da área de absorção pulmonar ser grande e seu efeito dura de 3 a 10 minutos, com efeito de euforia mais forte do que o da cocaína, após o que produz muita depressão, o que leva a consumir novamente para compensar o mal-estar, provocando intensa dependência. Provoca alucinações e paranoia.

O uso do Crack e sua potente dependência psíquica leva o usuário que não tem dinheiro ao crime, para obter a droga. Pequenos furtos, começam em casa e extrapolam a vizinhança. Muitos vendem tudo o que têm, ficando somente com a roupa do corpo. Em alguns casos, se prostituem para sustentar o vício. As famílias também são grandes vítimas do Crack. O dependente de Crack não consegue manter uma rotina de trabalho ou de estudos e vive em busca da droga. O crack causa doenças neu e reumáticas, levando, as vezes, a morte.

A Recuperação dessa doença (dependência do Crack), chamada "doença adquirida” é uma das mais difíceis dentre as drogas. A submissão voluntária ao tratamento por parte do dependente é difícil, haja vista que a "fissura", isto é, a vontade de voltar a usar a droga, é descomunal. 

O CRACK começou a perder o estigma de droga para consumo exclusivo da população de rua quando o então prefeito de Washington D.C., Marion Barry, foi flagrado, em janeiro de 1990, consumindo a droga em um quarto de hotel em companhia de uma mulher, que era informante do FBI. Ver famosos fumando crack serviu de alerta ao país e levou a um endurecimento da legislação antidrogas e a um maior investimento em prevenção.

Quais os custos sociais e econômicos do uso do Crack?

A maioria das famílias de usuários não tem condições de custear tratamentos ou de conseguir vagas em clínicas terapêuticas assistenciais, que nem sempre são idôneas. 

O efeito social do uso do crack é o mais deletério

O seu surgimento é um divisor de águas no submundo das drogas. As pedras começaram a ser usadas em 1990, na periferia paulista. De início, as próprias quadrilhas de traficantes do Rio não permitiam a sua entrada, pois os bandidos temiam que o crack destruísse rapidamente sua fonte de renda: os consumidores.

Em menos de 2 anos o Crack alastrou-se por todo o Brasil. Os números provam que o Crack se tornou a droga mais comercializada no Rio. 

A droga atingiu níveis epidêmicos, estando presente em todas as cidades de médio e grande porte do Brasil, principalmente em São Paulo, onde há até uma área (Cracolândia) no centro da capital, na qual se concentram centenas de crackeiros usando a droga a céu aberto 24 horas por dia. Pior: a polícia geralmente, só observa. Triste e controversa realidade.


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