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Nova rede de cuidado em saúde vai atender trans, travestis e não binárias

| Assessoria

Por Ryan Charles (*)

Nova rede de cuidado em saúde da Ufal começa a funcionar na segunda-feira (27)O Núcleo de Bioética, Educação e Ensino na Saúde (NBEES) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) lança, na segunda-feira (27), a Rede Saúde Trans Ufal, iniciativa voltada, inicialmente, para estudantes trans, travestis e pessoas não binárias da instituição. Os atendimentos serão realizados no Centro de Formação e Inclusão Social (INAÊ), localizado no Village Campestre II, às segundas, quartas e sextas-feiras, mediante agendamento prévio por meio do aplicativo disponível aqui.

Além do NBEES, a ação é desenvolvida pela Faculdade de Medicina (Famed/Ufal) e pelo Grupo de Aprendizagem Tutorial 9 (GAT 9) do PET-Saúde: Informação e Saúde Digital. A rede integra a Unidade Docente Assistencial Professor Gilberto de Macedo (UDA/Ufal), o Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (HUPAA/Ufal) e o Centro de Formação e Inclusão Social (INAÊ).

A proposta reúne serviços de acolhimento, orientação e assistência à saúde de forma integrada, humanizada e segura, fortalecendo as ações de permanência estudantil e de formação na área da saúde. A iniciativa organiza esse percurso de cuidado, permitindo que os usuários sejam acompanhados desde o acolhimento inicial até os encaminhamentos para serviços especializados, quando necessário.

De acordo com Waldemar Neves, professor da Famed e coordenador do NBEES, neste primeiro momento, os atendimentos serão destinados à comunidade estudantil da Ufal, com perspectiva de expansão. “Vamos compreender a demanda existente na Universidade para, futuramente, ampliar o atendimento à população dos sexto e sétimo distritos sanitários e, posteriormente, ao público externo. Essa equipe inicial é constituída por enfermeiro, psicólogo, assistente social, médico ou médica clínica/endocrinologista, e também o atendimento com psiquiatra”, destacou.

O professor ressaltou que o lançamento representa um marco por integrar assistência, ensino e formação profissional em uma mesma iniciativa, contribuindo para ampliar o acesso à saúde e fortalecer o respeito à diversidade e à identidade de gênero no ambiente universitário. “Esse processo que estamos fazendo aqui é um marco extremamente significativo e importante para que consigamos atender essas pessoas com dignidade, respeito e qualidade, e também formar profissionais da saúde mais éticos e mais comprometidos em respeitar a diversidade e a identidade de gênero de pessoas que são vítimas de transfobia ao longo de toda uma vida”, comemorou.

Formação e assistência

Além da assistência à saúde, a rede também tem como objetivo contribuir para a formação dos futuros profissionais da área. Segundo o coordenador, estudantes da Faculdade de Medicina e residentes participarão dos atendimentos sob supervisão da equipe responsável. Antes do início das atividades, todos os envolvidos passaram por processos de qualificação, incluindo profissionais da saúde, recepcionistas, trabalhadores dos serviços gerais e equipes de segurança. "A gente precisa primeiro formar profissionais que tenham e que conheçam e que saibam respeitar as individualidades humanas, saibam respeitar os corpos das pessoas trans e a vulnerabilidade dessas pessoas dentro dos serviços públicos de saúde", destacou.

Para o coordenador, a rede também fortalece as políticas de permanência da Universidade, ao oferecer espaço de acolhimento e cuidado voltado à população trans. "Não adianta a gente somente incluir dentro do nosso espaço. A gente precisa dar condições de permanência para essas pessoas terem acesso digno, não somente à educação, mas principalmente acesso à saúde", finalizou.

(*) Estudante de Jornalismo