Deputada do PL pede inclusão no SUS de remédio que reduz retorno do câncer de mama
Rosana Valle oficiou Ministério da Saúde para que ribociclibe seja oferecido pela rede pública para mulheres com alto risco de recorrência da doença e pacientes em fase inicial de tratamento
Na contramão de parecer preliminar da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), a deputada federal Rosana Valle (PL-SP) pediu ao Ministério da Saúde a incorporação do ribociclibe ao Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento de mulheres com câncer de mama inicial (linfonodo positivo). O colegiado defende o acesso do fármaco na rede pública apenas para pacientes com maior risco de recorrência.
A liberal oficializou sua solicitação na Câmara dos Deputados, em Brasília-DF, no último dia da consulta pública 61/2026 da Conitec - aberta justamente para discutir o oferecimento gratuito do medicamento de alto custo. Em primeira avaliação, a incorporação do ribociclibe para mais um público - recidiva, além de tumor em fase inicial - foi afastada, o que, segundo Rosana, é um erro.
Conhecido pelo nome comercial de Kisqali e já com registro no Brasil, o ribociclibe é recomendado para o tratamento do câncer de mama avançado, metastático ou precoce com alto risco de recorrência, do tipo receptor hormonal positivo (RH+) e HER2 negativo. Sua composição bloqueia as proteínas CDK4/6 que participam do processo de multiplicação das células cancerígenas. Associado à terapia hormonal, o remédio reduz o risco de o câncer voltar.
A consulta pública recebeu contribuições da sociedade antes da decisão final da Conitec. Neste cenário, a deputada do PL requereu que o Ministério da Saúde inclua o ribociclibe no SUS como uma nova alternativa de terapia às mulheres que estão em fase inicial no combate ao tumor de mama, sem substituir os tratamentos já disponíveis, permitindo, assim, que os médicos definam a opção mais adequada para cada paciente:
“No Brasil, tratamento moderno é privilégio de quem pode pagar. Isso precisa mudar. Uma mulher que já enfrentou o câncer não pode continuar convivendo com o medo de a doença voltar, sem ter acesso às alternativas que a Medicina já oferece. Ao mesmo tempo, não se pode sonegar o acesso a um novo remédio, comprovadamente eficaz, para quem está em início de cuidados médicos. Se existe uma opção, ela precisa ser analisada pelo SUS com rigor, mas, também, com urgência”, alerta Rosana, que cumpre segundo mandato no Congresso Nacional e é presidente da Executiva Estadual do PL Mulher de São Paulo.
No Brasil, o ribociclibe tem preço entre R$ 6.380 a R$ 28.758, por embalagem, dependendo da quantidade de comprimidos na caixa (21, 42 ou 63 unidades de 200 mg) e dos tributos estaduais. Como a dose diária usual exige uso contínuo, o custo mensal total da terapia costuma ultrapassar amplamente os R$ 15 mil.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar 78,6 mil novos casos de tumor de mama por ano entre 2026 e 2028. Diante destes números, a incorporação do ribociclibe no SUS também pode ter impacto positivo nas contas públicas. Estudo apresentado à Conitec estima uma economia de até R$ 49,4 milhões à rede pública de saúde em cinco anos.
Fonte: Assessoria