Wadson Regis

Arthur Lira virou o jogo

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Em mais um capítulo desta intrigante luta pela manutenção de mandatos, e pela sobrevivência política de alguns, eis que o imponderável se aproxima. Mas, antes de falarmos sobre este tal imponderável, que já caminha a passos avançados em Alagoas, desde as vitórias de JHC, para prefeito, em 2020, e Paulo Dantas, para o governo, em 2022, é fácil explicar como Arthur Lira conseguiu unir seu nome ao sobrenome, e conquistar o coração dos prefeitos alagoanos.

O filho de Biu de Lira teve como Mestre o senador mais municipalista da política alagoana. Deixo, aqui, meu reconhecimento a Teotonio Vilela Filho, pelo que fez no Senado, e como governador de Alagoas. Mas Benedito era o abre-portas dos prefeitos (as), em Brasília, como deputado federal, e embaixador como senador.

A política de Alagoas também ensina (para quem presta a atenção), justamente pela passagem de bastão. No estilo capitania hereditária, as gerações vão fincando bandeira nos mandatos, e os bons se sobressaem. É o que está acontecendo neste momento, com JHC muito mais avançado que João Caldas, Renan Filho sem comparação com Renan Calheiros, e Arthur Lira lutando pelo legado do pai (in memoriam).

No sábado, em Rio Largo, Arthur conseguiu reunir, na histórica casa dos Paiva, os principais empresários, comerciantes, lideranças do município e as famílias Pinto, Paiva e Oiticica. Todos, que lá estavam, não votariam em Arthur Lira pela aliança dele com o ex-prefeito Gilberto Gonçalves, agora no MDB, com a filha e deputada Gabi Gonçalves.

Ao assistir aquela cena, logo me veio Renan Calheiros na mente. Arthur, que ao longo da sua trajetória avançou de vereador por Maceió, para deputado estadual e depois deputado federal (chegando a presidir a Câmara nos governos de Bolsonaro e Lula), também deve ter buscado em seu pai, o pulo do gato para ter se tornado o pré-candidato ao Senado do coração dos prefeitos e prefeitas de Alagoas. Renan, para quem não sabe, praticou, durante seus 40 anos de vida política, a estratégia de juntar opositores em seu palanque. Arthur, que avançou no tempo e nos objetivos, certamente percebeu que a estratégia da pacificação temporária era o que lhe faltava para que ele pudesse provar, nos municípios, que é o político com mais recursos enviados para Alagoas, em todos os tempos. “Meu ponto fraco é a comunicação, mas eu desafio, mesmo como deputado federal, que alguém diga que enviou mais recursos para Alagoas do que eu”, foi o que ele disse em Rio Largo.

Ouvi de prefeitos e deputados (e quem é da política sabe disso) que Arthur é um político de grupo e palavra. Talvez explique os porquês de sua base estar sempre avançando. Arthur soube se reinventar e, agora, busca o que Renan Calheiros não acreditava: a oportunidade de também fazer história no Senado. As pesquisas de consumo interno, que tive acesso, confirmam Arthur Lira no batalhão de frente.

E onde o imponderável se apresenta? Com todos os processos arquivados, se Renan perceber que Alfredo Gaspar, também figurando no Batahão de frente, vencerá a eleição, ele terá sua decisão mais difícil, porém acertada, porque perder para dois algozes, numa tacada só, e sendo sua última jornada, isso ele não aceita.

O imponderável se apresenta, não apenas porque Arthur Lira virou o jogo.

Wadson Regis

Wadson Regis

Sobre

Jornalista profissional, formado pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), é editor-geral do AL1.

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