Wadson Regis

A guerra está declarada

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Sou leitor, telespectador e praticante de estratégias. Sim, para sobreviver neste mercado, cada vez mais competitivo, e manter relação com a política, é preciso obedecer as regras. Aprendi que, em campanha eleitoral, não é prudente perder tempo limpando a carabina. Também compreendi, aí sob os olhares atentos a Sun Tzu e Maquiavel, a importância da inteligência e da estratégia para a vitória com o menor custo possível.

Quebrar a resistência do inimigo é um dos princípios de Sun Tzu. Ele retrata muito bem sobre arte do engano e da ilusão, com a guerra baseada na dissimulação, manipulando a percepção do oponente. Fazer o inimigo se mover, criando situações que o forcem a revelar sua posição e enfraquecer-se foi a tática dos Calheiros e JHC. "Quando capaz, finja incapacidade; quando ativo, finja inatividade", alerta Sun Tzu.

Portanto, senhoras, senhores e leigos em estratégia, todos têm seus planos. Eu nunca acreditei em “Acordão de Brasília”. Sempre defendi que havia um plano de cada lado, e é o que está posto. JHC não tem patente para superar Renan Calheiros na estratégia. Assim como JHC, mesmo enigmático, dificilmente esqueceria as agressões verbais de Renan Filho. Na modernidade dos dias atuais, o mocinho não gera audiência. Esta será a eleição dos “cabras maus” (você compreende?).

Renan deu todo o tempo para JHC se armar. Precisava conhecer a proximidade do seu teto como estrategista. Sim, cada um tem seu tempo. JHC continua apostando no próprio timing. A diferença entre os exércitos e a experiência dirão muito nos próximos dias. Renan não dá recado. Quem conhece, sabe: quando ele abre a boca é para induzir o adversário ao erro, antecipar a próxima jogada do oponente ou alertá-lo que seu entorno está cercado. Os elogios de Renan e o abraço de Renan Filho para JHC eram sinais claros de que a estratégia estava funcionando.

Chegou a hora do acerto de contas. Com seu próprio timing, JHC perdeu apoio da extrema direita, da direita e do anti-calheirismo. Está, também, balançado com Arthur Lira e Alfredo Gaspar. JHC está cercado e acuado (esta a realidade do momento). Duvido que o secretário de Finanças de Maceió, João Felipe, não seja convocado para dar explicações no Senado. Aí saberemos se Maceió e JHC têm culpa no caso Banco Master. Este é o X da questão que pode derrotar ou reposicionar JHC.

Não é mais momento para testes. A guerra está declarada.

Wadson Regis

Wadson Regis

Sobre

Jornalista profissional, formado pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), é editor-geral do AL1.

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