Perceba o nível do jogo (político)
Há algo emblemático na corrida eleitoral para o Governo e Senado. Do tipo: quem tropeçar nas palavras, nos atos, ou for pego no flagra, dificilmente retornará ao jogo político.
Não discuto eleição proporcional, pelo simples fato de ser uma eleição desproporcional. Meu foco é o Macro, os que puxam a audiência, os que definem quanto custará o processo eleitoral, e os que chamam a atenção da mídia, do eleitor e do financiador.
Assim, perceba o nível da (não) discussão entre JHC e Renan Filho. O ex-prefeito de Maceió não fala, mas foca no avanço da sua caminhada pelo Sertão. Depois virar ao Agreste, Baixo São Francisco, Região Sul, Região Norte, Vale do Paraíba e Zona da Mata (não por essa ordem), geralmente postando com aliados do adversário. A estrarégia é elementer: mostrar ao eleitor que seu líder também conversa com ele.
Já Renan Filho, o candidato de Lula, vai anunciar recursos para os municípios até quando puder. Também vai reprisar a estratégia das eleições de 2022, pegando carona na agenda de entregas e ordens de serviço de Paulo Dantas. Tudo pode, para Renan Filho (no Estado) e JHC (em Maceió), até 4 de julho.
Mas, há detalhes neste momento. Um deles é o “respeito” ao adversário. Perceba que JHC e Renan Filho não se atacam, não provocam o outro. O máximo de ostensividade, até agora, partiu de Renan Filho, mas contra o PSDB, à época de Teotonio Vilela como governador. Foi estratégico, porque Renan Filho precisava chamar a atenção no seu retorno a Alagoas. Roteiro simples. Desceu do avião, entrou no carro, citou seu motorista, disse que leu sobre postagens, respondeu a jornalista e cutucou quem não vai enfrenta-lo nas urnas (e nem estará nas urnas). Básico, mas eficiente, para quem não compreende de estratégia.
Por outro lado, apenas JHC pode avançar no território alheio. Pelo simples motivo: o MDB tem 80 prefeitos e mais de 90 (prefeitos) se declaram aliados à candidatura de Renan Filho, ao governo.
E como explicar o silêncio de Alfredo Gaspar e Arthur Lira? Eles não dependem de JHC para vencer, mas a aliança muda (mudará/mudaria) o roteiro da corrida eleitoral.
O outro personagem é Renan Calheiros. Estratégico, é um eterno surfista, que observa a melhor onda, no momento mais adequado. A experiência é seu trunfo, a mesmice no discurso é seu maior adversário.
Faltam 170 dias para as eleições. O nível é alto, e o eleitor ainda não sabe para quem torcer (porque as peças do jogo não estão postadas).