Professor da Ufal Fábio Lins vence Prêmio Jabuti Acadêmico 2026
Manuella Soares
Um encontro improvável entre poesia e burocracia levou o professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) Fábio Lins ao topo de uma das mais importantes premiações acadêmicas do país. Com uma pesquisa que revela a trajetória de Carlos Drummond de Andrade como servidor público e investiga os reflexos dessa experiência em sua produção literária, o docente da Faculdade de Direito de Alagoas (FDA) conquistou o Prêmio Jabuti Acadêmico 2026, na categoria Administração Pública e de Empresas, Ciências Contábeis e Turismo.
O anúncio foi feito na noite desta terça-feira (11), durante cerimônia realizada no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. Nesta edição, o Jabuti Acadêmico recebeu 2.085 obras inscritas em 27 categorias, reunindo parte significativa da produção científica, técnica e profissional publicada no Brasil.
“Ainda estou nas nuvens. Sinto-me extremamente feliz e emocionado com o prêmio que me foi concedido, pois representa muita coisa que considero essencial: é o reconhecimento de mais de 20 anos dedicados à pesquisa acadêmica, é a comprovação de que vale a pena trilhar caminhos inovadores, é a demonstração da qualidade da ciência produzida em Alagoas”, comemorou.
O professor destacou também que a premiação contribui para valorizar personagens que exerceram funções públicas e reforça a importância de divulgar esse aspecto de suas trajetórias. “É a valorização do servidor público retratado em minhas obras, é uma oportunidade ímpar de divulgação do legado de grandes personalidades brasileiras e mundiais que se dedicaram ao interesse coletivo e é um grande estímulo para novas pesquisas", reforçou.
Drummond para além da poesia
Na obra premiada, Fábio Lins lança um olhar sobre uma dimensão menos conhecida da vida de Carlos Drummond de Andrade. Além de ocupar lugar central na literatura brasileira, o poeta teve uma longa trajetória como servidor público federal. O livro investiga justamente como essa experiência dentro da estrutura do Estado dialogou com sua vida e sua produção literária.
A pesquisa integra uma trajetória construída pelo professor a partir da aproximação entre o Direito Administrativo e outras áreas do conhecimento. Fábio contou que seus estudos mais recentes utilizam duas abordagens que considera fundamentais: o espelhamento biográfico e a interdisciplinaridade.
A escolha de Drummond também reforça uma linha de investigação dedicada a revelar a atuação de grandes nomes da cultura brasileira como servidores públicos. “Assim como no ano passado, quando fui finalista com o livro Machado de Assis e a administração pública, este ano, novamente, um livro meu que analisa o legado de um grande servidor público, que foi o poeta Carlos Drummond de Andrade, foi selecionado. Isto também representa a redenção dos servidores públicos no Brasil, que tanto têm sido desvalorizados”, afirmou o professor durante a etapa de semifinalistas.
Segunda indicação e primeiro troféu
Esta é a segunda vez consecutiva que Fábio Lins se destaca no Jabuti Acadêmico. Em 2025, o professor chegou à final da premiação com o livro Machado de Assis e a administração pública. Em 2026, avançou novamente entre os selecionados e, desta vez, conquistou o primeiro lugar com a pesquisa dedicada a Drummond.
A Editora Fórum, responsável pela publicação da obra, também comemorou a conquista. “Nosso orgulho é imenso! Uma conquista que celebra uma trajetória de pesquisa original, que aproxima literatura, Direito e Administração Pública para lançar novos olhares sobre a vida. Parabéns, professor Fábio!”, destacou a editora em suas redes sociais.
Criado em 2024 pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), o Prêmio Jabuti Acadêmico reconhece trabalhos de destaque nas áreas científica, técnica e profissional. A iniciativa conta com apoio da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Os vencedores recebem uma estatueta do Jabuti e prêmio de R$ 5 mil, enquanto as editoras responsáveis pelas obras premiadas também recebem a estatueta.
Egresso da Ufal também levou prêmio
A edição de 2026 também teve outro alagoano entre os vencedores. O sociólogo Fillipi Nascimento, graduado em Ciências Sociais e mestre em Sociologia pela Ufal, venceu na categoria Economia, ao lado do economista Michael França, com o livro A loteria do nascimento: filha do porteiro termina universidade, mas não alcança filho do rico.