Wadson Regis

Pesquisas eleitorais em Alagoas: entre os erros de muitos e o acerto de quem merece reconhecimento

Tadeu Lira: CEO da TDL

As eleições de 2026, em Alagoas, deixaram uma lição que precisa ser assimilada por institutos de pesquisas, analistas políticos e profissionais da comunicação: números não podem ser instrumentos de conveniência política. Precisam representar a realidade, mesmo quando ela contraria interesses.

Foi um verdadeiro festival de pesquisas, divergências, pedidos de impugnação, decisões judiciais e palpites. Nas rádios, televisões, redes sociais e nos tradicionais senadinhos, sobraram especialistas em antecipar resultados. Faltou, em muitos casos, a prudência necessária para compreender o comportamento do eleitor.

Em meio a esse cenário, um instituto regional, que também enfrentou uma espécie de bullying eleitoral, merece reconhecimento: a TDL Pesquisas, comandada por Tadeu Lira. Na sexta-feira anterior à eleição, entrei em contato com Tadeu para conhecer sua avaliação sobre a disputa pelo Governo de Alagoas. Sua resposta foi categórica: “Impossível a virada de Renan Filho. Na quarta nossos números internos mostraram 7% de JHC à frente, como há uma clara movimentação da estrutura do Estado em ação, é possível que a diferença fique na casa dos 3%, em favor de JHC”.

As urnas confirmaram a vitória de JHC, com 52,20% dos votos válidos, contra 47,37% de Renan Filho. Uma diferença de 4,83 pontos percentuais. A TDL havia divulgado, na véspera, uma pesquisa que apontava exatamente 52,2% para JHC. Tadeu acertou. E reconhecer esse acerto é uma obrigação de quem defende o jornalismo responsável. Com longos anos de estrada, o dirigente e seu instituto merecem o crédito pelo desempenho na mais emblemática disputa eleitoral de Alagoas em 2026.

Mas há uma questão que considero ainda mais importante. Institutos de pesquisa não existem para fabricar vencedores, alimentar expectativas ou legitimar interesses políticos. Existem para medir, com rigor científico, a vontade do eleitor. A Justiça Eleitoral foi acionada diversas vezes durante a campanha. Houve pesquisas questionadas, divulgações suspensas e decisões posteriormente revistas. Isso demonstra a importância da fiscalização, mas também exige cuidado: impugnação não significa, necessariamente, fraude ou manipulação.

Da mesma forma, errar uma pesquisa não é prova de má-fé. Entretanto, divergências expressivas entre projeções e resultados exigem explicações técnicas, não desculpas convenientes. Deixo, também, um alerta aos diretores e CEOs dos institutos: quem deve falar antecipadamente são os números, nunca a vaidade, a preferência política ou a torcida de quem comanda a empresa. O papel de um dirigente é explicar os dados, não substituí-los por convicções pessoais apresentadas como verdades científicas.

Aos analistas que confundiram proximidade com o poder com conhecimento do eleitorado, fica outra lição: estrutura política não é sinônimo de voto garantido. E opinião pessoal, por mais eloquente que seja, não substitui pesquisa séria. Aos que erraram, seja qual tenha sido o motivo ou a motivação, deixo uma recomendação: quando o que está em jogo é o destino de um estado, o serviço prestado à sociedade precisa ser 100% profissional.

Reconheço o mérito da TDL e de Tadeu Lira não por preferência, mas pelo resultado apresentado. Da mesma maneira, considero indispensável cobrar responsabilidade de todos os institutos, sejam eles regionais ou nacionais. A eleição terminou. Os números foram confrontados com as urnas. E a credibilidade de cada instituto também saiu desse processo com seu próprio resultado. Porque pesquisa eleitoral não pode servir para construir uma vitória imaginária. Deve servir para compreender a vontade real do eleitor.

E, numa democracia, quem dá a última palavra não é o instituto, o analista ou o político. É a urna.

Wadson Regis

Wadson Regis

Sobre

Jornalista profissional, formado pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), é editor-geral do AL1.

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