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Da receita ao bem-estar: farmácias se transformaram em espaços de autocuidado

Mix de produtos nesses estabelecimentos está cada vez mais variado; números apontam para o crescimento das vendas de itens não medicamentosos

Quem entra em uma farmácia hoje nem sempre está em busca de um medicamento. Cremes, protetores solares, vitaminas, suplementos alimentares, produtos de higiene pessoal, dermocosméticos e itens de cuidados infantis passaram a dividir espaço nas prateleiras com os tradicionais remédios. A mudança acompanha uma transformação no próprio comportamento do consumidor e no conceito de cuidado com a saúde, que agora foca muito no bem-estar.

Os números ajudam a dimensionar essa transformação. Dados da Junta Comercial de Alagoas (Juceal) apontam para a abertura, somente em 2026, de 113 farmácias no estado. Um sinal de que o setor vem conquistando cada vez mais a clientela.

Para se ter uma ideia, uma pesquisa sobre o comportamento do consumidor em farmácias, realizada pelo Instituto Febrafar de Pesquisa e Educação Corporativa (Ifepec), em parceria com a Unicamp, identificou a crescente importância das categorias não medicamentosas, apontando que, em 2024, 30,2% da cesta de compras dos consumidores nas farmácias já era formada por produtos que não são medicamentos.

Entre os segmentos que mais avançam estão os produtos de higiene, beleza e cuidados pessoais. Outra pesquisa encomendada pela Associação Brasileira dos Distribuidores Farmacêuticos (Abafarma) mostra que os produtos não medicamentosos representaram 9% dos R$ 241,6 bilhões faturados pelo varejo farmacêutico brasileiro em 2025.

Mais do que uma mudança no mix de produtos, esse movimento revela uma transformação na maneira como o brasileiro enxerga a própria saúde. A farmácia passou a ocupar um lugar entre a necessidade e o desejo de cuidar de si, reunindo em um mesmo ambiente soluções para beleza, higiene, prevenção, nutrição e bem-estar.

Para Paulo César, gerente de vendas da Meta Distribuidor, empresa do Grupo Andrade, hoje muitos consumidores que entram em uma farmácia para comprar chegam procurando produtos específicos, influenciados pelas redes sociais como Instagram e Tik Tok. Mas nada impede que ele leve outro item que não havia previsto para casa. Para que isso aconteça, os estabelecimentos adotam estratégias que chamam a atenção desse cliente.

“Ele chega na farmácia procurando um produto específico, mas não significa que vai levar só ele. No estabelecimento, nós adotamos estratégias como cestões de ofertas, pontos extras e disponibilidade de visibilidade para que possamos agregar cada vez mais nas vendas”, afirma Paulo César.

Para o varejo, a tendência representa uma oportunidade de ampliar a relação com o consumidor, aumentando consideravelmente o mix de produtos ofertados; para quem compra, significa encontrar cada vez mais opções de autocuidado em um espaço que, tradicionalmente associado ao tratamento de doenças, agora também se apresenta como aliado na construção de uma rotina mais saudável.

A proprietária da rede de farmácias Drogalima, Manasha Vilela, conta que os estabelecimentos procuram, a cada dia, se adequar mais e mais aos desejos e necessidades dos consumidores. “O consumidor não entra só para comprar um medicamento, a farmácia passou a ser um lugar que ele frequenta no dia a dia. Ele vem em busca de outros produtos de higiene e beleza, dermocosméticos, suplementação e vitaminas e a gente procura cada dia mais se adequar a essas necessidades dos nossos consumidores”, conclui.

Fonte: Assessoria