CNI e FIEA apresentam estudo para ampliar reuso de água na indústria em Alagoas
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (FIEA) apresentaram, durante o 7º Congresso de Engenharia das Alagoas (7º CEA), um estudo que propõe ampliar o uso de efluentes tratados como fonte de água para a indústria. A apresentação foi conduzida por Mário Cardoso, gerente de Recursos Naturais da CNI, e Júlio Zorzal, diretor de Tecnologia, Inovação e Sustentabilidade Industrial da FIEA.
O trabalho consolida estudos desenvolvidos pela CNI desde 2017 e apresenta uma metodologia atualizada para identificar onde o reuso de água pode ser técnica e economicamente viável. A publicação reúne análises realizadas entre 2017 e 2025 em nove estados brasileiros e na Região Metropolitana de São Paulo.
“Em vez de você despejar todo o esgoto tratado no curso d’água e a empresa ter que recorrer ao corpo d’água para captar a água necessária para as suas atividades, esse próprio esgoto tratado recebe um outro tratamento para se adequar à necessidade da empresa”, explicou Mário Cardoso.
Segundo ele, a metodologia considera, principalmente, a proximidade entre as estações de tratamento (ETE) e as indústrias, a quantidade de efluente disponível e a demanda das empresas. “Tem uma série de critérios que você analisa para ver se existe ou não a viabilidade”, afirmou.
O estudo representa uma evolução do trabalho iniciado há oito anos em parceria com O centro Internacional de Referência em Reúso de Água da Universidade de São Paulo (CIRRA/USP). “A gente vem fazendo esse trabalho desde 2017, são oito anos de desenvolvimento e aprendizado”, disse Cardoso. A nova publicação reúne os aperfeiçoamentos incorporados ao longo desse período e foi preparada para também ser aplicada em outros países da América do Sul.
Potencial de Alagoas
Em Alagoas, a análise identificou áreas com diferentes níveis de potencial para o reuso industrial. O estudo aponta, por exemplo, a Região de Tabuleiros do Sul, onde estão municípios como Teotônio Vilela, Coruripe e São Miguel dos Campos, como uma área de forte demanda industrial por água.
Teotônio Vilela aparece ainda em um dos estudos de caso da CNI. O levantamento avaliou uma estrutura capaz de produzir água de reuso para atendimento de atividades industriais. O investimento estimado no cenário analisado é de R$ 35,7 milhões.
Outro caso envolve o Polo Industrial José Aprígio Vilela, em Marechal Deodoro, com uma proposta de atendimento da demanda de água não potável do polo a partir de uma futura estação de tratamento de esgoto em Pilar.
Para Cardoso, porém, a identificação de uma oportunidade não significa que o projeto será automaticamente implantado. “Analisamos o potencial de reúso, sua viabilidade. Ainda temos que elaborar o projeto e buscar linhas de financiamento”, explicou.
Ele destacou ainda a importância de criar condições para que os projetos avancem. Segundo o gerente da CNI, a entidade trabalha também na busca por mecanismos de financiamento e conseguiu incluir o reúso entre as atividades financiadas pelo Fundo Nacional sobre Mudança do Clima ("Fundo Clima"), operado pelo BNDES.
A responsabilidade pela implantação, segundo Cardoso, envolve diferentes atores. “A partir da análise quanto à viabilidade, o poder público local e a empresa concessionária pelo serviço têm elementos para a tomada de decisão”, afirmou.
Trabalho é alinhado à estratégia da FIEA
Na avaliação de Júlio Zorzal, o estudo está alinhado às estratégias de sustentabilidade defendidas pela indústria alagoana. “A expectativa nossa é muito positiva porque ela conecta com a agenda de sustentabilidade da Federação, dentro da agenda de baixo carbono e recursos naturais”, afirmou.
Zorzal também destacou a possibilidade de o trabalho estimular investimentos no estado. “A expectativa nossa é que isso acaba mobilizando investimentos locais, inclusive nas políticas voltadas para o saneamento e também para reúso de efluentes aqui no estado.”
A metodologia da CNI utiliza o método ETE-Usuário e o Índice de Aptidão de Reúso (IAR) para apontar áreas com maior potencial. A proposta é oferecer informações que possam orientar empresas, gestores públicos e companhias de saneamento na elaboração de futuros projetos.
Para Cardoso, além de representar uma alternativa para a indústria, o reúso pode contribuir para reduzir a pressão sobre os mananciais e compor a estratégia para adaptação à mudança do clima. “Com a utilização de fontes alternativas de recursos hídricos, como o reúso, a indústria garante segurança hídrica para suas atividades e reduz os conflitos pela utilização de água a partir dos corpus d'água”, afirmou, ao citar a disputa pelo uso da água e os efeitos de eventos climáticos extremos.
A apresentação ocorreu durante o 7º CEA, realizado pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Alagoas (Crea-AL), no Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso, em Maceió. O congresso também marca os 70 anos do Clube de Engenharia de Alagoas.
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Ascom Sistema Fiea