Engenharia Química celebra 40 anos com festa e homenagens
Diana Monteiro
A celebração dos 40 anos do curso de Engenharia Química da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) representa um marco histórico para a educação, a ciência e o desenvolvimento industrial do Estado. O curso foi criado em 3 de setembro de 1986 e integra a estrutura do Centro de Tecnologia (CTEC), unidade acadêmica do Campus A.C. Simões. A graduação surgiu em um contexto de crescente necessidade de profissionais qualificados para atender às demandas da indústria alagoana, especialmente dos setores sucroalcooleiro e de cloro-soda, que tradicionalmente dependiam da contratação de engenheiros provenientes de outros estados.
“Na época, essas indústrias enfrentavam a necessidade de buscar profissionais especializados em outros estados para atender à demanda por engenheiros químicos”, destaca a professora Cristiane Holanda Sodré, integrante da equipe responsável pela data comemorativa e vice-coordenadora do curso, que tem na coordenação a professora Maritza Montoya Urbina, mestre e doutora em Engenharia Química.
Mestre e doutora na área de Controle de Processos, Cristiane enfatiza que a formação de engenheiros químicos em Alagoas contribuiu para aproximar a universidade do setor produtivo, fortalecer a mão de obra especializada e criar novas oportunidades para o desenvolvimento regional. A comemoração das quatro décadas do curso, segundo ela, também se constitui na celebração de uma oportunidade criada e voltada ao desenvolvimento da indústria local, regional e nacional, assim como no reconhecimento das contribuições realizadas no presente e na projeção de novos caminhos para o futuro.
“Mais do que uma comemoração institucional, essa data representa o reconhecimento de uma história de formação profissional e de contribuição para o desenvolvimento científico, tecnológico e industrial de Alagoas.”
A visível importância do curso de Engenharia Química da Ufal, alinhada à formação competente de recursos humanos nessa área e em consonância com a realidade local, começa pela própria evolução ao longo de sua existência. Aliada ao conhecimento e à ciência para variados campos de aprendizagem nas áreas de ensino, pesquisa e extensão, sua estrutura oferece laboratórios para atividades específicas, e as ações em parceria, no âmbito local e também nacional, projetam o curso no mundo científico.
Atualmente, o curso dispõe de uma estrutura bastante diversificada para o desenvolvimento das atividades. São laboratórios didáticos, além de oito laboratórios de pesquisas específicas que também dão suporte à graduação por meio do desenvolvimento de trabalhos de conclusão de curso (TCC), monitorias e bolsas de iniciação científica. Os laboratórios abrangem as áreas de Catálise, Modelagem, Simulação e Controle de Processos, Sistemas Inteligentes, Separação e Otimização de Processos, Tecnologia de Bebidas e Alimentos, Tecnologias Aplicadas e Fluidodinâmica. Além disso, o curso utiliza laboratórios de outras unidades acadêmicas da Ufal, como o Instituto de Física (IF) e o Instituto de Química e Biotecnologia (IQB), também pertencentes ao Campus.
Estão na estrutura da Engenharia Química: Laboratório de Ensino em Engenharia Química (Leeq); Laboratório de Síntese de Catalisadores (LSCat); Laboratório de Simulação e Controle de Processos (LaSiC); Laboratório de Sistemas Inteligentes Aplicados (LabSIA); Laboratório de Sistemas de Separação e Otimização de Processos (LaSSOP); Laboratório de Tecnologia de Bebidas e Alimentos (LTBA); Laboratório de Tecnologias Aplicadas (LATEC), além das estruturas vinculadas à área de Bioprocessos e Tecnologia de Alimentos/Coleção de Culturas Fúngicas e Microalgas, que aparecem na estrutura laboratorial do curso. Também integra a estrutura o Laboratório de Fluidodinâmica.
Quanto às atividades promovidas em parceria que marcam a projeção nacional da Engenharia Química da Ufal, destaca-se a inserção da graduação em redes nacionais de pesquisa e a parceria com instituições como Petrobras/Cenpes, ANP, CNPq e Finep.
De acordo com a professora Cristiane Sodré, as citadas redes permitiram a interação com pesquisadores e universidades de diferentes regiões do país, ampliando, dessa forma, a inserção nacional da pesquisa realizada em Alagoas. Ela cita também como destaque, no decorrer da evolução do curso, a aproximação com o setor produtivo, a exemplo da Braskem, Capes, Fapeal e empresas do setor sucroalcooleiro.
“Isso é particularmente significativo porque conecta a pesquisa acadêmica a problemas reais da indústria, criando oportunidades de iniciação científica, desenvolvimento tecnológico e formação de profissionais.”
