Arnóbio Cavalcanti

Brasil de volta ao Top 8 em 2027: prestígio mundial, problemas internos

Arnóbio Cavalcanti Filho

O Brasil poderá retornar à 8ª posição entre as maiores economias do mundo em 2027, ultrapassando a Itália e a Rússia, com PIB nominal estimado em US$ 2,8 trilhões, segundo projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI). Essa posição já foi ocupada em 1996. Apesar dessa perspectiva, o país deverá enfrentar crescimento econômico mais lento, juros elevados, pressão sobre as contas públicas e dificuldades no mercado de trabalho.

A previsão do FMI indica expansão de 1,9% do PIB em 2027, abaixo dos 2,2% projetados para 2026. A desaceleração ocorre após crescimentos de 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025, evidenciando o desafio de estimular a atividade econômica sem comprometer o controle da inflação.

Embora o Banco Central tenha iniciado a redução da taxa Selic, o crédito permanece caro, limitando o consumo e o endividamento das famílias, os investimentos empresariais e a geração de empregos. A inflação, por sua vez, deverá recuar de 5% em 2025 para 4,1% em 2027, ainda acima da meta de 3%. Já a taxa de desemprego passe da atual 6%, podendo alcançar 6,8% no próximo ano.

No setor externo, o Brasil mantém reservas internacionais elevadas e capacidade de atrair investimentos, embora a dívida externa tenha superado o volume das reservas em US$ 5,1 bilhões, perdendo a condição de credor internacional, que vinha mantendo por 19 anos. Para as agências de classificação de risco, entretanto, o principal ponto de atenção continua sendo o desequilíbrio fiscal, que pressiona os juros e eleva o custo da dívida pública.

A Dívida Líquida do Setor Público do Brasil encerrou o ano de 2022 em 57,5% do Produto Interno Bruto. A projeção para 2026 é de 70,0%.

Diante desse cenário, o governo que assumir em janeiro de 2027 terá de conciliar responsabilidade fiscal, controle da inflação e medidas para estimular o crescimento e a produtividade. O desafio será criar condições para ampliar os investimentos, fortalecer o mercado de trabalho, inovação e sustentar o desenvolvimento econômico sem comprometer a estabilidade das contas públicas.

Arnóbio Cavalcanti

Arnóbio Cavalcanti

Sobre

Doutor em Economia pela École des Hautes Études en Sciences Sociales, HHESS, França. Professor da Universidade Federal de Alagoas com linhas de pesquisa em Finanças Públicas, Economia do Setor Público, Macroeconometria e Desenvolvimento Regional.

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