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Maceió/Al, 20 de outubro de 2018

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15/07/2018 às 21:34

"Todo mundo é bom, mas o Major é o melhor"

Ricardinho Santa Ritta (*)

Eu cresci amando, literalmente, ouvir as histórias das personalidades ilustres. Acho que ‘Historia’ deve ter sido minha matéria favorita na escola.

Esse jargão que coloquei no título é o primeiro grande slogan da política alagoana, isso em 1960 e que ficou eternizado.

Luiz Cavalcante chegou à patente de General, e foi na Terra dos Marechais um dos mais importantes homens públicos da história de Alagoas.

Essa semana tive um momento inusitado e especial com uma figura de Deus que me perguntou se eu conhecia o ‘Tenente’ Luiz Cavalcante.

Pulando pro final... fui reler a história.

Major Luiz Cavalcante foi de longe o melhor governador de Alagoas em todas história.

Porque?

Num mandato apenas, como Governador do Estado após uma incrível vitória por 1.800 votos de diferença onde não venceu em nenhum município, mas quase venceu em todos e desbancou Abrahão Moura e Silvestre Pericles de uma só vez. Vale dizer que apesar de Militar e na época da ditadura ele venceu nas urnas.

O Major criou em primeiro lugar um planejamento que chamou de “Plano Trienal”. Pra executar precisou de pessoas. E sua equipe teve Deraldo Campos que se tornou referência na educação, Ib Gato Falcão um dos maiores nomes da saúde no país, Divaldo Suruagy que mais tarde viria a ser o 2º melhor Governador de Alagoas, Marcos Mello jurista renomado nacionalmente a quem eu tive prazer de ter sido aluno, Margarida Procópio que tornou-se Ministra de Ação Social, Marcelo Lavenere que foi o Alagoano Presidente Nacional da OAB. A primeira grande lição é a intra liderança. Constituir equipe de notáveis, ser líder de líderes. Ouvi isso de Rodrigo Cunha recentemente, na opinião dele Alagoas precisa descobrir seus talentos antes que estes vão embora. Eu concordo.

Portanto, voltando ao Major. Em um governo de 3 anos, Na década de 1960, construiu mais de 100 estabelecimentos de ensino e assim conseguiu dobrar o número de matrículas na educação Estadual naquele momento, porém hoje amargamos pior analfabetismo brasileiro. Construiu e aparelhou três hospitais que foram entregues funcionando.

Inaugurou a primeira grande penitenciaria do estado, antevendo-se ao cenário atual. Na infraestrutura pavimentou e criou diversas estradas como os 180 Km que ligam Maceió a Palmeira dos Índios, e ainda três pontes quando na época era uma das principais inovações na área de engenharia. Eletrificou mais de 40 cidades do interior do estado.

É considerado o organizador da estrutura econômica do estado, principal gerador de emprego de toda uma geração. Sua gestão despertou vocações empresariais, principalmente na capital onde criou e inaugurou o Distrito Industrial do Tabuleiro que leva seu nome, quando ele consolidou a área do desenvolvimento econômico através da criação da Codeal (Companhia De Desenvolvimento de Alagoas) . Na área administrativa ele foi imbatível porque foi o Major Luiz Cavalcante criou o Produban (Banco da Produção), a Casal (Companhia de Águas e Saneamento) e a Ceal (Companhia energética).

Iniciou sua Gestão criando o PAGE (Plano de Ação do Governo do Estado) e encerrou publicando ao último dia de governo todas as ações e realizações de sua gestão no Diário Oficial prestou contas.

O Major Luiz era engenheiro, morava no Rio de Janeiro então capital federal e voltou a Alagoas para assumir a Direção do órgão correlato ao Departamento de Estradas e Rodagens na época. Foi Deputado Federal antes de Governador. Depois da passagem pelo Palácio dos Martírios foi Senador, onde aposentou-se da política.

Sua principal marca era a humildade. Conhecido por chupar rolete de cana na Praça todo final de tarde. Andar nas ruas sem a segurança militar do Palácio. Teve início na vida pública através do irmão Lincoln, no Governo de Arnon de Melo. Mas seu melhor amigo foi seu vice governador Teotonio Vilela, o Menestrel. Foram Senadores juntos, O Major era militar fazia parte da ala governista, o velho Teotonio era opositor. Mas havia um respeito mútuo inimaginável. 

Após as Diretas, quando Teotonio seria o Presidente da nação, mas que foi acometido pelo câncer e assim não concorreu. O Major foi até último momento instado como vice de Tancredo Neves, porém na articulação o tiraram por ser militar e colocaram outro Senador, o José Sarney. A história fala por si só, ele seria Presidente do Brasil e talvez até passasse o bastão do Palácio do Planalto para Fernando, filho de Arnon, o homem que trouxe o Major de volta à Alagoas. Seria um grande desfecho de sua vida pública.


Ao final da vida falava que as gerações atuais não faziam a política do coração e isso teria consequências. Morreu em 2002 e previa o momento atual de descrença que vivemos. Dizia, orgulhosamente, que único patrimônio que construiu na vida foi um apartamento. Preferiu aposentadoria de militar, que era menor que a de ex governador, por ser considerar um militar ad eternum e tratar a política como uma passagem de vida.


Eu hoje posso dizer que “todo mundo foi bom, mas o Major foi o melhor”.


(*) É bacharel em Administração e Direito

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