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Maceió/Al, 27 de junho de 2022

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Saúde em Foco, com Roberto Barros Saúde em Foco, com Roberto Barros
Nutricionista Clínico e Esportivo Profissional de Educação Física Especialista em Fisiologia do Esforço
08/02/2022 às 11:33

Emagrecimento pós-Covid-19

Para emagrecer, tanto o corpo quanto a mente devem estar em harmonia, assim como o sono, a hidratação, o equilíbrio alimentar e os exercícios físicos, para, além de outras vantagens, melhorar o sistema imune (Nieman DC, Wentz LM. 2019).

A Covid-19 prejudica diversos órgãos seja em sua forma leve, moderada ou grave. Algumas das principais queixas pós-Covid-19 são a fadiga física, insônia, dores articulares, dores musculares e, caso tenha sido a forma grave da doença, fatores neurológicos comprometidos, prejudicando, desse modo, o sucesso da perda de peso pela ausência de exercícios físicos.

A PANDEMIA
  A Covid-19 driblou muitas entidades de saúde, inclusive a OMS e órgãos importantes de controle de pandemia. No seu início promoveu quarentenas necessárias para desafogar hospitais, mas depois, com restrições sem nenhum crivo científico, aumentou a ansiedade e a depressão na população (Steve H. Hanke, 2022), além de desencadear problemas econômicos que, em última análise, sugerem a piora dos distúrbios mentais com o passar do tempo.

  O principal fator de sobrepeso e obesidade está relacionado mais intensamente em pessoas com depressão e ansiedade.

MECANISMO DE RETROALIMENTAÇÃO – COMPULSÃO

A prática da quarentena anulou as rotinas profissionais, escolares e sociais, o que criou tédio nas pessoas. O tédio tem sido associado a uma maior ingestão energética, bem como ao consumo de maiores quantidades de gorduras, carboidratos e proteínas (Moynihan AB et al, 2015).

Outro complicador a considerar foi o apelo midiático constante sobre a pandemia, resultando no aumento de estresse. Consequentemente, esse estresse tem levado as pessoas a comer mais, em especial açúcares, ou os chamados “alimentos de conforto” (Yılmaz C, Gökmen V., 2019).

Esse desejo de consumir um tipo específico de alimento é definido como “desejo alimentar”, um conceito multidimensional que inclui processos emocionais (desejo intenso de comer), comportamentais (procurar comida), cognitivos (pensamentos sobre comida) e fisiológicos (salivação). (Rodríguez-Martín BC, Meule A., 2015).

SÍNDROME PÓS-COVID-19

Astenia (fadiga neuromuscular), falta de ar, aperto no peito, dores musculares, dificuldade de concentração e distúrbios do sono são as queixas mais frequentes e prolongadas, entre muitas outras, que se manifestam com intensidade variável sem um padrão sequencial estabelecido e sem uma explicação fisiopatológica óbvia.

O sintoma mais presente é a fadiga do corpo (astenia), que vai prejudicar os exercícios físicos. A Covid-19 atinge todo o corpo, mas em especial os pulmões, criando essa dificuldade também na respiração.

Outro fator a ser considerado é que o vírus atinge as mitocôndrias, principal célula de produção de energia (ATP), por isso o cansaço exagerado e à falta de energia para a prática de exercícios físicos.

NUTRIÇÃO NO PÓS-COVID-19

Em uma cenário pandêmico como a da Covid-19, a nutrição via nutrientes como vitaminas A, vitaminas relacionadas ao B (ácido fólico, vitaminas B6 e B12), vitamina D, vitamina C, vitamina K2 e os minerais Mg, Se, Fe, Cu e Zn é importante para o funcionamento adequado das funções imunológicas (Thurnham DI, 1997).

Outro ponto de atenção são os probióticos específicos para a melhora do sistema imune, como certos lactobacilos, bifundobacterias e a blends de probióticos com prebióticos (Makino S et al, 2010). Já é sabido que a disbiose (problema na flora intestinal) está relacionada com patologias clínicas, como: sobrecarga no sistema imune, intolerâncias, inflamações intestinais, gotejamento intestinal, síndromes do cólon irritado e outros que podem contribuir com a baixa imunológica do corpo, obesidade, taxa elevada do colesterol ruim, diabetes, constipação intestinal e outros.

CUIDADOS IMPORTANTES NO PÓS-COVID-19 – MEXA-SE!

  Em cenários pós-Covid-19, a primeira coisa a fazer é procurar especialistas como cardiologistas, pneumologistas, reumatologistas e outras especialidades de sua confiança para uma bateria completa de exames, a fim de tentar detectar possíveis sequelas pós-Covid-19.

  Em seguida, recomenda-se procurar um nutricionista e, com os exames já apurados, diagnosticar possíveis carências nutricionais. Somente assim será possível traçar um programa dietoterápico para incluir alimentos antioxidantes, proteínas adequadas e outros micro e macro nutrientes.

  Procurar um profissional de educação física é fundamental para montar treino(s) aeróbio(s) (caminhar, correr, pedalar, nadar e outros) para promover o desenvolvimento das mitocôndrias e, consequentemente, melhorar a fadiga física e o sistema imune. De modo similar, é fundamental aderir à musculação para desenvolver o sistema neuromuscular, órgãos que o Covid-19 prejudicou bastante em algumas pessoas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA

S.H. HANKE, J. HERBY, L. JONUNG. Uma revisão da literatura e meta-análise dos efeitos dos lockdowns na mortalidade por covid-19. Johns Hopkins Inst. Applied Econ, 2022.

MUSCOGIURI G, BARREA L, SAVASTANO S, COLAO A. Recomendações nutricionais para quarentena de Covid-19. Eur J Clin Nutr, 2020.

MOYNIHAN AB, VAN TILBURG WA, IGOU ER, WISMAN A, DONNELLY AE, MULCAIRE JB. Devorado pelo tédio: consumir comida para escapar da consciência do eu entediado. Frente Psicol, 2015.

YILMAZ C, GÖKMEN V. Compostos neuroativos em alimentos: ocorrência, mecanismo e potenciais efeitos na saúde. Food Res Int, 2020.

RODRÍGUEZ-MARTÍN BC, MEULE A. Desejo de comer: novas contribuições sobre sua avaliação, moderadores e consequências. Frente. Psicol, 2015.

WU C, CHEN X, CAI Y, XIA J, ZHOU X, XU S, ET AL. Fatores de risco associados à síndrome do desconforto respiratório agudo e morte em pacientes com pneumonia por doença de coronavírus 2019 em Wuhan, China. JAMA Intern Med, 2020.

PEUHKURI K, SIHVOLA N, KORPELA R. Dieta promove a duração e a qualidade do sono. Nutr Res, 2012.

MAKINO S, IKEGAMI S, KUME A, HORIUCHI H, SASAKI H, ORII N. Redução do risco de infecção em idosos pela ingestão dietética de iogurte fermentado com Lactobacillus delbrueckii ssp. bulgaricus OLL1073R-1. Br J Nutr, 2010.

GARCÍA OP, LONG KZ, ROSADO JL. Impacto das deficiências de micronutrientes na obesidade. Nutr Rev, 2009.

NIEMAN DC, WENTZ LM. A ligação convincente entre a atividade física e o sistema de defesa do corpo. J Esporte Saúde Sci, 2019.


Revisão de texto: J.A. Rugeri (MTB: 34.430)

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