Wadson Regis

Não há brecha para a moralidade

Não mesmo!

"Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão" é o verso mais famoso do samba "Reunião de Bacana", composto por Ary do Cavaco e Bebeto di São João. Gravada originalmente em 1980, no final do Regime Militar, pelo grupo Os Originais do Samba, a canção retrata, com ironia e crítica social, um ambiente de elite ou uma festa repleta de "doutores, senhores e até magnata", contrastando com a realidade das periferias e da classe trabalhadora.

Dez anos depois, nos primeiros momentos com a Democracia, o grupo Engenheiros do Havaí lançou o álbum O Papa é Pop, repleto de hits, no auge do rock nacional. Uma das canções, Pra ser sincero, de Humberto Gessinger e Augusto Licks, diz: Pra ser sincero não espero que você minta. Não se sinta capaz de enganar, quem não engana a si mesmo. Nós dois temos os mesmos defeitos. Sabemos tudo a nosso respeito. Somos suspeitos de um crime perfeito, mas crimes perfeitos não deixam suspeitos... um dia desses, num desses encontros casuais, talvez a gente se encontre, talvez a gente encontre explicação.

Agora, em 2026, com a Democracia pisoteada, lançarei meu primeiro álbum de punk rock, com o título: O $istema não está na prisão. Uma das canções é Brasil em xeque, que diz: Justiça, política, fogo cruzado, crime organizado, tudo misturado. Narrativas de lado, sistema enquadrado, quem é o culpado? O cabeça pensante precisamos saber, quem é o comandante e o que vai acontecer. BRASIL EM XEQUE, o que vai acontecer? Brasil em xeque, o Brasil precisa saber: quem manda? Quem comanda? Quem paga? Quem é quem?

Por enquanto é isso. Não há brecha para a moralidade brasileira (com Vênia para as exceções). O $istema está enquadrado e está tudo misturado, num mega crime organizado, com facções na Esquerda, na Direita, no Centrão, na imprensa e, claramente, no Judiciário.

BRASIL EM XEQUE!

Wadson Regis

Wadson Regis

Sobre

Jornalista profissional, formado pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), é editor-geral do AL1.

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