OPINIÃO E INFORMAÇÃO Facebook Twitter
Maceió/Al, 20 de janeiro de 2018

Opinião

25/03/2017 às 22:04

A difícil missão de empreender

Ricardinho Santa Ritta (*)

Em primeiro lugar é natural e até benéfico para a sociedade a realizações de investigações, operações policiais e processos judiciais. A justiça é uma instituição que existe para regular as relações, justamente por não haver de forma natural mediação ou respeito rígido à legislação entre as pessoas. O governo é um ente essencial, necessário que exista cumprindo sua tarefa fiscal. O fato é que empreender no Brasil é muito difícil. Ser empresário é um desafio que cansa, obstaculariza bastante, e faz com que muitos desistam. Eu já empreendi diversas vezes, deu mais errado do que certo, normal. No fundo, as vezes que deram certo foram na repetição de tentativas. Quem abre um negocio se torna de imediato sócio do governo. Não importando se o local-municipal, regional-estado ou central-federal. 

Há um método de pagamento de impostos que consome praticamente metade dos rendimentos da empresa. Se embutir os impostos paralelos de empregados, custos de produção, l de insumos entre outros fatores além da comercialização perceberemos que o grande sócio que temos é o governo. Vê-se nos últimos anos uma escalada importante do combate à corrupção. Não aguentamos pagar mais impostos e pior que isso é observar que nosso suado dinheiro que chega na mão dos governos não retorna em investimentos, estando no meio do caminho abastecendo agentes públicos e privados. A Operação Lava Jato reposicionou o mercado imobiliário quando prendeu os grandes empreiteiros do país. Mais que isso, deu oportunidade para que empresas de menor porte pudessem crescer, porém a economia retraiu ao ponto que a estagnação generalizada emperra o crescimento dos bons empresários, de pequeno e médio porte. 

Certa vez, um dos negócios que tive era uma empresa que funcionava no modelo americano 24/7 - 24 horas por dia e sete dias por semana. Descobri que além do governo eu possuía outro sócio - os bandidos. Somente no primeiro ano fomos alvos de 23 assaltos, no ano seguinte foram 14, mais do que um por mês, o que fazia-me contabilizar os assaltos como um Item de despesa previsto no balancete mensal. Pois bem, sofri a inexequível retroalimentação de pagar imposto e obter serviço, por não ter segurança. Nos tempos atuais neste mês fomos alvos de uma descoberta que atemorizou o país. Um bem precioso que fazemos no mínimo três vezes por dia : comer. O tal escândalo da carne fez com que nossas exportações de proteína que significam 20% da produção nacional de bovinos, 22% de suínos e 31% de aves caírem de um patamar diário de R$ 67 milhões para R$ 78 mil, somente exportação. Quando fiz parte da equipe do Ministério da Agricultura, percebi a importância da abertura de mercados, quase sempre mais exigentes que faziam com que produtores brasileiros investissem cada vez mais em nossa produção.

Somos todos a favor da regra clara, do jogo limpo. Qualquer mínima margem de corrupção já deve ser considerada excesso. Mas não podemos admitir exageros em investigações que levam nossa nação ao declínio econômico e uma recessão histórica de PIB negativo em dois anos seguidos, jamais visto, e a níveis de desemprego que podem chegar a quase 20 milhões de pessoas num futuro breve. O pior momento econômico da história mundial foi a Quebra da Bolsa de Nova York - o New Deal - em 1929. Nas décadas seguintes o planeta passou por duas grandes guerras. Fatos que testaram a resiliência dos empreendedores. Pois bem, hoje vivemos um período nacional de recessão muito mais impactante que no passado sombrio.

(*) É secretário nacional de Irrigação do Ministério da Integração

Comentários

Natura
Siga o AL1 nas redes sociais Facebook Twitter

(82) 996302401 (Redação)

© 2018 Portal AL1 - Todos os direitos reservados.