Wadson Regis

Quando o cidadão desaparece e nasce o personagem político

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Pensamentos sobre o 4 de abril.

Ao entrar na política, muita gente não evolui — se transforma. Some o cidadão comum e surge um personagem moldado pela conveniência. O direito de errar em silêncio acaba; tudo vira exposição e cálculo. A opinião sincera é substituída por discurso ensaiado, pensado não para refletir convicções, mas para evitar desgaste. A liberdade de dizer o que pensa dá lugar à obrigação de dizer o que mantém alianças de pé. A vida simples desaparece, engolida por interesses, acordos e pela necessidade constante de preservar uma imagem. No fim, não é apenas uma mudança de rotina — é uma divisão: a pessoa que existe e a persona que precisa sobreviver.

Num único, parágrafo defino o conflito entre dois seres num mesmo corpo, que se revelam e se rebelam com a lealdade rompida, a coveniêcia, os interesses e a simulação descartável.

O eleitor não tem o que merece, mas o que lhe aparece. E o que temos não é tão bom quanto poderia ser. Talve por isso tantas amizades desfeitas, tanta desonra na palavra dada e tanta parceria desfeita.

O ser político é um animal peçonhento, que contamina as espécies e o ser-humano é presa fácil. 

Wadson Regis

Wadson Regis

Sobre

Jornalista profissional, formado pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), é editor-geral do AL1.

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