Arnóbio Cavalcanti

Governo Lula 4: promessas sociais diante do desafio fiscal

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Passadas as comemorações pela vitória de Lula, começa a fase mais difícil: transformar o resultado eleitoral em crescimento econômico e avanços sociais. O quarto mandato do presidente terá pela frente desafios como a desaceleração da economia, a dívida pública elevada, os juros altos e a pressão sobre as contas do governo. Ao lado da segurança pública, a economia estará no centro das cobranças sobre a nova gestão.

O principal dilema será conciliar investimentos, geração de empregos e manutenção dos programas sociais com o controle dos gastos públicos e a recuperação da confiança do mercado. O desafio será fazer a economia crescer sem agravar o endividamento do país.

Crescimento econômico

As projeções do mercado financeiro indicam expansão de apenas 1,32% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027.

A estratégia mantém o Estado como indutor do desenvolvimento, por meio de crédito público e incentivos à participação privada. O objetivo é ampliar a produtividade e fortalecer a capacidade de crescimento da economia.

Dívida pública e arrecadação

O Banco Central registrou em agosto corrente que a dívida bruta do governo geral atingiu R$ 11,1 trilhões, o equivalente a 82,9% do PIB. Diante esse cenário aumenta a pressão por medidas capazes de conter o avanço dos gastos e garantir maior previsibilidade às contas públicas.

O governo sinaliza em manter o atual arcabouço fiscal e ampliar a arrecadação por meio da tributação dos mais ricos e da revisão de benefícios fiscais. A estratégia busca financiar políticas sociais e investimentos sem aprofundar os desequilíbrios orçamentários. O desempenho fiscal também será decisivo para a trajetória da inflação, dos juros e do crédito.

Impostos, emprego e renda

Na área tributária, o governo defende a continuidade da reforma sobre o consumo e a chamada justiça tributária, com maior contribuição dos mais ricos e redução da carga sobre as faixas de menor renda.

No mercado de trabalho, Lula 4 propõe manter a política de valorização do salário mínimo, ampliar o emprego formal, reduzir a jornada semanal para 40 horas e acabar com a escala 6x1 sem redução salarial. Também pretende ampliar a proteção social dos trabalhadores de aplicativos e combater a precarização das relações trabalhistas.

Agronegócio e pequenos negócios

O plano de governo prevê ampliar o crédito rural, fortalecer o Plano Safra e a agricultura familiar, incentivar a produção nacional de fertilizantes e aumentar os investimentos em energia renovável.

Para os pequenos negócios, a proposta é facilitar o acesso ao crédito e apoiar iniciativas de digitalização e aumento da produtividade. Na indústria, a prioridade será fortalecer a produção nacional e ampliar a presença brasileira nos mercados internacionais.

O desafio do próximo mandato

A capacidade de transformar investimentos em crescimento sustentável será determinante para o sucesso do governo. Lula 4 deve apostar na expansão da atividade econômica e no aumento da arrecadação para financiar suas prioridades. O resultado dependerá da execução das medidas, do controle dos gastos e da retomada dos investimentos privados, em um cenário de restrições fiscais e juros ainda elevados.

Arnóbio Cavalcanti

Arnóbio Cavalcanti

Sobre

Doutor em Economia pela École des Hautes Études en Sciences Sociales, HHESS, França. Professor da Universidade Federal de Alagoas com linhas de pesquisa em Finanças Públicas, Economia do Setor Público, Macroeconometria e Desenvolvimento Regional.

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