A eleição dos sonhos e pesadelos, e do desejo de vingança
Era uma vez... esta é uma longa história.
Alagoas é um Estado abençoado pela natureza, rico na arte, na cultura e com políticos poderosos e importantes ditando as regras. Já foi o Estado do coronelismo político, da bancada da bala na Assembleia Legislativa, e o mais penalizado nos investimentos à saúde, educação e assistência ao seu povo.
Neste pequeno Estado do país, meu filho, os municípios estão bem distantes dos índices aceitáveis para que o povo tenha uma qualidade de vida digna. Em Alagoas, se não fosse a abertura de novos hotéis, e a garra dos pequenos agricultores, o Índice de Desenvolvimento Humano, um indicador criado pela ONU para medir a qualidade de vida e o desenvolvimento de uma população, avaliando a economia, saúde (expectativa de vida), educação (anos de estudo) e renda (PIB per capita), continuaria sendo o pior do Brasil.
Alagoas, meu filho, teve o primeiro e segundo presidentes do nosso país. Teve o primeiro presidente eleito com o voto do povo, depois do período com os militares no comando. É um Estado com muitos políticos poderosos, como Renan Calheiros, que começou como deputado estadual, quando seu pai tinha só três aninhos, depois ele foi federal, depois senador (ele está no quarto mandato) e já foi presidente do Congresso Nacional por quatro vezes. Ele é poderoso, meu filho. Outros nomes também mostraram força em Brasília, como Arthur Lira, meu filho, que foi vereador por Maceió, deputado estadual e, pela força dele, foi presidente da Câmara Federal nos governo de Bolsonaro e Lula. Ele também é poderoso, filho. Ele e Renan são adversários/inimigos, e vão se enfrentar agora, numa luta onde um dos dois pode desaparecer da política (que seja feita a vontade do povo).
Em Alagoas, meu filho, a terra para produzir é boa, tem água até demais sem o uso adequado, mas a produção que mais chama a atenção é a de herdeiros nos mandatos. Nosso próximo governador, por exemplo, é filho de políticos tradicionais. Eles já são profissionais na política e, agora, terão um encontro de contas pessoal a fazer. É, meu filho... vem aí a eleição dos sonhos e pesadelos, e do desejo de vingança. Sabe o porquê, meu filho? É que, para ganhar, os inimigos abdicam dos próprios princípios, para que eles continuem no poder. É por isso, meu filho, que Alagoas está em 25º, entre 27 unidades da Federação, na qualidade de vida (IDH) – é cruel, filho.
Papai está pensando em ousar, sabe? Não quero ser um deles, mas é preciso lutar, meu filho, pela sua geração. Por nós e por todos.
Filho... filho... ah! Dormiu... (o Théo tem só 6 anos, mas precisa ser alertado dos riscos de continuarmos nesta situação).
Eu decidi lutar!
História contada, ontem à noite, ao meu filho Théo, de 6 anos. Ele, certamente, não compreenderia, mesmo se não tivesse dormindo. Mas é nossos dever o alerta e a decisão pela escolha mais prudente.