E acrescenta: “A própria Ufal registra que essas parcerias fortaleceram linhas como energia e meio ambiente, biodiesel, catálise, modelagem e controle de processos e biotecnologia. Isso ocorreu no início dos anos 2000. Pesquisadores do curso participavam da Rede de Catálise Norte/Nordeste (Recat), da Rede de Pesquisa Cooperativa em Modelagem Computacional (RPCMod) e da Rede Brasileira de Tecnologia de Biodiesel (RBTB)”, enfatiza.
Cristiane Sodré destaca também parcerias com outras universidades, a exemplo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Estadual de Roraima (UERR), dentre tantas outras instituições, que também reforçam o avanço da Engenharia Química da Ufal em sua trajetória em prol da qualificação e otimização das atividades científicas.
“Essa vocação de pesquisa em rede continua. Em 2025, por exemplo, há projetos do curso financiados pelo CNPq em parceria com a UEMT e com instituição internacional, envolvendo biotecnologia, fungos filamentosos, microalgas e filmes biodegradáveis produzidos a partir de macroalgas".
Mais ações de qualificação
Na área de extensão, merece destaque a Proteq, Empresa Júnior de Engenharia Química e Engenharia Ambiental e Sanitária da Ufal. Formada por estudantes e orientada por professores da universidade, a empresa desenvolve projetos para empresas e para a sociedade, permitindo que os alunos tenham contato com problemas reais, desenvolvam soluções e adquiram experiência profissional ainda durante a graduação.
“Esse tipo de iniciativa é muito importante porque mostra que o curso não se limita à sala de aula e aos laboratórios. Ele estabelece uma relação concreta entre universidade, indústria e sociedade”, diz Cristiane, que aproveita para complementar: “A pesquisa produz conhecimento; o ensino forma profissionais; e a extensão leva esse conhecimento para fora dos muros da universidade.”
Consolidado como um curso de referência na formação e qualificação profissional, o curso também ampliou, ao longo de seu crescimento e evolução, a oferta de programas de pós-graduação. Atualmente, a Engenharia Química da Ufal está diretamente vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia Química (PPGEQ), com a oferta de Mestrado e Doutorado nessa área. O programa trabalha, principalmente, em duas linhas de pesquisa: Sistemas de Separação, Energia e Meio Ambiente e Processos Químicos, Biotecnológicos e Catalíticos.
“O programa tem uma forte relação com as demandas regionais. Suas pesquisas abrangem processos químicos e bioquímicos, energia, meio ambiente, catálise, biotecnologia, petróleo e gás e aplicações relacionadas aos setores sucroalcooleiro e petroquímico”, explica Sodré.
Ela acrescenta que, além do PPGEQ, docentes do curso atuam também em outros programas de pós-graduação da Ufal, a exemplo do Programa de Pós-Graduação em Materiais e do Programa de Pós-Graduação em Química e Biotecnologia, atualmente com Conceito 3 na Capes.
Dessa maneira, de acordo com a pesquisadora, os 40 anos do curso de Engenharia Química da Ufal constituem uma oportunidade para celebrar uma oportunidade criada e desenvolvida para a indústria local, regional e nacional, bem como reconhecer as contribuições realizadas no presente e projetar novos caminhos para o futuro.
“Mais do que uma comemoração institucional, essa data representa o reconhecimento de uma história de formação profissional e de contribuição para o desenvolvimento científico, tecnológico e industrial de Alagoas”.
E, nessa retrospectiva, faz um destaque: “São 40 anos formando engenheiros e engenheiras, produzindo conhecimento, desenvolvendo pesquisas, criando oportunidades e contribuindo para a indústria, para a ciência e para a sociedade. Por trás dessa história estão professores, técnicos, estudantes, egressos, pesquisadores, gestores e parceiros que, cada um à sua maneira, ajudou a construir e consolidar o curso".
Desafios, superação e construção coletiva
Ofertar à sociedade alagoana profissionais capazes de transformar processos, desenvolver tecnologias e contribuir para o crescimento local e do Brasil pautou o sonho que virou realidade, fruto de muito trabalho, abnegação, competência e dedicação no decorrer das quatro décadas do curso de Engenharia Química da Ufal. Um curso cuja criação também representou um marco na expansão do Centro de Tecnologia (CTEC), fortalecendo a formação de engenheiros e engenheiras no Estado e ampliando as possibilidades de desenvolvimento científico e tecnológico em Alagoas.
E, nesse decorrer, visando atender às necessidades e à demanda cada vez mais abrangente, estiveram à frente desse desafio os engenheiros químicos e professores Sérgio de Holanda Cavalcante, André Loureiro Montenegro, José Carlos Pereira e Pedro Carnaúba, que lideraram o processo de criação e implantação do curso na instituição alagoana. Restrições orçamentárias, assim como limitações na expansão das universidades federais, estiveram entre os desafios.
