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Maceió/Al, 11 de dezembro de 2017

Colunistas

Wadson Regis Wadson Regis
Jornalista profissional, formado pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal) é editor-geral do AL1.
30/11/2017 às 08:07

A saga de João Lyra: Por que o Gigantão quer desafiar as urnas, em 2018?

Toda história precisa ter um fim. Ele prefere terminar vencendo o inimigo que o derrotou Toda história precisa ter um fim. Ele prefere terminar vencendo o inimigo que o derrotou

Ele tem 86 anos. Em 1951, aos 20, fundou um grupo que, mais tarde, seria o maior gerador de empregos do Estado. Aos 29 anos, formou-se em direito pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e ampliava seus negócios. Por cinco décadas, jamais atrasou um dia de salário a algum trabalhador. Ajudou a eleger a maioria dos caciques políticos do Estado e caiu na tentação de ser um deles. Em 1988 virou senador da república, na vaga de Guilherme Palmeira, eleito prefeito de Maceió. Começava, ali, a mudança de rumo e a história de um mito, que dificilmente será reconhecido pelo bem que fez ao Estado.

Primeiro erro político
João Lyra
curtiu tanto o mandato de senador por Alagoas que, em 1990 mudou o domicílio eleitoral para o recém criado Estado de Roraima. Imaginou que sua riqueza seria suficiente para garantir a eleição. O primeiro sinal de alerta de que política não era seu negócio aconteceu há 27 anos, em Roraima.

A história
O mundo particular de João José Pereira de Lyra precisa ser bem explicado e só será possível quando alguém a transformá-lo num roteiro para o cinema. Será a saga do lendário que fundou o maior grupo empresarial de Alagoas, ultrapassou fronteiras, mas perdeu o controle até de sua vida, quando bebeu da doce e amaldiçoada água da política.

O homem, que na vida pessoal foi generoso com os amigos e muitos que precisaram de socorro, ajudou a eleger todos os grandes nomes da política alagoana, desde a década de 70, mas não teve espaço entre os iguais. João Lyra, na condição de ser humano,  não poderia ser perfeito. Dizem os mais próximos que o poder lhe dava a condição de determinar suas ações. Contrariar João Lyra, no seu auge, seria enfrentar os rigores da lei “do rei”.

Um gigante

Funcionários e fornecedores mais antigos conheceram os dois lados da mesma história, que começou a perder o brilho em 2002, quando João Lyra gastou uma fortuna para ser o deputado federal mais votado de Alagoas.

Mas João Lyra não se contentava em sentar à mesa com os iguais, que ele mesmo bancava parar estar em Brasília. O maior erro aconteceu quatro anos depois. Em 2006, influenciado por “amigos” do poder, João Lyra gastou muitos milhões na compra do passe de políticos, desta vez para chegar ao governo do Estado. O “negócio” deu errado e um novo capítulo começou a ser escrito.

Empreendedor, João Lyra conheceu a luz vermelha da crise, mas continuou errando, quando não desistiu de investir num negócio que não prospera para quem tem ideais. Em 2010, já com o suporte do Sistema Jornal de Comunicação (outro erro estratégico), João Lyra pensou que o 4º poder lhe daria força.

Totalmente fora de foco e sem o apoio da família - para o assunto política, João Lyra continuou ajudando a eleger políticos, mesmo com o império abalado.

O visionário, que criou o maior conglomerado de empresas de Alagoas e virou o maior empregador do Estado, estava cada vez mais isolado. Os amigos do poder e políticos/dependentes - sumiram.

Dizem que João Lyra não gosta de pobre, mas foi na companhia de um “novo amigo”, de origem humilde, que passou a dividir seu pensamento. Paulão é o nome do cabra. Durante alguns anos para falar com JL era preciso que a ligação passasse por ele. Me disse uma fonte que Paulão continua próximo. Os amigos do poder querem distância.

A história de João Lyra continua sendo escrita. Agora, aos 86 anos, ele botou na cabeça que precisa encerrar, exercendo um mandato eletivo, esse caso mal resolvido com a política.

Possibilidades
Dizia Tancredo Neves quepolítica é a arte do possível”.

Por que não duvidar de João Lyra?
Em 2010 fortes chuvas castigaram ainda mais os negócios de João Lyra. Todos imaginavam que seria o fim da Usina Laginha, a matriz do grupo. Mesmo com as contas no vermelho, fruto das eleições de 2006, João Lyra vendeu um terreno, ao lado do Parque das Flores, em Maceió, por R$ 52 milhões. Ele não apenas reergueu a usina EM TEMPO RECORDE, como garantiu a moagem. No mesmo período o governo federal não conseguiu erguer uma única casa, das milhares que as águas dos rios Mundaú e Paraíba levaram. Alias, foi João Lyra que doou as terras para reconstruir a cidade de Branquinha.

Outra vez a política
Nas eleições de 2012, outra vez, caravanas de políticos procuraram João Lyra para bancar suas eleições. Totalmente sem controle da situação, muitos ainda arrancaram o dinheiro que seria, naturalmente, para honrar compromissos com funcionários e fornecedores, como era praxe em outros tempos.

Com as usinas prontas para moer, João Lyra (aí entra um talvez que não gosto de usar) não tinha noção do tamanho do buraco deixado pelo terremoto da política.

Capítulos finais
Agora em 2018, João Lyra voltará às urnas. Vai testar sua popularidade e gratidão dos milhares de alagoanos a quem deu emprego. Também enfrentará a ira dos que ficaram sem receber. Me disse a fonte que ele dará a volta por cima nos negócios porque, finalmente, está aceitando negociar. 

Se vencer seus últimos desafios, a história estará completa e João Lyra será lembrado como um GIGANTÃO. 

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