Quem joga alto, arrisca
Imagine um jogador experiente, conhecedor dos caminhos da vitória e da derrota. Agora, pense como um veterano de batalhas (no plural) agiria numa guerra, onde a vitória lhe garantirá a Medalha de Honra e a derrota sua última jornada.
No Brasil esse tipo de reconhecimento (a Medalha de Honra) é raro, mas nos Estados Unidos significa a mais alta condecoração militar, concedida pelo Presidente em nome do Congresso a membros das Forças Armadas por bravura excepcional e risco de vida além do dever em combate.
O povo brasileiro ainda não decidiu pela polarização entre Lula e Flavio Bolsonaro. O trio do PSD, composto por Eduardo Leite (governador do Rio Grande do Sul), Ratinho Junior (governador do Paraná) e Ronaldo Caiado (governador do Goiás) começou a se apresentar em bloco. Estão decididos que o mais avançado – politicamente e eleitoralmente – será o candidato da chamada terceira via. Aqui para nós: são testados e aprovados por seus moradores. Olho neles!
Em Alagoas, faltando 19 dias para o prazo das filiações partidárias e desincompatibilização do serviço público, a polarização entre JHC versus Renan Filho é o nó a ser desatado. Com Alfredo Gaspar e Arthur Lira decididos e avançando para as duas vagas ao Senado, será a decisão de JHC que vai revelar os novos caminhos da política alagoana. Renan Filho é forte em qualquer situação, porque tem a estrutura do Estado e os soldados do MDB na trincheira de frente e retaguarda. Mas ele só se mantém competitivo se tiver esse aparato. É o mesmo para JHC, que tem um grupo heterogêneo, com menor poder de fogo, mas tem forte adesão popular, principalmente na região metropolitana.
Agora, imagine Renan Filho sem o apoio do governador Paulo Dantas e do presidente do Poder Legislativo, Marcelo Victor. Pense nisso. Também pense em JHC sem a turma da direita e sem Arthur Lira, e confiando, apenas, no voto do povo. Pense nisso. Também imagine Renan Calheiros disputando o Senado com Alfredo Gaspar, Arthur Lira, Davi Davino Filho e JHC. Também é factível imaginar.
É aí onde o experiente combatente observa o campo da sua batalha final. Mas ele tem um problema: o mapa da guerra não está em suas mãos.
O alvo de todos – pode anotar – é JHC. E o principal algoz de JHC é ele mesmo, que confia 100% em seu timing (seu próprio tempo).
Renan Calheiros tem, por enquanto, a isca e a vara. Se conseguir o anzol, seguirá em Brasília. Se a isca fugir ele já estará na história, mas sem a Medalha de Honra (e ela vale mais que tudo).
Amanhã faltarão 18 dias. Na quarta, 17...
Renan está jogando alto.