Wadson Regis

A “política” da adivinhação

Cuidado com a realidade

É triste, a situação atual do jornalismo brasileiro. A moda, já há algum tempo, é o estilo “adivinhador”, um tipo de “jornalismo” cujo o critério é espalhar possibilidades e narrativas que, em nenhum momento da escrita, ou fala, ou posicionamento no vídeo, colabora para que o eleitor, alheio aos fatos e vulnerável pelo “conteúdo” que recebe, acaba sendo vítima de fake news do chamado 4º poder.

O Brasil não avança e as pequenas pílulas são expostas como troféu de conquista. O Brasil tem potencial para tudo, mas esbarra na tecla viciada da repetição. Veja a que ponto chegamos, na crise REAL com os EUA: “um assessor de Donald Trump só terá autorização de entrar no Brasil se o Governo Americano liberar a entrada do Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, no solo americano. Meu Deus!

Trazendo a surrealidade para Alagoas, o principal foco do noticiário está nas mais diversas narrativas sobre a decisão de JHC e com quem o prefeito da capital vai estar nas eleições de outubro. Pior é que, além da prática exacerbada da adivinhação alheia, ainda insinuam cenários, transformando aliados em vítimas do processo. Com o mundo ainda desnorteado com a revolução tecnológica, estamos nós (falo em Alagoas) desnorteados com a prática exacerbada da política da adivinhação.

Quem é do meio sabe o que pensam JHC e Renan Filho. É fato REAL que ambos não têm o Governo do Estado como prioridade, o que não quer dizer que o enfrentamento esteja descartado.

É fato REAL que Alfredo Gaspar tem o Senado como Plano A, mas ainda out side ele não tem 100% de garantia da candidatura.

É fato REAL que Renan Calheiros enfrenta seu momento mais desafiador nas urnas. Os reflexos do tempo (4 mandatos no Senado) estão expondo os efeitos da política do cansaço, mas ele (Renan) certamente utilizará as regas e ensinamentos de Maquiavel, Sun Tzun, Confúcio e Robert Greene (autor de As 48 Leis do Poder). Não será fácil para o experiente combatente.

É fato REAL que Arthur Lira está fazendo valer a máxima que envolve talento e esforço. Ele aprendeu a sorrir com facilidade, virou exímio articulador, ficou especialista no modelo Biu de Lira (seu pai) de fazer política, mostra-se destemido para disputas complexas e será ele – pode anotar – o personagem mais importante no processo eleitoral de Alagoas. Não é adivinhação, é fato.

São cinco personagens que buscam três vagas. Não há matemática (ou matemático) no mundo que equalize essa operação sem que haja traição (e neste caso não será do eleitor – vítima e culpado deste processo).

Por ordem alfabética:
Alfredo Gaspar está em fase de transição oral, com políticos e sociedade o acompanhando como BOCA DURA na CPMI do INSS. Sua disposição para disputar o Senado precisa da aliança com quem (ainda) não deseja a aliança.

Arthur Lira sabe o que tem na manga e como utilizar sua principal arma (o conhecimento).

JHC sabe que, a depender da decisão que tomar, só poderá contar com o voto dos seus admiradores (é arriscado, quase suicida). Se tomar a decisão correta, pelo que ajustou ao longo do tempo, passa a ser protagonista e fiador na parceria, tanto para o Governo, quanto para o Senado. O problema é concluir o quebra-cabeça onde ele está como peça.

Renan Calheiros é o sábio do processo. Não há dúvida para ele, mas ir às urnas é seu único caminho. Renan – você sabe (seu chavão desde sempre), não saberia viver sem mandato. A política é sua única atividade. Tem uma cartilha própria, confeccionada ao longo de 50 anos de vida pública. Se está atualizada, saberemos em 4 de outubro.

Renan Filho não precisa provar nada a ninguém. É o responsável por ele mesmo ter virado uma máquina política. O sobrenome lhe coloca dois passos atrás, mas ele, maestro na política ostensiva de entregas significativas e com oratória definida, sabe que poderia muito mais. Alagoas ficou pequeno para ele e a possibilidade de retorno é uma opção pelo compromisso assumido em 2022.

Este é um roteiro (sem adivinhação). Não é filme, e ainda não é real porque as gravações começarão a partir do dia 5 de abril deste ano.

Wadson Regis

Wadson Regis

Sobre

Jornalista profissional, formado pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), é editor-geral do AL1.

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