O “Boca Dura” do Congresso
Em mais um episódio para envergonhar a política nacional, a quebra de decoro parlamentar ficou em segundo plano. Pense comigo na gravidade de alguém ser chamado de estuprador. Siga comigo o citado como estuprador rebater e chamar seu acusador de bandido, criminoso, corrupto, cafetão e usuário de drogas. Agora, reflita comigo: os dois são deputados federais por Alagoas e Rio de Janeiro.
Alfredo Gaspar de Mendonça (AL) e Lindbergh Farias (RJ) escancaram mais uma prova da precariedade moral do Congresso, tão contundente quando as provas cabais que estão no parecer final da CPI do INSS, apresentado por Alfredo Gaspar.
Para escancarar ainda mais a triste realidade que permeia a conivência da política rasteira com a banda podre do judiciário (sem generalizar as partes), o embate começou justamente pela leitura de um discurso do ministro Luís Roberto Barroso, de 2018, num episódio humilhante no Supremo Tribunal Federal, envolvendo Barroso e o ministro Gilmar Mendes. Barroso chamou o Gilmar de “pessoa horrível, mistura do mal com o atraso, com pitadas de psicopatia”, em um dos momentos mais duros da história recente da Corte.
Nesta sexta-feira, ao dizer que a CPMI é um circo, e diante das palavras pesadas ditas em alto e bom som, resta-me lamentar, porque o futuro dos meus filhos e netos não estará em boas mãos com o Congresso e os posicionamentos contraditórios dos membros do Parlamento Federal e da Suprema Corte do país.
O parlamento, o STF, ex-presidentes da República e o atual presidente do país são, diariamente, taxados de tudo o que não presta, e as ruas permanecem caladas.
Está na minha canção (RUAS CALADAS)
Ruas caladas
não há o que ouvir
corrupção no sistema
a nos engolir
justiça cega
sente o cheiro do milhão
estamos perdidos
sem direção
O episódio desta sexta foi lamentável e castiga ainda mais a democracia brasileira. Para nós, alagoanos, fica como consolo, o posicionamento duro do deputado Alfredo Gaspar, que até a semana passada era visto como um personagem com menor importância que os protagonistas que irão às urnas, em outubro. Alfredo, com a decisão de migrar para o PL, e pela conduta na CPMI, confirma que é BOCA DURA.
Se será vitorioso na próxima eleição, é um detalhe que o povo vai decidir.