Estudante da Ufal recebe bolsa para intercâmbio no Japão
Por Lucas Nascimento
O futuro da educação é a transculturalidade: Lucas Batista, aluno de Jornalismo na Universidade Federal de Alagoas (Ufal), sabe disso melhor do que ninguém. O estudante alagoano conseguiu uma bolsa de mobilidade internacional para estudar no Japão, por meio da Assessoria de Intercâmbio Internacional (ASI) da Ufal. A assessoria é um setor da universidade que busca promover intercâmbios para docentes e discentes. O objetivo é desenvolver um ensino mais inclusivo e que abranja culturas diversas, ultrapassando as barreiras geográficas para desenvolver uma dinâmica de troca entre nações.
Essa oportunidade veio de um desejo antigo da Rede Nordeste (Rene) da Associação dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), da qual Josealdo Tonholo, reitor da Ufal, participa. A organização entendeu a necessidade de ampliar a vivência dos universitários. Nesse sentido, após negociações, foi decidido que a Universidade Federal de Alagoas seria a primeira instituição nordestina de ensino público superior a enviar um aluno para um período de intercâmbio no Japão e, em troca, a universidade estaria disposta a receber estudantes japoneses.
‘’O aprendizado nunca deve ser restritivo em nenhum aspecto, mas, principalmente nos tempos atuais, é preciso entender que o que os alunos e alunas estudam, criam e aprimoram serve para o mundo.’’ disse o Niraldo Farias, professor e assessor de intercâmbio internacional da Ufal, ‘’Eles não estão se formando com base apenas no que Maceió, Alagoas, nordeste ou, até mesmo, o Brasil tem a oferecer. Eles estão se formando para serem profissionais globais, cidadãos e cidadãs do mundo. É por isso que defendemos a importância de internacionalizar a universidade.”, explicou o professor.
Lucas Batista foi o primeiro estudante a ser selecionado para uma bolsa de estudos nessa condição. A adesão dessa dinâmica intercontinental só foi possível por conta da ASI Ufal, que tratou dos trâmites e se intermediou o contato, e do reitor da Ufal, Josealdo Tonholo. Já que, como representante da Rene, Tonholo insistiu que a mobilidade acadêmica – um dos principais motivos pelo qual a rede se formou – se tornasse a prioridade das reuniões e lutou para que o acordo fosse realizado.
De Alagoas para o mundo
Lucas também foi pioneiro em outro aspecto: ele se consagrou como o único discente alagoano a realizar um intercâmbio no Japão. Na ocasião, o estudante se inscreveu para a bolsa por meio do edital postado no endereço digital da Assessoria de Intercâmbio Internacional da Ufal. O resultado chegou com uma notícia maravilhosa: ele havia sido selecionado para estudar na Universidade de Soka por um ano.
Lucas viveu um misto de tudo: euforia, ansiedade, medo, felicidade e pressa. Ele contou que precisou providenciar diversos documentos para embarcar: passaporte, visto de estudante, exames médicos e muito mais, cada um dentro de parâmetros específicos, como o idioma. Nesse contexto, o jornalista destacou a importância dos cursos de línguas estrangeiras, que tiveram um papel fundamental para que ele fosse aceito no programa: ‘’Enviei um certificado de nível de inglês (..) Tinha feito um curso de japonês pela pela Rene Andifes (...) Quem é aluno da Ufal pode estudar, pode fazer alguns cursos de idiomas, né? E eu tinha feito esse de japonês e enviei [também].’’
Batista sempre citou a correria desse processo, além da ansiedade por estar se deslocando para outro país, mas valeu a pena: meses depois, ele entrou em um avião pela primeira vez, pronto para viajar até o outro lado do mundo em nome do ensino superior.
