Cuba S.A: a holding militar que transformou uma ilha em empresa familiar
66 anos de socialismo de farda — e a conta que o povo paga
RESUMO
O artigo analisa o colapso econômico cubano a partir de dois eixos: a ditadura castrista, 66 anos no poder sem uma eleição livre, e o conglomerado militar GAESA, holding que controla 40% da economia, acumula US$ 17 bilhões em ativos e contribui com zero em impostos — enquanto 89% da população vive em extrema pobreza. Conclui que a miséria cubana não é produto do embargo americano: é o dividendo anual de um Estado capturado por generais.
Palavras-chave: Cuba. GAESA. Ditadura castrista. Colapso econômico. Direitos humanos.
A Revolução que ficou, o povo que foi
Em 1959, Fidel Castro chegou ao poder com o kit completo do revolucionário: promessas vagas de igualdade, barba bem fotografada e discursos de quatro horas que parte da intelectualidade europeia confundiu, por razões que a psicanálise explica melhor que a ciência política, com profundidade histórica. O mundo progressista aplaudiu. Cuba tornou-se o “Grande Experimento”.
Sessenta e seis anos depois, os resultados estão disponíveis: 89% da população em extrema pobreza (OBSERVATÓRIO CUBANO DE DIREITOS HUMANOS, 2025); salário médio de US$ 14 mensais; apagões de até 72 horas; farmácias vazias; cidades onde se cozinha com lenha. E o dado mais eloquente de todos: a população encolheu 24% em cinco anos — não por guerra ou epidemia, mas porque o povo, com a sabedoria de quem não tem mais ilusões, simplesmente foi embora.
A Revolução ficou. O povo, na medida do possível, tratou de sair.

1. GAESA: quando o general descobre o balanço patrimonial
O Grupo de Administración Empresarial S.A. (GAESA) é a resposta cubana para a pergunta que o marxismo jamais respondeu: quem fica com o excedente quando não há capitalistas? Em Cuba, a resposta é simples — fica com o general.
Documentos financeiros internos obtidos pelo Miami Heraldem 2025 revelaram que o conglomerado acumula US$ 17,894 bilhões em ativos — US$ 14,467 bilhões apenas em contas bancárias (MIAMI HERALD, 2025). Margem de lucro: 38%, quase quatro vezes a média global das grandes corporações. Contribuição fiscal em dólares: zero. A GAESA controla o turismo, o comércio varejista, o sistema financeiro e as remessas da diáspora. Tudo que entra em dólares na ilha passa por ela. Os salários saem em pesos — moeda que se desvalorizou de 24 para mais de 500 por dólar em seis anos.
O economista Pavel Vidal, da Universidade Javeriana de Cali, definiu a estrutura com precisão: a GAESA é "uma economia dentro de outra economia" — sem auditoria, sem transparência, sem impostos e sem uma única linha na mídia estatal cubana (MIAMI HERALD, 2025). A Assembleia Nacional nunca a auditou. Em agosto de 2024, recebeu 9,26 bilhões de pesos do Estado e devolveu 920 milhões em tributos. Em dólares: zero.
Carlos Eire, professor de Yale e cubano exilado desde os sete anos, descreveu o modelo sem rodeios:
"Claro, os cubanos recebem saúde e educação 'gratuitas' — mas todos os donos de escravos precisam manter seus escravos saudáveis e garantir que tenham as habilidades para executar suas tarefas." (EIRE apud CONSERVATIVE HOME, 2014)
A frase não é hipérbole. É análise. Os serviços públicos cubanos são o investimento mínimo para manter a força de trabalho operacional e exportável. Os médicos, em particular, são o produto de maior valor da GAESA: treinados pelo Estado, alugados a governos estrangeiros por dólares que o regime embolsa integralmente. Havana chama isso de solidariedade internacionalista. Adam Smith chamaria de outra coisa.

2. A ditadura e seus admiradores distantes
A ditadura cubana tem a peculiaridade de ser, simultaneamente, a mais duradoura do Hemisfério e a que mais colecionou apologistas entre intelectuais que jamais precisaram viver sob ela. Enquanto cubanos atravessavam o Estreito da Flórida em balsas de câmara de ar, acadêmicos publicavam teses sobre os avanços da educação revolucionária.
Humberto Fontova, jornalista cubano exilado em 1961 e autor de "The Longest Romance: The Mainstream Media and Fidel Castro" (2013), documentou por décadas como essa narrativa foi fabricada: culpar o embargo americano pela miséria que é produto direto da GAESA e do socialismo militar. O embargo existe desde 1962. A GAESA foi criada em 1995. O raciocínio não fecha — mas fecha bem o suficiente para quem não precisa viver com US$ 14 por mês.
Em fevereiro de 2026, com o sistema energético em colapso após o corte do petróleo venezuelano, Díaz-Canel declarou que "Cuba está pronta para dialogar com Washington sobre qualquer tema, sem pré-requisitos" (WIKIPEDIA, 2026). Era a antítese de 66 anos de retórica revolucionária. Aparentemente, quando o apagão passa de 72 horas e a GAESA ainda registra 38% de margem, o diálogo com o imperialismo torna-se subitamente palatável.
