Wadson Regis

Não tem novinho, nem bobinho, mas o Manual pode ser rasgado

Preste a atenção!!!!

Alagoas está prestes a ter sua eleição mais disruptiva, desde o início dos anos 2000. Os últimos acontecimentos desta natureza, para os alagoanos, aconteceram em 1989, quando o desconhecido Fernando Collor de Mello surpreendeu o Brasil, sendo eleito pelo nanico PRN, e em 1998, quando Heloísa Helena colocou um ponto final na carreira do Grande Guilherme Palmeira, ao vencê-lo para o Senado, e Ronaldo Lessa aposentou o "durão" Manoel Gomes de Barros, então candidato à reeleição ao Governo de Alagoas.

Daquela época aos dias atuais, o embate que mais se aproximou de disputa foi em 2010, quando Teotonio Vilela venceu João Lyra. Foi disruptiva do ponto de vista econômico, porque, ali, em meio a uma série de traições políticas contra João Lyra, prevaleceu a frieza e a estratégia de Téo Vilela, legitimamente eleito.

Agora, em 2026, o interessante é que, para o Governo e Senado, não haverá personagem novo nas urnas. Escalando o elenco, teremos:

01 – Renan Calheiros completando 50 anos de vida pública
02 – Ronaldo Lessa, completando 44 anos de vida pública
03 – Arthur Lira, completando 33 anos de vida pública
04 – Renan Filho, completando 23 anos de vida pública
05 – JHC, completando 16 anos de vida pública
06 – Alfredo Gaspar, completando 6 anos de vida pública.

E o que muda, então? Cada um com sua história e histórico. Este é o detalhe que será determinante no pleito eleitoral.

01 – Alfredo Gaspar, aos 56 anos de idade, vai para sua terceira eleição em seis anos. Perdeu a primeira, para prefeito da capital, venceu para federal e vai em busca do Senado ou Governo (nesta ordem de prioridade). É o neófito do grupo e o que mais impressiona no momento. Seu aliado de primeira hora é Arthur Lira. Os dois estão alinhados para fazer dobradinha ao Senado ou com Alfredo ao Governo, numa resposta e enfrentamento à estratégia de JHC.

02 – Arthur Lira, com seu amadurecimento em Brasília, acumulando as funções de líder do Centrão, o maior bloco político paralelo do Brasil, e presidente da Câmara Federal nos governos antagônicos de Bolsonaro e Lula, acumulou poder e conhecimento. É o candidato que mais se preparou para o embate ao Senado. Não à toa, divide os apoios dos prefeitos alagoanos com seu principal desafeto: Renan Calheiros. Arthur, pode anotar: é o dono da bola, e do jogo. É capaz, inclusive, de se arrebentar nas urnas para dar o troco a JHC, caso a união (previamente pactuada) não seja selada. Ah! Alfredo Gaspar é a Bola 7 deste jogo. Vá anotando aí.

03 – 8 anos depois, os alagoanos voltam a ter os Renans como opção, repetindo a mesma proposta, com Renan Filho ao Governo e Renan Calheiros para o Senado. É aí onde a nuvem da política apresenta novos cenários. Àquela época, Renan Filho era governador bem avaliado e trabalhou diuturnamente para manter Renan no Senado. O tempo é outro e o nível dos adversários, também. Renan Filho continua forte, mas não tem o status de favorito. Renan Calheiros está enfraquecido e, agora, precisa, assim como Renan Filho precisou, da parceria do grupo liderado por Marcelo Victor e Paulo Dantas (nesta ordem).

04 – JHC, com 16 anos de vida pública, não é novo na política, mas é o único que tem estilo e manual estratégico próprio. É audacioso, ambicioso e curte o enfrentamento muito mais que as postagens no Instagram e TikTock. As alianças com Ronaldo Lessa e Teotonio Vilela têm a característica de quem aposta na soma de votos (pratica utilizada desde sempre por Renan Calheiros para se manter no Senado). Os coroas de JHC têm história, histórico e conhecimento do campo de batalha. São generais das urnas com vitórias e derrotas, mas com sagacidade para vencer o adversário.

Se JHC vencer para o Governo de Alagoas ele estará propondo, de maneira única, a criação de um novo manual político para administração pública e eleições. Unir o passado com o presente, ganhar tempo com os aliados e atrair a atenção dos adversários é genial. Só tem um detalhe: as urnas têm preço e o preço da derrota, pelo menos para JHC, será seu maior castigo.

JHC x Renan Filho: não é só uma disputa democrática, é a castração de quem pensa que não pode perder.

Alfredo + Arthur + Renan é uma conta que não há matemático (nem hacker) que resolva, sem que um deles saia do jogo.

Texto longo, porque estamos no caminhar de uma longa história...

Wadson Regis

Wadson Regis

Sobre

Jornalista profissional, formado pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), é editor-geral do AL1.

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