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Maceió/Al, 22 de agosto de 2018

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29/07/2018 às 14:20

A participação da mulher na política e os desafios para alcançarmos a igualdade

Edmá Jucá (*)

O princípio da igualdade tem que deixar de ser apenas uma teoria filosófica. Os desafios que nós mulheres enfrentamos vêm desde as palavras que tentam nos dissuadir:

- O que você quer na política? ( Queremos mais direitos e voz)

- Exerça apenas sua profissão ( Nós damos conta de tudo)

- A política é suja ( existem pesquisas que apontam que as mulheres são menos suscetíveis à corrupção)

- Os ‘ políticos’ ( reforçando o tom machista como se não existissem mulheres na política) são todos corruptos ( isso não é verdade. Esse discurso precisa ser desconstruído. Essa é uma falácia que espalham, um boato para evitar que pessoas idôneas tomem partido e façam as reformas que o Brasil precisa)

E por aí vai uma sequência infinita de frases prontas sem nenhuma reflexão que servem apenas para atender à cultura do machismo.

Nossa geração está consciente que dá conta de administrar a vida pessoal com sucesso, a carreira profissional e ainda encontrar tempo para se envolver e participar ativamente das discussões que afetam nossas vidas. Lugar de mulher é onde ela quiser!

Tenho viajado o Brasil inteiro ministrando cursos e palestras especialmente para o público feminino. Todos os partidos que dialogo demonstram real interesse de preparar e lançar candidatas. O número de inscritas para este pleito está significativamente maior e vamos avançar cada vez mais.

Particularmente estou influenciando as decisões políticas e administrativas desde muito cedo. Tudo começou na escola quando ainda era menor de idade e não me conformava com o autoritarismo. Ali mesmo, no interior de Alagoas, começamos a construir uma escola com gestão participativa e democrática. Meu primeiro estágio foi servindo à justiça eleitoral, ao lado de um juiz com visão moderna de que todos precisaríamos abraçar esta causa e vestir a camisa feminista. Sua Excelência me orientava naquela Comarca de Mata Grande a conhecer os processos de impugnação de candidaturas com vícios insanáveis, e apontava os desafios que as autoridades precisam assumir pessoalmente como instrumento de transformação social e aperfeiçoamento da democracia. Durante toda minha vida segui em frente servindo voluntariamente em todas as eleições seguintes e hoje exerço a advocacia apaixonada pela área eleitoral. O destaque e o grifo que aquele juiz fez no artigo quinto da constituição federal mudou completamente a minha vida: ‘ Art. 5º : Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza’

Ora, se homens e mulheres são iguais, porquê ainda não se vê representantes mulheres como deveria? Segundo dados do IBGE, somamos quase 7 milhões de mulheres a mais que homens no Brasil. Infelizmente nosso país teve o pior resultado de participação feminina nos países sulamericanos na última década. E se considerarmos as estatísticas no ranking geral de nações, estamos em índices deploráveis. 

De quem é a culpa?

Mulher vota em mulher?

Mulheres apoiam outras mulheres nas disputas internas nos partidos ou preferem votar, trabalhar e serem muitas vezes assediadas pelos homens? Quantos casos de assédio moral e sexual temos registrado? Quem denuncia e pune um parlamentar que mesmo denunciado e processado por assédio ou estupro continua sendo eleito e reeleito? Quantos casos de mulheres que se submetem a trabalhar eternamente como secretárias, assessoras ou escravas desses homens sem receber nenhum reconhecimento, gratidão e salário? Qual o problema cultural que faz essas mulheres aceitarem migalhas ou se tornarem candidatas laranjas? Existem muitas perguntas sem resposta. Até quando?

E o que dizer dos caras que se acham donos dos partidos? Verdadeiros coronéis que não abrem espaço nem para discussão interna sobre a mudança que nós exigimos?

Decidi apoiar as mulheres de todos os partidos e ajudá-las a vencer as barreiras impostas principalmente dentro dos partidos. E mobilizar a justiça eleitoral brasileira para garantir a participação efetiva de toda e qualquer mulher que tenha vocação política. É como se alistar ao Exército Brasileiro. Não é apenas um direito. É um dever de cada uma de nós. Precisamos nos unir e abrir alas para outras mulheres que sabem exatamente como administrar crises financeiras ou de qualquer tipo.

Muito além da teoria, queremos pôr em prática tudo que estudamos e conhecemos. Nós sabemos realizar. E queremos fazer uma profunda reforma política que dê condições reais de banir a opressão, o constrangimento, as ameças e as frases de efeito que tentam tirar o ânimo e a vontade das mulheres aptas a resolver os graves problemas do nosso país. E vamos precisar de todos. Inclusive dos homens.

(*) Advogada e consultora em políticas públicas



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