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Maceió/Al, 27 de junho de 2022

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Saúde em Foco, com Roberto Barros Saúde em Foco, com Roberto Barros
Nutricionista Clínico e Esportivo Profissional de Educação Física Especialista em Fisiologia do Esforço
14/02/2022 às 20:39

Probióticos e desempenho físico

Para tratar desse assunto, tenho que falar inicialmente do tipo de nascimento da criança. Bebês nascidos de parto normal e amamentados por leite materno têm se beneficiado dos probióticos e prebióticos (J. Penders et al, 2006e Wampach, L., 2018), os quais irão propiciar uma perfeita homeostase intestinal nas outras fases da vida. Ou seja, crianças saudáveis serão adultos com fisiologia avançada e, em decorrência disso, atletas com performances mais adaptativas aos diversos níveis de intensidade do treinamento.

A simbiose intestinal, ou mutualismo com o hospedeiro, isto é, a parceria entre eles no intestino e com funções variáveis, cria o equilíbrio entre vários micro-organismos, os quais darão importantes contribuições para o ser humano, ajudando, dessa forma, no desenvolvimento das aptidões físicas que os treinos exigirão nas diversas fases de treinamento.

Estudos de Clark, A, Mach, N, 2016, Purvis et al, 2010 e Martinen et al, 2020,com probióticos e prebióticos no desempenho humano mostram alguns resultados interessantes, indicando que a microbiota atua como um órgão endócrino (por exemplo, secretando serotonina, dopamina ou outros neurotransmissores), podendo controlar o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA) em atletas; em outras palavras, a síndrome de adaptação geral (SAG). Por isso atletas têm mais adaptabilidade aos diversos tipos de treinamento. Evidentemente que atletas ou praticantes de esportes ou fitness não dependem apenas de aptidão física, mas, sobretudo, de um estado emocional para suportar os treinos.

DISBIOSE
Segundo o estudo de Peterson, CT., 2015, disbiose são problemas que podem afetar a flora intestinal seja por medicamentos, idade (idosos apresentam atrofia gástrica), dieta pobre em fibras, estresse, disponibilidade de material fermentável, má-digestão, tempo de trânsito intestinal, estado imunológico do hospedeiro ou nível de pH intestinal.

O tratamento chamado de modulação intestinal envolve dieta e o uso de medicamentos ou manipulados e está muito associado a uma dieta específica, estabelecendo o consumo adequado de fibras alimentares e, por último, a hidratação equilibrada e personalizada para cada pessoa, atleta profissional ou amador.

EXERCÍCIOS E PROBIÓTICOS
Os atletas, embora diversificados como população, dada a grande variedade de diferentes tipos de exercícios/fitness/treinamento esportivo, competição, práticas alimentares e atributos, exemplificam esses fatores em uma base geralmente consistente e de longo prazo. Evidentemente, estamos falando de pessoas focadas, então um desequilíbrio na flora intestinal (disbiose) pode levar a perdas significativas do desempenho físico e emocional.

O estudo de Estaki et al. 2016, focou na correlação da modulação intestinal (probióticos e prebióticos) com o desempenho humano, e os resultados apresentaram maior desenvolvimento da aptidão cardiorrespiratória (medida pelo pico ou consumo máximo de oxigênio, VO2 pico ou VO2 max.) quando microbiotas foram aplicadas em atletas.

Outro estudo de Clark, A. e Mach N., 2016, mostra a correlação direta da modulação intestinal com a melhora da absorção de nutrientes, eficiência hormonal, redução de citocinas inflamatórias, barreira intestinal, função imunológica e conexão cérebro-intestino, criando uma cascata de evolução fisiológica nesses atletas pesquisados.

COVID-19, MICROBIOTAS E DESEMPENHO FÍSICO
Além de atacar vários órgãos (Jabczyk, M. et al, 2021), o vírus da Covid-19 afeta as mitocôndrias (organelas de produção de energia, ATP). Outro fator relevante é a possível inclusão de fármacos para o tratamento da doença, sendo que estes podem aumentar a disbiose (desequilíbrio da flora intestinal) e propiciar constipações, má absorção de nutrientes, aumento de citocinas inflamatórias intestinais, redução de conectividade cerebral-intestino, piora do sistema imune e outros distúrbios que afetam o desempenho atlético.

NUTRIÇÃO, MICROBIOTAS E DESEMPENHO
À medida que mais atletas de elite sofrem de condições psicológicas e gastrointestinais que podem estar ligadas ao intestino, o direcionamento terapêutico pode convergir para a incorporação de fibras alimentares nas dieta. É preocupante que atletas de elite se baseiam principalmente em um baixo consumo de polissacarídeos vegetais (prebióticos), o que está associado à redução da diversidade, tempo de vida e funcionalidade da microbiota.

Especialistas médicos e nutricionistas logo irão equalizar os tipos de probióticos para cada fase do treinamento físico ou situação fisiológica do atleta. O importante, contudo, é que esses atletas introduzam também fibras alimentares.

CONCLUSÕES
O complexo gastrointestinal não é apenas um órgão de digestão, absorção e secreção, como foi colocado há muito tempo pela medicina. Sabe-se hoje que são órgãos que contribuem também com a secreção de hormônios e dos neurotransmissores que podem desempenhar melhora física, emocional e imunológica.

A modulação intestinal, tratamento com probióticos e prebióticos (fibras) vem ganhando atenção na área médica e nutricional com objetivos que percorrem do nascimento à velhice, passando pela sedimentação de propósitos de saúde ou mesmo maximização do desempenho humano.


Revisão de texto: J.A. Rugeri (MTB: 34.430)

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