Ateliê Aberto celebra encerramento de programa de desenvolvimento artístico da Casa Tanto
Encontro reúne exposição coletiva, feira de produtos artísticos e discotecagem em celebração aos processos de Gabriela Luz, Natália Alencar e Bia Passos.
A Casa Tanto realiza o Ateliê Aberto, encontro que marca a finalização de seu Programa de Desenvolvimento Artístico, iniciativa que, ao longo de dois meses, acompanhou as pesquisas e processos de criação das artistas Gabriela Luz, Natália Alencar e Bia Passos.
Desenvolvido pelos artistas visuais Lyara Cavalcanti, Vanessa Acioly e Lucas Cardoso, o programa foi pensado como um espaço de acompanhamento, troca e aprofundamento das pesquisas individuais das participantes.
Durante o percurso, foram trabalhadas questões relacionadas à poética, à pesquisa artística, aos processos de criação e às possibilidades de circulação e inserção das produções no campo das artes visuais em Alagoas.
A proposta parte da compreensão de que o desenvolvimento de uma trajetória artística parte da construção de uma pesquisa, o amadurecimento de uma linguagem própria e a compreensão dos caminhos possíveis para apresentar e fazer circular essa produção.
Nesse sentido, o programa se soma ao movimento de fortalecimento da produção artística contemporânea em Alagoas, criando um espaço de acompanhamento e troca entre artistas e aproximando diferentes experiências, linguagens e perspectivas sobre a prática artística.
Os artistas responsáveis pelo programa
O programa foi desenvolvido por Lyara Cavalcanti, Vanessa Acioly e Lucas Cardoso, que também participam do encerramento com uma exposição coletiva.
Lyara Cavalcanti (1995) nasceu, vive e trabalha em Maceió, Alagoas. É artista visual e desenvolve trabalhos na intersecção entre escultura, performance, instalação, fotografia e pesquisa material. Investigando a materialidade da madeira em seus variados estágios e espécies, centraliza sua pesquisa nos processos simbólicos de transmutação, decomposição e recomposição, morte e vida. Ao aproximar corpo e matéria trabalhada, propõe uma consciência material e o reconhecimento da capacidade regenerativa e dos registros de memórias e vivências presentes na matéria.
Vanessa Acioly (1987, Maceió) é artista visual e educadora. Sua pesquisa investiga relações entre matéria, território e memória, articulando pintura, objeto e instalação. Trabalha com terras, fibras vegetais, ferro e suportes provenientes de processos industriais, compreendendo a matéria como arquivo e agente. Sua prática aproxima tecnologias humanas e ancestrais do fazer de processos industriais, tensionando gesto, trabalho e matéria. Participou recentemente de Voragem e Vertigem, na Galeria Luis Maluf, e realizou a individual Mergulho no Seco (2024), no Arquivo Público de Alagoas.
Lucas Cardoso (1994, Maceió/AL) é artista visual multimídia cuja prática se desenvolve por meio da pintura, escultura e performance. Graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Alagoas (2020), realizou intercâmbio em Fine Arts na Hochschule für Kunst, Design und Populäre Musik, em Freiburg, Alemanha (2014), e é pós-graduado em Práticas Culturais Populares pelo Museu Théo Brandão e FAU/UFAL (2024). Seu trabalho emerge da coleta de materiais disponíveis nas paisagens com as quais interage e do interesse por técnicas construtivas inspiradas em arquiteturas ancestrais e estratégias de sobrevivência desenvolvidas ao longo da evolução de seres humanos e mais-que-humanos. Investiga o corpo em diálogo com a espiritualidade e a ecologia das relações interespécies, compreendendo essas dimensões como territórios de experimentação e especulação poética.
No encerramento, os três artistas apresentam uma exposição coletiva, estabelecendo um novo momento de encontro entre suas pesquisas e os trabalhos desenvolvidos pelas artistas participantes ao longo do programa.
As artistas participantes
Gabriela Luz (2002, Maceió) é estudante de Relações Públicas na Universidade Federal de Alagoas. Travesti e multiartista, investiga, por meio da aquarela, sua relação com a humanidade e a natureza. Sua pesquisa parte de perguntas sobre os mundos que projetamos e sobre quem desejamos ser, criando caminhos entre manchas, luzes, sombras, o onírico e o real.
Natália Alencar (1994, Maceió) é artista multimídia e designer formada pela Universidade Federal de Alagoas (2023). Atua em desenho, pintura e escultura e investiga temas como processos de vida, sentimentos, intuição, transmutação material e labor humano. Sua pesquisa é guiada pela curiosidade do olhar e pela observação do cotidiano, da vida vegetal e da natureza.
