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Maceió/Al, 17 de fevereiro de 2019

Colunistas

Wadson Regis Wadson Regis
Jornalista profissional, formado pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), é editor-geral do AL1.
06/02/2019 às 20:06

O bom jornalismo pede socorro em Alagoas

A informação nunca esteve tão próxima do povo. O jornal pede socorro, o rádio está em transição da música por notícia e entretenimento e a tv tem perdido fôlego para os meios digitais.

Nos tempos modernos a pressa e o volume de fatos disseminados, na maioria das vezes, impossibilita a riqueza de detalhes da notícia. Pior: cria factoides tão instantâneos que os principais meios de comunicação abriram espaço para publicar que: É FAKE tal informação.

Tem sido assim em todo o país, mas nas localidades onde a pobreza e o analfabetismo atingem a maioria da população a problemática é avassaladora.

Com constrangimento escrevo que a crise econômica e moral atingiu empresas e jornalistas profissionais. A situação já é preocupante. Os mais novos talvez nem conheçam as expressões e o significado de imprensa marrom ou jornalista chapa-branca - quer dizer que o jornalista ou a empresa a qual ele pertence é patrocinada/manipulada pelo governo.

Até pouco tempo dizia-se que um jornalista chapa-branca fazia uma oposição branda, ou quase inexistente, geralmente ao governo. Era um posicionamento do empresário, muitas vezes para garantir a sobrevivência do negócio. Em outros casos era preciso manter o silêncio porque o patrão era político e tinha o empreendimento para resguardar os próprios interesses.

Só na última década houve o fechamento de O Jornal e o encolhimento da Gazeta de Alagoas. O jornal impresso sucumbiu por má gestão e falta de visão de futuro. Deu lugar ao modismo mundial da notícia em tempo real, na palma da mão. Foram-se as assinaturas, entraram os cliques. Foram-se as grandes reportagens, entraram os Ctrl-C, Ctrl-V (copia e cola). 

Neste mesmo espaço de tempo a suíte (atualização da informação) foi deixada de lado. Os portais de notícia publicam a informação incompleta, na maioria das vezes em um parágrafo e deixam a mensagem – DAQUI A POUCO MAIS INFORMAÇÕES. Geralmente fica por ali.

Nos países onde as pessoas têm um nível de conhecimento significativo, a internet chegou para aproximar os fatos. No Brasil o momento é das fake news e dos compartilhamentos irresponsáveis.

Em Alagoas o que me preocupa, com 20 anos de formação acadêmica, é a mudança de comportamento profissional de alguns colegas, que estão bombando com as modalidades de jornalismo do achismo, jornalismo adivinhatório, jornalismo de oposição combinada e os eternos chapa-branca.

O jornalismo alagoano sempre foi grande. A diferença, hoje, é que muitos que criticavam o posicionamento do patrão viraram patrão de si, negociando a própria alma.

Os bons são maioria, mas o bom jornalismo pede socorro.

"A sociedade que aceita qualquer jornalismo não merece jornalismo melhor", Alberto Dines

"Por mais que essa frase possa parecer um chavão, a imprensa é a sentinela da democracia", Jô Soares.

"O Patrão do jornalista é o leitor", Natalino Norberto.


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