Bolsa integral
Lucas relatou que ‘sentiria falta da família e dos amigos’, além de salientar o desafio de se mudar, mesmo que temporariamente, para um novo continente, uma nova universidade, um novo tudo. Entretanto, ele recebeu apoio dos familiares e dos colegas, que sempre torceram por ele e não cansavam de repetir: ‘essa oportunidade vai mudar a sua vida’.
A Assessoria de Intercâmbio Internacional ofereceu apoio em diferentes vertentes. O chefe Niraldo Farias, a coordenadora Manuela Callou, a tradutora Nayara Gomes e os bolsistas Arthur Vinícius; Dayanne Amaral; Emanuelle Bento; João Lins; João Lobo; Jaqueline Cândido; Karen Marques e Layla Alves estiveram disponíveis para auxiliar em qualquer tipo de dúvida, ajuste ou problema que pudesse acontecer.
Ademais, o assessor internacional Niraldo, junto ao reitor da universidade, aprovou um auxílio financeiro de R$5.000,00 para arcar com os custos do aluno selecionado. Já o edital cobriu os custos da acomodação no dormitório de Soka, passagem aérea e forneceu uma bolsa mensal de 80 mil ienes (moeda do Japão), o que equivale a cerca de 2.800 reais.
Atenção: nordestino achado no Japão
‘’Eu acordo, como, tomo banho, me preparo, vou para a minha aula de japonês.’’ Batista detalha a sua nova rotina, ‘’Depois das aulas, eu saio com os meus amigos ou para algum lugar. Às vezes, a gente fica jogando videogame ou vai algum lugar algum, tipo, muito específico. (...) Um lugar que aparece em alguma animação, algum anime. Ou só sai para andar mesmo para ver como é a cidade não só Tokio, mas os arredores [daqui]. Já fui à Nagoia. [Quando] eu volto [ao dormitório], continuo estudando japonês e à noite eu ligo pra minha família, que quando aqui é noite, aí é dia, né? Tem diferença de 12 horas.’’
Durante a entrevista, Lucas apontou que sempre gostou da cultura japonesa - e isso só aumentou seu desejo em participar do intercâmbio. Agora, além de admirar, ele também consegue vivenciar, junto aos novos amigos, o que antes só assistia na televisão: ‘’A gente só sai para procurar coisas de anime assim, tipo, mangá, jogo, jogo antigo de videogame, figuras, bonequinhos.’’
Porém, se engana quem pensa que Batista só descansa e aproveita o turismo: a educação intercultural é a parte principal do semestre do estudante na Universidade de Soka. Além do curso mandatório de japonês, ele também teve a possibilidade de estudar outras disciplinas.
‘’Eu me interessei por marketing. Marketing tem a ver com jornalismo, mas eu fiz marketing aqui. E Sustainable business. Estou cursando agora International Trader.’’ Lucas retifica que, apesar dos nomes, os cursos são ministrados em Japonês e que não é possível se virar apenas com inglês, aprender a língua oficial é indispensável. ‘’Cursei matéria de Kanji, que é uma das escritas do japonês, um dos ‘’alfabetos’’, entre aspas. Ah, aula de redação em japonês, aula de listening, escuta em japonês. Agora, eu tô cursando japonês nível N3. Os níveis japonês vão do N5 ao N1, é voltando. N é o básico, vai até o N1. Tô no N3.’’ disse.
A internacionalização da Ufal
‘’A ida de Lucas é somente o começo,’’ afirmou a professora Manuela Callou, coordenadora de projetos internacionais da ASI, ‘’Já temos planos para o futuro, mais oportunidades para os nossos excelentíssimos estudantes. Porque é disso que os alunos e alunas da universidade pública precisam: oportunidades. O talento já é nosso, queremos aprimorá-lo e difundi-lo mundialmente.’’, disse a professora.
Na ASI, o intercâmbio não é apenas um sonho: é um objetivo a ser alcançado. Fique de olho na página e no instagram da Assessoria de Intercâmbio Internacional da Ufal para mais oportunidades como essa. Quem sabe você não é o (a) próximo (a)?