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Uso incorreto das lentes de contato pode aumentar o risco de complicações oculares

No Setembro Safira, campanha nacional chama a atenção para cuidados essenciais e erros que devem ser evitados no dia a dia | Magnific

Colocar lentes de contato faz parte da rotina de milhões de pessoas, seja para corrigir problemas de visão ou por motivos estéticos. Mas hábitos aparentemente simples, como dormir com as lentes, entrar no banho sem retirá-las ou ultrapassar o período recomendado de uso, podem trazer riscos à saúde ocular. Durante o Setembro Safira, Campanha Nacional de Conscientização sobre o correto uso das lentes de contato, a orientação é chamar a atenção dos usuários para práticas que ajudam a prevenir infecções, irritações e outras complicações.

Segundo a Dra. Cristiane Amaral, médica oftalmologista do HOPE - Hospital de Olhos de Pernambuco, o primeiro passo é entender que a lente de contato é um dispositivo médico e, por isso, exige orientação especializada. “É fundamental lavar e secar muito bem as mãos antes de tocar nas lentes, respeitar o tempo de uso e o prazo de troca e utilizar corretamente a solução indicada. Enxergar bem com a lente não significa necessariamente que o olho esteja saudável”, afirma.

Entre os erros mais comuns estão aqueles que parecem inofensivos, como prolongar o uso por mais algumas horas, reutilizar a solução do estojo ou manipular as lentes sem higienizar as mãos. “Existe um hábito perigoso que é pensar: ‘só vou usar mais um pouquinho’. Esse pequeno excesso repetido pode aumentar muito o risco de complicações”, pontua a médica.

Outro cuidado importante está relacionado à maquiagem. A recomendação é colocar as lentes antes de se maquiar e retirá-las antes da remoção dos produtos. “Essa ordem reduz a possibilidade de partículas de maquiagem contaminarem a lente ou entrarem em contato com a superfície ocular”, explica a Dra. Cristiane Amaral.

Com máscara de cílios e delineador, deve-se evitar a aplicação diretamente na margem interna das pálpebras. Produtos de boa procedência e dentro do prazo de validade também são essenciais. Spray de cabelo, perfume e outros aerossóis devem ser utilizados antes da colocação das lentes.

O contato com a água merece atenção especial. Para a maioria das lentes de uso diário, dormir com elas aumenta o risco de infecção ocular. Já no banho e na natação, a orientação é retirá-las antes de entrar em contato com água do chuveiro, piscina, mar, lago ou hidromassagem. “A água pode carregar microrganismos, incluindo a Acanthamoeba, que pode causar uma ceratite grave. Lente de contato e água não combinam”, alerta.

O tempo de utilização ao longo do dia varia de acordo com o material, o regime de troca, a adaptação e a resposta de cada olho. Por isso, a sensação de conforto não deve ser o único parâmetro. “O erro é pensar que, se ainda está confortável, é possível continuar usando. Conforto não é um indicador perfeito de saúde ocular. Também é fundamental respeitar o prazo de descarte”, ressalta a oftalmologista.

A higienização e o armazenamento também exigem atenção. Para lentes reutilizáveis, deve-se utilizar a solução própria recomendada. Água, saliva e soro fisiológico não devem substituir produtos desinfetantes. “O soro fisiológico não desinfeta a lente. Também não se deve completar a solução do estojo. A solução usada precisa ser descartada e substituída por uma nova a cada ciclo de armazenamento”, orienta.

O estojo deve ser higienizado adequadamente e trocado regularmente, pelo menos a cada três meses. Além disso, a escolha das lentes precisa ser feita após avaliação profissional. “Adaptar lentes de contato vai muito além de determinar o grau. É preciso avaliar a saúde ocular, a superfície do olho, a curvatura da córnea, o filme lacrimal e as necessidades individuais de cada paciente”, diz a especialista.

Sintomas como dor, vermelhidão, fotofobia, secreção, visão embaçada, redução da visão ou desconforto persistente exigem atenção imediata. “A pessoa deve retirar a lente e procurar avaliação oftalmológica. Não é recomendado simplesmente pingar um colírio qualquer e voltar a colocar a lente. Olho vermelho em usuário de lente de contato não deve ser banalizado”, alerta a oftalmologista.

A escolha das lentes de contato também deve passar por uma adaptação com um profissional especializado. “Adaptar lentes vai muito além de determinar o grau. É preciso avaliar a saúde ocular, a superfície do olho, o formato e a curvatura da córnea, o filme lacrimal, o comportamento da lente e as necessidades individuais de cada paciente”, explica a Dra. Cristiane Amaral. Com opções para diferentes graus, astigmatismo, presbiopia e situações especiais, além de lentes rígidas, esclerais e outras tecnologias, a escolha adequada pode fazer diferença no conforto, na qualidade visual e na segurança. “Lente de contato não é um produto que simplesmente se compra. É um dispositivo médico que precisa ser corretamente indicado, adaptado e acompanhado”, finaliza a Dra. Cristiane Amaral.

Assessoria