“Em razão das dificuldades enfrentadas pelo ensino superior brasileiro, o Governo Federal não autorizava o aumento do número total de vagas da Universidade Federal de Alagoas. Mas o crescimento do setor industrial, especialmente das cadeias sucroenergética e cloroquímica, então Salgema, exigia profissionais altamente qualificados para atuar no desenvolvimento de processos, na produção industrial e na gestão tecnológica. Atenta a essa demanda, a Ufal criou, em 3 de setembro de 1986, o curso de Engenharia Química, por meio da Resolução nº 026/86 do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe)”, destaca a professora Cristiane Sodré, numa breve retrospectiva.
A redistribuição interna de vagas do curso de Engenharia Civil, das quais 20, entre as 70 existentes, foram destinadas à Engenharia Química, dando condições ao seu início, também foi citada por Cristiane Sodré: “Nos primeiros anos, a implementação acadêmica transcorreu sem maiores dificuldades, uma vez que os estudantes compartilhavam com os demais cursos de engenharia o chamado ciclo básico, composto pelas disciplinas fundamentais de Matemática, Física, Química e Ciências da Engenharia. Essa estrutura comum permitiu que o curso fosse gradualmente consolidado enquanto eram organizadas as disciplinas específicas da formação em Engenharia Química”.
Foram responsáveis pela estruturação do curso os professores André Loureiro Montenegro, Sérgio de Holanda Cavalcante (in memoriam), José Carlos Pereira e Pedro Carnaúba. Destes, André Loureiro e Sérgio de Holanda Cavalcante estiveram diretamente envolvidos na implantação e no desenvolvimento das atividades acadêmicas, enquanto José Carlos Pereira e Pedro Carnaúba participaram do processo de criação do curso em caráter institucional, mas não integraram o corpo docente responsável pelas atividades de ensino da graduação.
A incorporação dos engenheiros químicos João Nunes Vasconcelos e Evandir Gonçalves de Oliveira (in memoriam) ao corpo docente é considerada um importante marco na consolidação do curso, ocorrida em 1990. Ambos eram profissionais oriundos do Programa Nacional de Melhoramento da Cana-de-Açúcar (Planalsucar), vinculado ao extinto Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA).
“A experiência de João Nunes e Evandir, especialmente na área de produção de álcool, somada à expertise do professor André Loureiro, atuante na área de produção de açúcar, fortaleceu significativamente a formação dos estudantes e aproximou o curso das demandas da principal atividade industrial do Estado de Alagoas naquele período, a indústria do açúcar e álcool”, diz Cristiane.
Ela relembra que os desafios da implantação do curso de Engenharia Química não se encerraram com sua criação e que a consolidação exigiu perseverança, criatividade e o comprometimento de seus idealizadores. Nesse cenário, ela faz destaque para a atuação do professor Sérgio de Holanda Cavalcante, cuja liderança foi decisiva nos primeiros anos da graduação.
“Seu empenho, dedicação e capacidade de articulação permitiram que o projeto avançasse mesmo diante das inúmeras dificuldades, conduzindo o curso durante seu período mais delicado, até que fossem estruturadas as instalações físicas, os laboratórios e ampliado o quadro docente”, enfatiza.
Recursos humanos
A carência de docentes especializados nas áreas específicas tornou-se um dos principais obstáculos à consolidação do curso, exigindo a criação de vagas e a realização de sucessivos concursos públicos para a formação de um corpo docente próprio. Em 1990, iniciou-se um importante processo de estruturação das áreas específicas da Engenharia Química, contemplando disciplinas como Fenômenos de Transporte, Termodinâmica, Operações Unitárias, Engenharia de Reatores, Controle e Simulação de Processos, entre outras fundamentais para a formação do engenheiro químico.
Nesse mesmo ano, ingressaram, por meio de concurso público, as professoras Lindaurea Dantas e Soraya Lira, representando um passo decisivo, segundo Cristiane, para o fortalecimento do quadro docente. “No ano seguinte, os professores Altair Marques da Silva e Marcelo Bezerra Grilo, inicialmente aprovados em concurso para o curso de Engenharia Civil, passaram a integrar o curso de Engenharia Química em razão de sua formação e experiência profissional. Com a incorporação desses docentes, tornou-se possível consolidar o ensino em áreas estratégicas, como Fenômenos de Transporte, Termodinâmica e Engenharia de Reatores”.
No processo de ampliação do corpo docente, entre 1991 e 1992, novos concursos ampliaram ainda mais o quadro de pessoal, com o ingresso das professoras Karla M. Barcelos, Sandra Helena e Cristiane Holanda e dos professores João Soletti e William Gonçalves.
