A morte anunciada de um paraíso
A Costa dos Corais, entre Alagoas e Pernambuco, recebeu a classificação de “Criticamente em Perigo”, a categoria mais grave da lista vermelha de ecossistemas da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), divulgada durante a COP17 da Biodiversidade. É um aviso sobre o risco de colapso de um dos maiores patrimônios naturais do Nordeste.
Em Alagoas, já sofremos com a falta de água, nas secas, e com o excesso, nas enchentes. Agora, assistimos à destruição silenciosa dos recifes que sustentam a vida marinha, a pesca artesanal, milhares de empregos e o turismo.
O aquecimento dos oceanos é uma ameaça central. Mas o turismo desordenado, o esgoto, a poluição, a sobrepesca e a ocupação irregular do litoral agravam a tragédia. Não estou falando de um patrimônio qualquer, mas da região que abriga a maior unidade de conservação marinha federal do Brasil, responsável por encantar turistas em Maragogi, Japaratinga, São Miguel dos Milagres, Porto de Pedras, Passo de Camaragibe e Paripueira. Um verdadeiro tesouro ambiental que ajuda a movimentar a economia de Alagoas.
Sem corais, não há piscinas naturais como conhecemos. Sem preservação, não há turismo sustentável. E sem decisões políticas, não haverá futuro para esse patrimônio. A ciência já fez sua parte. A COP17 amplificou o alerta. Falta o poder público agir com a urgência necessária.
O governador eleito, JHC, que já assumiu compromissos com a segurança hídrica, tem, agora, outra missão histórica: colocar a proteção da Costa dos Corais entre as prioridades do próximo governo. Água para o povo, proteção contra enchentes e preservação da vida marinha precisam integrar uma mesma política de desenvolvimento.
A COP17 fez o alerta. A ciência apresentou as evidências. Agora, cabe à política decidir se vai salvar os corais ou administrar seu desaparecimento. Porque, quando a omissão se torna rotina, a impunidade vira política de Estado.
Alagoas não pode continuar assistindo à destruição de suas riquezas naturais enquanto governos se sucedem, responsabilidades se diluem e soluções são adiadas. A omissão também mata! O alerta é internacional.
E fica a advertência: Crime sem castigo significa aperto de mãos.