Bia Passos (2003, Maceió) se apropria de traçados irregulares e cores vibrantes, por meio do pastel oleoso e da aquarela, para criar composições que transitam entre o cotidiano e a fabulação. Arquiteta e Urbanista pela Universidade Federal de Alagoas (2026), explora o lúdico para dar forma a sentimentos, vivências e a uma visão de mundo atravessada pela perspectiva de uma jovem nordestina LGBT+.
Um encontro entre diferentes linguagens
Como encerramento do programa, o Ateliê Aberto apresenta as pesquisas desenvolvidas pelas três artistas participantes e amplia a programação com a presença de outros artistas da cena alagoana.
A exposição coletiva de Lyara Cavalcanti, Vanessa Acioly e Lucas Cardoso estabelece um diálogo entre diferentes pesquisas e linguagens, criando um segundo núcleo de trabalhos dentro da programação.
O público também poderá conhecer e adquirir trabalhos na feirinha colaborativa de produtos artísticos, que reúne Pedro Zip, Liriz e Gleyson Borges.
Pedro Zip é designer gráfico, ilustrador e lettering artist residente em Maceió. Reconhecido pelo Instagram Oficial como Design Student Spotlight 2026, também foi finalista do Latin American Design Awards 2026. Desde 2022, já trabalhou para clientes como Sony Music Entertainment UK, Prefeitura de Maceió e ENEJ. Paralelamente ao trabalho e aos estudos, desenvolve projetos autorais que unem tipografia experimental e design espontâneo periférico.
Liriz é artista visual, designer e fotógrafa nascida e radicada em Maceió, Alagoas. Seu trabalho mescla mídias e processos artísticos para materializar experiências, memórias e sonhos. É autora do livro gráfico Mais Uma Sobrevivente, adaptado para uma exposição em 2025. Atualmente, desenvolve seu trabalho na produtora 4E, da qual é cofundadora, levando sua linguagem criativa para o audiovisual, a literatura e a fotografia.
Gleyson Borges (1992) nasceu, vive e trabalha em Maceió, Alagoas. Sua prática se desenvolve a partir de intervenções, combinações e decomposições, utilizando em cada criação a materialidade mais adequada para intensificar sua mensagem. Guiado por uma perspectiva afrocentrada, seu trabalho atua como ferramenta de resistência, memória e emancipação, refletindo sobre a experiência negra contemporânea. A partir de fragmentos do cotidiano que atravessam experiências coletivas, o artista busca expandir as possibilidades de olhar para o passado, viver o presente e imaginar o futuro a partir de uma visão negra. Sua produção já foi apresentada em instituições e exposições no Brasil e no exterior, incluindo a Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa; o Something Else Symposium, no Cairo; o CCBB e o MUNCAB. Em 2025, realizou sua primeira exposição individual, A coisa ficou preta, no Engenho Massangana, vinculado à Fundação Joaquim Nabuco, em Pernambuco.
Para completar a programação, o encontro contará com a discotecagem de VINIVINIVINI. DJ e beatmaker de São Paulo, morando há quatro anos em Maceió, o artista cria batidas espaciais e sets que passeiam pelos clássicos do rap nacional, pelo trap contemporâneo e pelos sons mais underground de Londres, sempre valorizando a cultura brasileira, especialmente a nordestina.
O Ateliê Aberto propõe, assim, um encontro entre processos de pesquisa, diferentes linguagens e formas de circulação da produção artística. Abrindo espaço para o público, a Casa Tanto transforma o encerramento do programa em um momento de compartilhamento, troca e celebração dos caminhos construídos pelas artistas ao longo dos dois meses de acompanhamento.
Serviço
Ateliê Aberto | Encerramento do Programa de Desenvolvimento Artístico da Casa Tanto
Data: 03 de outubro de 2026
Horário: 16h
Local: Casa Tanto, Rua Félix Lima Júnior, nº 26, Poço, Maceió/AL
Entrada: Gratuita
Artistas participantes: Gabriela Luz, Natália Alencar e Bia Passos
Exposição coletiva: Lyara Cavalcanti, Vanessa Acioly e Lucas Cardoso
Feirinha colaborativa: Pedro Zip, Liriz e Gleyson Borges
Discotecagem: VINIVINIVINI
Mais informações e programação:
https://www.instagram.com/p/
Fonte: Assessoria