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A banalização da política brasileira

Júlio César Cardoso

A política brasileira tornou-se um dos ambientes mais degradantes da vida pública — mais suja que um pau de galinheiro. Quando vemos, por exemplo, o senador Izalci Lucas (PL-DF) em palanque ao lado do ex-governador do DF, José Roberto Arruda — condenado por corrupção — e da senhora Michelle Bolsonaro — oportunista em busca de cabide de emprego político e porta-voz do ex-presidente Jair Bolsonaro — fica evidente que a política nacional atingiu seu nível mais deprimente.

Por que o senador não buscou a reeleição ao ceder espaço à ex-primeira-dama, uma figura sem propostas? Quanto ao senhor Arruda, é inaceitável que a legislação eleitoral e penal brasileira — que o senador e demais parlamentares não se empenham em aprimorar — continue falha e leniente com políticos corruptos. 

Um personagem como Arruda deveria estar banido da vida pública há muito tempo. O país precisa adotar tolerância zero contra políticos indecorosos e corruptos. Condenados deveriam ficar inelegíveis de forma definitiva, em respeito à moralidade pública e ao eleitor. A inelegibilidade transitória não apaga a mácula de quem carece de ética e moral.

O Brasil precisa moralizar seus procedimentos, deixando como legado aos jovens — futuros dirigentes da nação — um sistema político íntegro. Mas o que esperar de uma política conduzida por representantes fracos e despreparados? Veja o exemplo do senador Flávio Bolsonaro, candidato ao Planalto: um autêntico “poste”, sem projetos relevantes, sem qualquer trabalho de sua autoria aprovado no Senado, sustentado apenas pelo nome do pai. Outro exemplo é Michelle Bolsonaro, cuja candidatura ao Senado é lamentável: sem formação política ou cultural, sem trajetória pública que a credencie, apresenta como único atributo ser esposa de Jair Bolsonaro.

O que se espera de um representante público é um conjunto mínimo de atributos: sólida formação educacional, reputação ética e moral ilibada, vivência política e compromisso com a sociedade. Esses requisitos estão ausentes no currículo da ex-primeira-dama. Sua candidatura simboliza a banalização da política e a redução do Senado a palco de interesses pessoais.

O eleitor nacional do precisa ter juízo ao escolher seus representantes.