Projeção da Selic a 12% em 2026 agrada grandes investidores, mas crédito ainda sufoca micro e pequenas empresas
A perspectiva de que a taxa Selic encerre 2026 no patamar de 12% ao ano gera reações opostas na economia brasileira. De um lado, o governo e o mercado de capitais recebem o dado como um sinal de controle inflacionário. Do outro, os donos de micro e pequenas empresas continuam com dificuldades para manter o fluxo de caixa, enfrentando juros bancários que não acompanham a queda da taxa básica. Dados do ‘Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian’ referentes ao fechamento de 2025 mostram que o Brasil atingiu a marca de 8,9 milhões de empresas inadimplentes, sendo que 8,5 milhões delas são micro e pequenos negócios. Juntas, essas empresas acumulam um volume de dívidas superior a R$ 213 bilhões.
O cenário exige uma leitura separada entre os grandes e os pequenos agentes econômicos e, a sinalização de uma Selic a 12% indica maior previsibilidade macroeconômica. "Os primeiros beneficiados pela redução da Selic são o próprio sistema financeiro, que passa a captar recursos com custo menor, além do setor de construção civil e das grandes empresas com dívidas atreladas à taxa. O mercado interpreta isso como prudência no combate à inflação, o que estimula a economia sem gerar solavancos", analisa Laís Requena, professora de Economia da EAD UniCesumar.
Contudo, esse otimismo não chega ao caixa dos pequenos negócios. A Selic norteia a economia, mas o custo final do empréstimo na ponta é determinado em grande parte pela margem financeira, que absorve as despesas administrativas, o lucro dos bancos e a expectativa de calote.
"Como as pequenas empresas apresentam maior risco de inadimplência e oferecem menos garantias reais, as instituições financeiras mantêm as taxas elevadas mesmo quando a Selic cai. Na prática, a operação do pequeno negócio fica comprometida já que o capital de giro continua caro, a reposição de estoque é dificultada e a expansão é adiada. O resultado direto dessa restrição é o aumento do endividamento. Sem acesso a linhas viáveis, muitos empreendedores cortam custos para equilibrar as contas ou recorrem a alternativas agressivas, como cheque especial ou crédito rotativo, o que agrava a saúde financeira do negócio", explica Requena.
Barreiras estruturais além da taxa de juros
A dificuldade de acesso ao crédito para as PMEs não se limita ao risco de inadimplência. Fatores estruturais, como a forte concentração bancária que reduz a concorrência, o alto custo para os bancos avaliarem operações de valores menores, a exigência de garantias imobiliárias e a burocracia, mantêm o dinheiro caro para a base da pirâmide empresarial.
“O país precisa ir além da política monetária e aprimorar iniciativas já existentes, como o PRONAMPE e as linhas do BNDES. O barateamento real do crédito depende de fatores como o aumento da concorrência bancária por meio da entrada de novos players digitais e a consolidação do Open Finance para o compartilhamento de dados de avaliação de risco. A utilização de inteligência artificial em sistemas de pontuação de crédito adaptados a pequenos negócios e a criação de garantias mobiliárias mais eficientes ajudariam a reduzir o risco jurídico e financeiro da operação", conclui a professora da UniCesumar.
Sobre a UniCesumar
Com mais de 35 anos no mercado educacional e desde 2022 como uma das marcas integradas ao grupo Vitru Educação, a UniCesumar conta com uma comunidade de cerca de 500 mil alunos. Atualmente, possui uma robusta estrutura de Educação a Distância (EAD), com mais de 1,3 mil polos espalhados por todas as regiões do país, além de três unidades internacionais, localizadas em Dubai (Emirados Árabes) e Genebra (Suíça).
No ensino presencial, destaca-se o curso de Medicina, oferecido nos campus de Maringá (PR) e Corumbá (MS), juntamente a outros três campi, localizados em Curitiba, Londrina e Ponta Grossa (PR). Como um dos dez maiores grupos educacionais privados do Brasil, a UniCesumar oferece portfólio diversificado, com 350 cursos, abrangendo graduação, pós-graduação, técnicos, profissionalizantes, mestrado e doutorado. Sua missão é promover o acesso à educação de qualidade e contribuir para o desenvolvimento pessoal e profissional de seus alunos, preparando-os para os desafios do mercado de trabalho.
Ascom UniCesumar