Campus Arapiraca completa 20 anos de transformação no interior de Alagoas
Manuella Soares
Há 20 anos, a inauguração do Campus Arapiraca dava início a uma nova etapa na história da Universidade Federal de Alagoas. Em 16 de setembro de 2006, a Ufal ultrapassava de forma definitiva os limites da capital e ampliava o acesso ao ensino superior público e gratuito no Agreste, no Sertão e no Baixo São Francisco. Desde então, mais de 13 mil profissionais foram formados, levando o conhecimento produzido na Universidade para diferentes áreas da sociedade alagoana e de outras regiões do país.
A criação do campus foi resultado do processo de interiorização iniciado pela Ufal em 2004, a partir de estudos sobre a demanda pelo ensino superior e as vocações econômicas das diferentes regiões alagoanas. Era a Ufal no seu papel de agente de desenvolvimento e enfrentamento às desigualdades sociais! A implantação foi aprovada pelo Conselho Universitário em agosto de 2005 e concretizada no ano seguinte.
“A chegada da Ufal ao Agreste não significou simplesmente levar cursos de graduação para fora de Maceió. Significou reconhecer que o conhecimento produzido pela Universidade pública deve estar presente onde a sociedade vive, trabalha, produz e enfrenta seus desafios”, comentou o diretor-geral do Campus, Diógenes Meneses.
Mesmo enfrentando limitações iniciais de infraestrutura, equipamentos e acervo bibliográfico, o campus começou suas atividades com 16 cursos de graduação e duas pós-graduações lato sensu. A oferta foi distribuída entre a sede, em Arapiraca, e as unidades educacionais de Palmeira dos Índios, Penedo e Viçosa, que ainda pertencia ao Campus Arapiraca.
Ao longo dos anos, a oferta acadêmica cresceu e se diversificou. A adesão da Ufal ao Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) permitiu a criação dos primeiros cursos noturnos na sede, em 2011. Outro marco foi a implantação do curso de Medicina, criado em 2012 e com a primeira turma iniciada em 2015.
A pós-graduação também avançou. Além das especializações, foram estruturados programas voltados às vocações regionais, como os mestrados em Agricultura e Ambiente, Ciências Ambientais, Matemática, por meio do Profmat, e Ensino e Formação de Professores. O campus também desenvolveu a Residência Agrária em Agroecologia e Desenvolvimento Territorial Sustentável na Agricultura Familiar. Em 2025, a unidade iniciou a primeira turma do Mestrado Profissional em Administração Pública, o Profiap, oferecida no interior de Alagoas. O programa integra uma rede nacional coordenada pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior.
Atualmente, o Campus Arapiraca reúne mais de 23 cursos de graduação e cinco programas de pós-graduação. Localizada no centro geográfico de Alagoas, em uma região que passou da histórica cultura do fumo à condição de importante polo comercial e de serviços, a sede atende diretamente mais de 40 municípios e uma população estimada em cerca de um milhão de habitantes.
Em Palmeira dos Índios, na transição entre o Agreste e o Sertão, a Universidade mantém os cursos de Psicologia e Serviço Social. Em Penedo, no Baixo São Francisco, são ofertados Engenharia de Pesca, Turismo, Engenharia de Produção, Sistemas de Informação e Ciências Biológicas. Para 2027, está prevista a criação do curso superior de Cinema e Audiovisual.
“Celebrar vinte anos é olhar para trás com gratidão. Mas, principalmente, é olhar para frente com responsabilidade. O passado nos trouxe até aqui. O futuro nos chama a ir além”, ressaltou Diógenes.
Formação que transforma o território
A contribuição do Campus Arapiraca ultrapassa seus números de cursos e vagas. Ao longo de duas décadas, mais de 13 mil profissionais foram formados, favorecendo a permanência de jovens no Agreste e no Baixo São Francisco e garantindo a presença de profissionais qualificados em áreas como educação, saúde, gestão pública, agricultura e tecnologia.
Grande parte dos egressos atua em setores estratégicos, participa de programas de pós-graduação e alcança aprovação em concursos públicos dentro e fora de Alagoas. A atuação acadêmica também fortalece a agricultura familiar, estimula o empreendedorismo e aproxima a produção científica das necessidades da população.
