Wadson Regis

Alagoas passa por um ponto de inflexão

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O modus operandi da política praticada em Alagoas, pelos exemplos ao longo das décadas, está longe de ser transparente. E o previsto, muitas vezes, desmorona antes mesmo de se transformar em previsão. É sob essa lógica, tão contraditória quanto verdadeira, que o estado caminha para mais um importante momento da sua história política.

Encerradas as eleições de 2026, vencedores e derrotados terão que reorganizar suas forças, reconstruir estratégias e, sobretudo, compreender que o resultado das urnas não encerrou a disputa pelo poder. Apenas inaugurou uma nova etapa. O MDB alagoano perderá, após 12 anos, o protagonismo da política estadual e, ainda, com feridas profundas. As derrotas de Renan Calheiros e Renan Filho representam mais do que um revés eleitoral. Mas é precipitado decretar o fim do grupo. A vitória de Lula representa um balão de oxigênio para os Renans. O MDB perdeu nas urnas, mas não necessariamente sua capacidade de articulação.

Do outro lado, JHC chega ao Governo com uma vantagem política considerável: venceu sem assumir posicionamento explícito na disputa presidencial. Essa postura lhe oferece uma margem de negociação que poucos governadores terão. No fogo-cruzado, e no centro desse tabuleiro, está uma das peças mais importantes: Arthur Lira. Eleito senador, com influência sobre a maioria da bancada federal na Câmara dos Deputados, ele reúne condições para exercer protagonismo que ultrapassa as fronteiras do Senado. Se a aliança entre JHC e Arthur permanecer sólida, o novo grupo político começará 2027 com uma concentração extraordinária de poder. Já no Poder Legislativo, a construção da harmonia passa por Marcelo Victor.

Mas há uma diferença fundamental entre conquistar o poder e administrá-lo politicamente. Alianças construídas para vencer eleições nem sempre resistem à divisão dos espaços de governo, às ambições individuais e aos interesses que surgem depois da vitória. É justamente aí que começam os verdadeiros testes. O primeiro semestre de 2027 será, portanto, decisivo. Não apenas para definir quem exercerá maior influência sobre o novo governo, mas para revelar se Alagoas viverá uma verdadeira renovação do seu modelo político ou apenas uma redistribuição de poder entre grupos tradicionais. Há, ainda, uma questão que não pode ser ignorada: a concentração de forças políticas somente terá legitimidade duradoura se produzir resultados concretos para a população. Desenvolvimento econômico, educação, segurança hídrica e redução das desigualdades precisam deixar de ser promessas eleitorais para se transformar em prioridades de governo.

Alagoas não precisa apenas de uma nova composição de poder. Precisa de uma nova maneira de exercer o poder. A grande incógnita não é saber quem estará mais forte, mas quem continuará forte depois que os interesses, as vaidades e as conveniências começarem a cobrar suas respectivas faturas.

Porque, por aqui, o claro não é necessariamente transparente. E o previsto, muitas vezes, cai antes mesmo de ser tratado como previsão.

Wadson Regis

Wadson Regis

Sobre

Jornalista profissional, formado pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), é editor-geral do AL1.

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