Wadson Regis

Eu prefiro acreditar na pureza das crianças

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Tenho um filho com 6 anos de idade. Um dia desses ele caiu na escola e acusou um amigo de ter sido derrubado por ele. Sem estresse para nós (pais), mas o pequeno se arranhou, chorou e ficou sem falar com o amigo por dois dias. Já fizeram as pazes, afinal, são amigos de colégio e se dão muito bem. Um quer o bem do outro (é importante este trecho)

Agora, vamos à verdade do que aconteceu. Meu filho não foi derrubado pelo amigo. Eu soube da verdade ainda escola, quando fui buscar o “arranhado”. A professora viu a cena e disse: “pai, ele tava correndo e escorregou. Tava prá lá e prá cá. Você sabe como esses meninos são elétricos”. Pois bem... nos dois dias em que ficou sem falar com o amigo (inocente), eu e a mãe dele dizíamos: “Théo, eu soube que o Vitor não te empurrou”. E ele permanecia calado, sem dar pistas do ocorrido (mas também não imaginava que sabíamos da verdade). Quando voltou a falar com o amigo, perguntamos: “Théo, você e o Vitor já estão de bem?” “Sim, mamãe”. “Mas mesmo depois de ele ter empurrado você e você ter se arranhado? Sim, mamãe. eu acho que ele não quis me derrubar. Ele é meu amigo”.

Bem... talvez com vergonha, ou sabe-se lá o porquê, meu filho não contou a verdade, afinal, ninguém o derrubou, e ele refez as pazes com o amigo, numa boa.

Fato semelhante está acontecendo na política alagoana. Antigos aliados estão se bicando, e esse “racha” está abrindo a possibilidade de novas amizades com antigos desafetos. Qual é a diferença entre as crianças e os adultos? Perceba que meu filho, aos 6 anos, conseguiu refazer a amizade com o amigo inocente, mas não precisou construir uma nova amizade, muito menos procurar o diálogo com outro aluno, que ele não tem afinidade. E para justificar o ocorrido disse: “... mamãe, eu acho que ele não quis me derrubar”.

Moral da história: quem constrói boas amizades, colhe boas noitadas, viagens inesquecíveis e sonhos que despertam por toda a vida. Quem procura o “inimigo para conversar sabe do incômodo de noites mal dormidas.

Isso não tem nada com as conversas de JHC com os Renans ou do atrito de JHC com Arthur Lira. Inimigos mesmo são Renan Calheiros e Arthur Lira, professores da escola política. É pessoal, coisa de adulto. Assim como eles, há outros casos na perigosa política das Alagoas.

Eu, pode ter certeza, prefiro acreditar na pureza das crianças. “É a vida, é bonita e é bonita...” – salve, Gonzaguinha (e aprecie sua caNção O QUE É O QUE É?).

Quem disse que criança não ensina?

Wadson Regis

Wadson Regis

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Jornalista profissional, formado pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), é editor-geral do AL1.

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