O mundo se assusta com o risco da falta d'água no Oriente Médio. E a guerra do povo nordestino pela água?
A guerra que envolve os EUA, Israel e Irã, provocando pânico no Oriente Médio, Europa e América, ganhou a atenção do mundo, pela ameaça de atingir as estruturas que tratam a água na região. E pasme: o Irã tem apenas 2% de capacidade de produção da água potável. A estratégia do Irã é atacar a produção de dessanilização da Arábia, Emirados Árabes, Bahrein, Kwiat etc.
Com a água se tornando arma de guerra na luta dos EUA e Israel contra o Irã, é de ficarmos espantados – e revoltados – com o que acontece no Brasil, especialmente no Nordeste e criminosamente em Alagoas, com a negação dos homens de mandato para que o povo – principalmente o sertanejo – tenha água nas torneiras e para garantir a plantação e a pecuária.
Os exemplos estão aí. Não sei se você sabe, mas no início da década de 60, o Governo Federal, através do DNOCS, construiu o açude Jaramataia, na cidade que leva o mesmo nome, no Sertão. É um case de sucesso que beneficia, segundo os números oficiais do Governo, cerca de 400 famílias.
Em 1992, por iniciativa do então governador Geraldo Bulhões, o Canal do Sertão saiu do papel com o objetivo de reduzir os impactos da seca no interior de Alagoas, levando água do Rio São Francisco. O projeto, que já dura décadas, é mais uma prova cabal do não compromisso dos líderes políticos e da passividade e até conivência dos órgãos fiscalizadores e da sociedade civil.
Em 2007, por iniciativa da Usina Coruripe, que investiu apenas R$ 14 milhões, foi inaugurada a Barragem Coruripe 1, sendo a maior barragem privada do Nordeste. O reservatório pereniza o rio Coruripe e garante o abastecimento para irrigação dos canaviais.
Em 2025, foi lançado o programa Mais Água Alagoas, um projeto da concessionária Conasa Águas do Sertão, em parceria com o Governo de Alagoas, orçado em apenas R$ 12 milhões, beneficiando diretamente os moradores de Igaci, Lagoa do Rancho, Palanqueta e Coité das Pinhas, consolidando os avanços na infraestrutura hídrica da região.
Tais obras mostram que é possível aproveitar o potencial hídrico de Alagoas. O pouco que já foi feito pela iniciativa privada comprova a ausência do compromisso dos políticos para com seu povo. As parcerias com a iniciativa privada também revelam que é possível atuar junto.
Mais de 30 anos esperando a conclusão do Canal do Sertão. Mais de 30 anos esperando por açudes perenes e adutoras em todo o Sertão. Mais de 30 anos esperando as barragens de contenção de enchentes, principalmente na Zona da Mata e Vale do Paraíba.
Uma vida de espera – para o povo que precisa do socorro – e uma vida de poder, passando de geração em geração. Somos vítimas (pelo sofrimento) e culpados (pelo silêncio e, para muitos, pela conivência). Talvez por isso, no Sertão, a estratégia de guerra seja utilizar o Exército na operação carro-pipa. Guerra que a gente perde ano após ano. Temosmunicípios em estado de emergência pela estiagem e a mídia nem... nem.
Até quando, parasitas?