A resposta dos americanos que não chegou ao Brasil
Donald Trump foi politicamente abatido pelas urnas americanas. A derrota dos republicanos nas eleições legislativas representou mais do que uma vitória dos democratas: foi uma resposta – do povo - às políticas adotadas pelo presidente desde seu retorno à Casa Branca.
Desconsiderando as particularidades da guerra contra o Irã, as principais causas apontadas pela imprensa americana apresentam semelhanças com problemas enfrentados pelo Brasil: custo de vida, dificuldades econômicas, denúncias de corrupção, questionamentos sobre a ética governamental e preocupações com a concentração de poder.
Nos EUA, o bolso falou mais alto que o discurso. A economia apareceu como uma das principais explicações para a derrota republicana. Pesquisas destacaram a preocupação dos eleitores com o custo de vida e a responsabilização do governo pela persistência dos preços elevados. As tarifas comerciais, apresentadas por Trump como instrumentos de proteção da economia americana, também passaram a ser associadas ao encarecimento de produtos e à pressão sobre o orçamento das famílias. A promessa de prosperidade encontrou a resistência da realidade.
E o Brasil? LÍDER MUNDIAL, com o maior juro real do mundo, e LÍDER MUNDIAL em corrupção na política e no judiciário, envolvendo o Governo Federal e a principal Corte do país, a resposta das urnas brasileiras não foi a mesma das urnas americanas. Aqui, convivemos com juros elevados, perda do poder de compra e sucessivas denúncias e controvérsias envolvendo agentes públicos, inclusive no governo federal e na mais alta Corte de Justiça do país. Apesar desse cenário, as urnas brasileiras deram uma resposta diferente.
Eis a questão: por que problemas semelhantes produziram resultados políticos distintos? Talvez a resposta esteja numa das maiores fragilidades da democracia brasileira: a substituição do julgamento dos resultados pela fidelidade às lideranças. Aqui, frequentemente, o erro do adversário é imperdoável, enquanto o erro do aliado encontra justificativas. Não existe democracia madura quando a indignação tem preferência partidária. Muito menos quando a corrupção assume a responsabilidade pelo controle do sistema.
É verdade que a oposição brasileira também precisa responder por sua incapacidade de conquistar a maioria. Afinal, a permanência de um governo pode decorrer tanto de seus méritos quanto da fragilidade das alternativas apresentadas. Os porquês talvez não estejam guardados em lugar desconhecido. Talvez estejam diante dos nossos olhos.