“Esses profissionais passaram a atuar em áreas essenciais, como Tecnologia Química, Operações Unitárias e Controle e Simulação de Processos, permitindo que o curso ampliasse sua oferta de disciplinas específicas e fortalecesse sua identidade acadêmica”, destaca a professora.
A qualificação acadêmica do quadro docente também marca a trajetória das quatro décadas de existência do curso. Com o apoio e o incentivo da Universidade Federal de Alagoas, foi implementada uma política de capacitação docente que estimulou diversos professores a ingressarem em programas de doutorado em renomadas universidades brasileiras e europeias. Esse investimento representou um marco estratégico para o fortalecimento do ensino, da pesquisa e da extensão, preparando a Engenharia Química da Ufal para um novo ciclo de crescimento.
“A década de 1990 representou, assim, um período decisivo de consolidação da Engenharia Química da Ufal. Ao longo desses anos, o curso estruturou seu quadro de professores, ampliou sua infraestrutura, consolidou suas áreas de conhecimento e lançou bases para a expansão da pesquisa e da pós-graduação”, diz a atual vice-coordenadora.
Ela aproveita para citar a criação do curso de Especialização em Operações e Processos da Indústria Química, coordenado pelo professor Altair Marques da Silva: “A especialização desempenhou papel fundamental na formação continuada de profissionais e tornou-se o embrião do futuro Programa de Pós-Graduação em Engenharia Química, o Mestrado em Engenharia Química, que foi implantado sob a coordenação da professora Karla Miranda Barcelos. A criação da pós-graduação representou um importante avanço institucional, consolidando a vocação do curso não apenas para a formação de engenheiros, mas também para a produção de conhecimento científico e tecnológico”, aborda, fazendo destaque especial para a oportunidade de qualificação acadêmica ampliada.
Ela destaca que, no decorrer do processo de estruturação, a expansão do espaço físico, a implantação de novos laboratórios, a realização de concursos públicos para ampliação do quadro docente e o fortalecimento das atividades de ensino, pesquisa e extensão permitiram que o curso conquistasse reconhecimento regional e nacional.
“Destacaria, principalmente, a inserção do curso em redes nacionais de pesquisa e a parceria com instituições como Petrobras/Cenpes, ANP, CNPq e Finep. Pesquisadores do curso participaram da Rede de Catálise Norte/Nordeste (Recat), da Rede de Pesquisa Cooperativa em Modelagem Computacional (RPCMod) e da Rede Brasileira de Tecnologia de Biodiesel (RBTB). Essas redes permitiram a interação com pesquisadores e universidades de diferentes regiões do país, ampliando a inserção nacional da pesquisa realizada em Alagoas. Também merece destaque a aproximação com o setor produtivo.”
Essa realidade, segundo a vice-coordenadora, é particularmente significativa porque conecta a pesquisa acadêmica a problemas reais da indústria, criando oportunidades de iniciação científica, desenvolvimento tecnológico e formação de profissionais. Inúmeros profissionais formados pelo curso da Ufal são absorvidos em diferentes regiões do país e no exterior, ocupando espaços destacados no mercado de trabalho.
“Outro motivo de grande orgulho é o retorno de seus próprios egressos à Universidade. Muitos ex-alunos, após concluírem sua formação e alcançarem elevada qualificação acadêmica, passaram a integrar o corpo docente da universidade, contribuindo para a formação de novas gerações de engenheiros químicos. Fazem parte dessa geração Carlos Eduardo Farias, Albanise Enide, Dayana Gusmão, Lívia Maria, Renata Rosas e Wagner Pimentel. Também conta com docentes que passaram a integrar seu quadro de professores efetivos e que contribuem tanto para as atividades de ensino, pesquisa e extensão. Entre eles estão Antônio Osimar, Frede Carvalho, Jorge José, João Batista, Rodolfo Brandão e Vânia de Lourdes.”
E, na complementação, Cristiane Sodré diz que a trajetória construída ao longo dessas quatro décadas evidencia que os desafios enfrentados desde sua criação foram superados graças ao compromisso, à dedicação e ao trabalho coletivo de professores, técnicos administrativos, estudantes, egressos e parceiros institucionais.
“Mais do que celebrar uma história de conquistas, a data comemorativa representa o reconhecimento de todos aqueles que acreditaram no potencial da Engenharia Química da Ufal e contribuíram, cada um à sua maneira, para transformá-la em um curso de excelência. A eles, nossa sincera homenagem e gratidão. A história da Engenharia Química da Universidade Federal de Alagoas continua sendo escrita todos os dias, por docentes, técnicos, estudantes, egressos e colaboradores que, com competência, dedicação e compromisso com a universidade pública”, finaliza.