Wadson Regis

Quem “manda” em Alagoas é...

É…

Esqueça a narrativa sobre a importância de Lula e Bolsonaro, em Alagoas. Se fosse real – a tal narrativa – o presidente indicaria, para o Governo, o deputado federal Paulão, seu principal aliado no Estado. Já Bolsonaro, teria Alfredo Gaspar, Delegado Fabio Costa, Cabo Bebeto e Leonardo Dias, para indicar.

Em Alagoas, senhoras e senhores, o buraco é mais embaixo. O pleito que se aproxima tem muitos craques querendo a mesma coisa. Para o Governo do Estado há, apenas, uma vaga, mas fala-se em dois postulantes (JHC e Renan Filho); para o Senado, são duas vagas, mas Arthur Lira, Renan Calheiros, JHC e Alfredo Gaspar desejam uma delas. E ainda tem Davi Davino Filho esperando a jogada errada, deles, para ter chance real de vitória.

Ou seja (é a minha opinião):

- Renan Filho depende do apoio do seu grupo político para vencer, e Lula é só um importante fiador.

- JHC, se sair do PL, não terá a mesma facilidade de vitória, caso opte pelo Senado. E mais: coloca em risco a vitória da primeira-dama da capital, Marina Candia, que está no radar de ser federal.

- Arthur Lira, caso haja o rompimento com JHC, fica fragilizado para o Senado, mas não significa desespero. Tem em Alfredo Gaspar (e vice-versa) um guarda-chuva de colab nos votos. Sim! Essa dupla, se acertar na mexida dos ovos (digo: votos) a casadinha vira mais um motivo de preocupação para Renan.

Renan Calheiros, com toda expertise, experiência e sagacidade (quanto está em risco) depende da decisão de JHC e de Arthur Lira para saber como jogar.

Alfredo Gaspar é o “Rodrigo Cunha” de 2018. Explico: parte significativa da sociedade – cansada do modelo tradicional - de centro-direita e da extrema-direita, o posiciona como bola da vez para ser o mais votado ao Senado.

Davi Filho... tem chance e esperança, mas o jogo é alto e ele, com menor expressão política e popular, é o vigia da turma. Precisa estar ligado 24h, para pegar o cavalo (no pelo). O importante é cruzar a linha de chegada em 2º.

Assim... Lula e Bolsonaro são apenas importantes fiadores no processo, mas são as articulações, os acordos e as traições que impulsionarão e derrotarão os protagonistas.

Repito: com toda importância política de Alagoas, em Brasília, os presidenciáveis nunca deram atenção para as eleições neste emblemático estado.

Portanto... quem manda em Alagoas é o eleitor, ainda que seja abastecido com o dinheiro do próprio povo, para eleger e reeleger os mesmos caras pálidas.

Wadson Regis

Wadson Regis

Sobre

Jornalista profissional, formado pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), é editor-geral do AL1.

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