Wadson Regis

Citação de jornalista na delação da JBS pode abrir a caixa de pandora do submundo da imprensa

Claudio Humberto, que havia denunciado o delator, é o primeiro nome de peso, do jornalismo brasileiro, citado em delação premiada

O Brasil de cabeça para baixo não é uma invenção da Globo, mas o posicionamento e o modus operandi da 'Poderosa' sobre a delação premiada do criminoso confesso Joesley Batista, dono da JBS, liga o sinal de alerta que pode atingir o quarto poder – A IMPRENSA.

A citação do jornalista Claudio Humberto, do portal de notícias Diário do Poder, denunciado em delação premiada pelo executivo Ricardo Saud, da J & F, de fazer acordo no valor de R$ 18 mil/mês, por dois anos, para não falar mal do grupo criminoso, pode ser a ponta do iceberg para o surgimento de casos envolvendo veículos de comunicação e jornalistas.

Com 21 anos na seara política posso dizer que não conheço jornalista imparcial. Isso não quer dizer que sejam venais. O saudoso senador baiano Antonio Carlos Magalhães disse que só há três tipos de jornalistas: o que quer a notícia, o que quer emprego e o que quer dinheiro. É uma tese que não pode ser descartada.

Na maior crise política, econômica e moral do Brasil não será novidade que em algum momento nomes consagrados e desconhecidos do grande público sejam citados, como acontece agora, com alagoano Claudio Humberto Rosa e Silva. Em sua defesa o Diário do Poder argumentou que "Lobista da JBS aproveita delação para se vingar de jornalista que o denunciou". Clique aqui e veja . 

Diferente da linha "padrão" de defesa dos acusados, em toda e qualquer operação, digo que sou inocente, mas conheço, já vi e estive com alguns jornalistas venais. 

Acredito que o grupo criminoso, que confessa ter distribuído mais R$ 500 milhões em propina para 1.829 políticos, ministros, desembargadores, juízes, procuradores federais e policiais, também tenha feito “investimento tenebroso” com veículos e jornalistas pelo Brasil a fora. É uma possibilidade real. Infelizmente.

Em tempo: Não acuso, nem defendo ninguém. Não sou delator e tenho nojo de desse tipo de criminoso. Por mim, depois de confessar e entregar os parceiros, deveria ficar em prisão perpétua.

Wadson Regis

Wadson Regis

Sobre

Jornalista profissional, formado pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), é editor-geral do AL1.

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