Menos euforia, mais método: o novo perfil do investidor brasileiro
Por Manoela Arashiro
Quando comecei a trabalhar com investimentos internacionais, o mercado brasileiro ainda era movido por expectativa e velocidade. Ganhar rápido era sinônimo de inteligência e assumir risco era tratado como demonstração de coragem. Hoje, esse cenário não apenas mudou, ele revelou uma nova lógica: o patrimônio do futuro depende menos da sorte e mais da estratégia.
Os números confirmam essa virada. Segundo a ANBIMA, a procura por produtos estruturados cresceu mais de 20% entre 2023 e 2024, enquanto o private credit e o real estate ganharam protagonismo por oferecer fluxo constante, lastro real e previsibilidade. A saída do investidor brasileiro não é mais o atalho, é o planejamento. Amadureceu a visão sobre sucessão, tributação e proteção patrimonial e cresceu a compreensão de que construir riqueza é um ato de gestão, não de aposta.
A busca por estabilidade deixou de ser confundida com medo. Tornou-se escolha consciente. O investidor não quer adrenalina, quer consistência. Esse comportamento reforça uma mudança cultural profunda: o Brasil aprendeu que estabilidade não significa imobilidade. É justamente ela que abre espaço para decisões mais sólidas, visão de longo prazo e criação de ativos capazes de resistir aos ciclos econômicos.
O real estate comercial nos Estados Unidos é um exemplo concreto dessa mudança. A estrutura de investimento neste mercado via private credit oferece previsibilidade, diluição de risco e segurança jurídica, permitindo ao investidor participar de modelos regulados e lastreados em ativos reais. Nesse contexto, a internacionalização do capital deixou de ser fuga, passou a representar estratégia de proteção, diversificação e sofisticação.
O comportamento do investidor brasileiro revela um novo paradigma. Ele não pergunta quanto pode ganhar em um mês, ele quer saber como estará seu patrimônio em cinco anos. Essa mudança não empobrece o investimento, ao contrário, o qualifica. O futuro das finanças não será impulsionado pela emoção, e sim construído por planejamento, maturidade e estratégia.
*Especialista em investimentos internacionais e produtos estruturados, com quase 30 anos de carreira. Iniciou sua trajetória no Banco Garantia, embrião da 3G, e passou por instituições como Credit Suisse, Merrill Lynch e Salomon Smith Barney, liderando operações de M&A, captações internacionais e IPOs de grandes empresas brasileiras. Desde 2016 é Managing Director da Confidas no Brasil e fundadora da Confidas Management, nas Ilhas Cayman, além de integrar a direção da Confidas Capital SPC e da Dwight International SPC. Atua com private credit para real estate comercial nos Estados Unidos, estruturando notas e operações lastreadas em imóveis com risco reduzido e retorno.
Fonte: Assessoria