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Maceió/Al, 13 de agosto de 2022

Colunistas

Gustavo Mata Gustavo Mata
Especialista em gestão por resultado, publicitário e documentarista.
06/07/2022 às 07:49

No Escuro da Caverna

O semelhante é entendido por semelhante
e o diferente nunca é amigo do diferente

Sei que política não é meu assunto neste canal, mas é inquestionável que o futuro empresarial e econômico do País e do Estado estará em jogo nos próximos 90 dias. Sendo assim, não posso me furtar a uma reflexão do momento, porém não me cabe citar nomes. Me cabe apenas questionar as metodologias, tanto dos candidatos, quanto dos eleitores.

O que eu vejo:

1.  Disputas levadas ao extremo da polaridade;

2.  Candidatos divulgados com estereótipos de santo e salvador;

3.  Eleitor tratando candidato ou partido como time de futebol ou religião. Pois ambos são inquestionáveis;

4.  E por último e mais preocupante. Zero de projetos e ideias de governo. Apenas um enxame de dedões apontados de um lado para o outro, dizendo: Ladrão, corrupto, assassino, fascista, comunista, etc, etc...

O que mais me preocupa neste processo eleitoral é esse esforço monumental por parte dos candidatos em levar tudo para a polarização extrema. Como se não houvessem mais opções (sim. Existem). Fica óbvio neste artifício que os dois candidatos polo DEPENDEM UM DO OUTRO para sobreviver.

Não sei se é de conhecimento geral, mas dentro dos princípios filosóficos herméticos existe a Lei da Polaridade, que diz:

Lei da Polaridade: "Tudo é duplo, tudo tem dois polos, tudo tem o seu oposto. O igual e o desigual são a mesma coisa. Os extremos se tocam. Todas as verdades são meias-verdades. Todos os paradoxos podem ser reconciliáveis".

Se prestarmos atenção, isso é tão verdade que até os símbolos utilizados por ambos são os mesmos, só que invertidos:

Candidato A:

Candidato B:

Ao olhar o nosso atual cenário de disputas políticas me sinto igual à Sócrates, quando em um diálogo metafórico entre seus interlocutores, Glauco e Adimanto, discutiram sobre a Alegoria da Caverna,

Segue um resumo da Alegoria da Caverna, para quem quiser ler. Quem não quiser, basta pular para o parágrafo explicativo.

Alguns homens, desde a infância, geração após geração, se encontram aprisionados em uma caverna. Nesse lugar, não conseguem se mover em virtude das correntes que os mantém imobilizados.

Virados de costas para a entrada da caverna, veem apenas o seu fundo. Atrás deles há uma parede pequena, onde uma fogueira permanece acesa. Por ali passam homens transportando coisas, mas como a parede oculta o corpo dos homens, tudo o que os prisioneiros conseguem ver são as sombras desses objetos transportados.

Essas sombras projetadas no fundo da caverna são compreendidas pelos prisioneiros como sendo todo o que existe no mundo.

Certo dia, um dos prisioneiros consegue se libertar das correntes que o aprisionava. Com muita dificuldade, ele busca a saída da caverna. No entanto, a luz da fogueira, bem como a do exterior da caverna, agride os seus olhos, já que ele nunca tinha visto a luz.

O homem que fugiu pensa em desistir e retornar ao conforto da prisão a qual estava acostumado, mas gradualmente consegue observar e admirar o mundo exterior à caverna. Entretanto, tomado de compaixão pelos companheiros de aprisionamento, ele decide enfrentar o caminho de volta à caverna com o objetivo de libertar os outros e mostrar-lhes a verdade.

No diálogo, Sócrates propõe que Glauco, seu interlocutor, imagine o que ocorreria com o ser humano que enxergou alguma luz em meio a escuridão, em seu regresso e em sua tentativa de conversar com os outros.

Glauco responde que os outros, acostumados à escuridão, não acreditariam no seu testemunho e que aquele que se libertou teria dificuldades em comunicar tudo o que tinha visto. Por fim, era possível que o matassem sob a alegação de perda da consciência ou loucura.

A preguiça intelectual tem sido uma das piores mazelas do nosso tempo. A perda gradativa da habilidade de questionar o mundo ao nosso redor leva o ser humano a ficar bitolado em uma caverna escavada com as próprias mãos. As vitrines digitais das fake News e falsas virtudes, publicadas diariamente nas redes sociais, impulsionam a perda da consciência à níveis que transcendem a racionalidade. A hipocrisia e a insensatez disfarçadas de prosperidade superficial nos empurram para a ignorância e para o escuro do fundo da caverna.

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