Conclusão: o socialismo que funciona — para o acionista
O que os balanços da GAESA demonstram é que o socialismo cubano jamais foi um projeto de igualdade. Foi, desde o início, um projeto de captura total do Estado por uma elite militar que, após monopolizar o poder político, monopolizou toda a renda do país. A GAESA não é uma distorção do modelo cubano. É o modelo cubano com a máscara removida.
Carlos Eire resumiu a narrativa oficial com a lucidez de quem a conheceu na pele:
"A imagem de uma Cuba pré-Castro como sociedade primitiva resgatada pela revolução é uma caricatura enganosa, brilhantemente concebida pelo regime para tornar sua brutalidade menos ofensiva." (EIRE apud CURRENTPUB, 2020)
Quando o mundo democrático decidirá tratar a ditadura cubana com o rigor que aplica a qualquer regime que manteve uma população inteira como refém por seis décadas? A resposta depende menos de Havana do que das preferências ideológicas dos que deveriam formular a pergunta — e que, enquanto isso, continuam voltando da ilha com camisetas do “Che”.
A propósito: Ernesto Che Guevara — o rosto mais vendido da Revolução, responsável pessoal por centenas de execuções em La Cabaña — está disponível em tamanho P, M e G na loja do aeroporto de Havana. Pague em dólares, por favor. Pesos o regime não aceita — nem dos turistas que vieram admirar o socialismo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CONSERVATIVE HOME. Cuba: Not, in fact, a socialist paradise. Londres, 21 maio 2014. Disponível em: <<a href="https://www.conservativehome.com>" >https:="" www.conservativehome.c...<="" a="">;. Acesso em: 18 maio 2026.
<a href="https://www.conservativehome.com>" >https:="" www.conservativehome.c...<="" a="">
<a href="https://www.conservativehome.com>" >https:="" www.conservativehome.c...<="" a="">CURRENTPUB. Carlos Eire on Cuba. 2020. Disponível em: <<a href="https://www.currentpub.com>" >https:="" www.currentpub.com><="" a="">;. Acesso em: 18 maio 2026.
<a href="https://www.currentpub.com>" >https:="" www.currentpub.com><="" a="">
<a href="https://www.currentpub.com>" >https:="" www.currentpub.com><="" a="">COMISSÃO ECONÔMICA PARA A AMÉRICA LATINA E O CARIBE (CEPAL). Estimativas de crescimento do PIB cubano 2025. Santiago: CEPAL, 2025.
<a href="https://www.currentpub.com>" >https:="" www.currentpub.com><="" a="">
EIRE, Carlos M. N. Waiting for Snow in Havana: Confessions of a Cuban Boy. New York: Free Press, 2003. [Prêmio National Book Award for Nonfiction, 2003.]
ESCRITÓRIO NACIONAL DE ESTATÍSTICAS E INFORMAÇÕES DE CUBA (ONEI). Salário médio nacional 2025. Havana: ONEI, 2025.
FONTOVA, Humberto. The Longest Romance: The Mainstream Media and Fidel Castro. New York: Encounter Books, 2013.
<a href="https://www.currentpub.com>" >https:="" www.currentpub.com><="" a="">
<a href="https://www.currentpub.com>" >https:="" www.currentpub.com><="" a="">MIAMI HERALD. These Cuban companies are actually run by the military, secret documents show. Miami, ago. 2025. Disponível em: <<a href="https://www.miamiherald.com>" >https:="" www.miamiherald.com><="" a="">;. Acesso em: 18 maio 2026.
<a href="https://www.miamiherald.com>" >https:="" www.miamiherald.com><="" a="">
<a href="https://www.miamiherald.com>" >https:="" www.miamiherald.com><="" a="">OBSERVATÓRIO CUBANO DE DIREITOS HUMANOS (OCDH). Relatório sobre pobreza extrema em Cuba. Miami: OCDH, set. 2025.
<a href="https://www.miamiherald.com>" >https:="" www.miamiherald.com><="" a="">
<a href="https://www.miamiherald.com>" >https:="" www.miamiherald.com><="" a="">
<a href="https://www.miamiherald.com>" >https:="" www.miamiherald.com><="" a="">VIDAL, Pavel. GAESA: The Invisible Elephant in Cuba's Macroeconomic Stabilization. Horizonte Cubano — Columbia Law School. Nova York, dez. 2025. Disponível em: <<a href="https://horizontecubano.law.columbia.edu>" >https:="" horizontecubano.law.co...<="" a="">;. Acesso em: 18 maio 2026.
<a href="https://horizontecubano.law.columbia.edu>" >https:="" horizontecubano.law.co...<="" a="">
<a href="https://horizontecubano.law.columbia.edu>" >https:="" horizontecubano.law.co...<="" a="">WIKIPEDIA. Crise em Cuba de 2026. Atualizado em mar. 2026. Disponível em: <<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Crise_em_Cuba_de_2026>" >https:="" pt.wikipedia.org="" wiki="" ...<="" a="">;. Acesso em: 18 maio 2026.
<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Crise_em_Cuba_de_2026>" >https:="" pt.wikipedia.org="" wiki="" ...<="" a="">
<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Crise_em_Cuba_de_2026>" >https:="" pt.wikipedia.org="" wiki="" ...<="" a="">