A qualidade dos cursos foi reconhecida em avaliações nacionais. Em 2017, Enfermagem alcançou conceito 5 no Ministério da Educação, a nota máxima atribuída pelo MEC. Em 2023, o curso de Medicina também obteve o mesmo resultado.
Estudantes, professores, técnicos e egressos conquistaram reconhecimento em diferentes áreas. A equipe de Tecnologia da Informação do campus foi premiada nacionalmente em evento voltado às instituições federais de ensino superior, e estudantes de Ciência da Computação conquistaram o 2° lugar na etapa estadual do Startup Nordeste, em 2025, com a Iniport, iniciativa de gestão do transporte universitário.
Na área da educação, o professor Lucas Maciel Muniz ficou em 2° lugar em Alagoas na categoria Ensino Superior do Prêmio Educador Transformador, em 2024. Este ano, o professor Fábio Hoffmann Pereira, do curso de Pedagogia, recebeu do Governo de Alagoas a Comenda Maria Mariá por sua trajetória na educação pública e pela coordenação de projetos voltados à infância, e o reconhecimento também alcança profissionais formados pela unidade. A egressa Jéssyka recebeu da Associação Brasileira de Zootecnistas o título de Zootecnista do Ano por unidade federativa, destacando-se entre os profissionais do agronegócio em Alagoas.
A Universidade também tem buscado aproximar a ciência da população. Em 2025, a Mostra Científica Conectando Mentes Brilhantes — CT&I em movimento, mobilizou mais de 250 monitores acadêmicos e apresentou ao público projetos e conhecimentos produzidos no campus.
Na infraestrutura, uma iniciativa sustentável ajudou a enfrentar a vulnerabilidade dos 2.138 metros de perímetro da sede. Diante da inviabilidade orçamentária de construir um muro convencional, estimado em mais de R$ 2 milhões, foi implantada uma cerca viva com a planta sabiá. Além de contribuir para a segurança, a solução melhorou o microclima e resultou na elaboração de um guia técnico de gestão pública autossustentável.
A presença da Ufal significa oportunidades, forma profissionais, estimula a produção científica e fortalece o desenvolvimento econômico, social e cultural de diferentes regiões de Alagoas.
Um novo ciclo de gestão
O aniversário coincide com o início de uma nova etapa administrativa. Eleitos este ano, os professores Diógenes Meneses, para a Direção-Geral, e Moreno Pereira Bonutti, para a Direção Acadêmica, assumem a responsabilidade de conduzir o campus diante dos desafios atuais e das possibilidades abertas para os próximos quatro anos.
Para Diógenes Meneses, a história da unidade foi construída coletivamente, inclusive em períodos marcados por dificuldades. “Uma universidade não começa quando os prédios ficam prontos. Uma universidade começa quando pessoas acreditam que o conhecimento pode transformar uma sociedade. E foi isso que aconteceu aqui”, disse.
O novo diretor-geral destacou que professores, técnicos, estudantes, trabalhadores terceirizados, gestores e colaboradores ajudaram a ampliar a presença do campus no ensino, na pesquisa, na extensão e na pós-graduação. A nova gestão pretende reconhecer essa trajetória e, ao mesmo tempo, preparar a unidade para um novo ciclo.
“Recebemos uma história que não nos pertence individualmente. Nós somos apenas parte dela. E, exatamente por isso, não queremos apagar o que foi construído. Queremos reconhecer. Queremos preservar aquilo que deu certo. Queremos aprender com aquilo que precisa ser aperfeiçoado. E queremos, sobretudo, construir aquilo que ainda não existe”, enfatizou Diógenes.
Entre as perspectivas para a expansão está a área do antigo presídio regional, oficialmente doada ao Campus Arapiraca em julho de 2025. O espaço poderá receber novos blocos de salas de aula, laboratórios, biblioteca e áreas de convivência.
“Queremos um Campus que seja cada vez mais reconhecido pela qualidade do ensino, pela força da pesquisa, pelo impacto da extensão, pela inovação, pelo empreendedorismo, pela inclusão e, sobretudo, pelo compromisso com a sociedade”, reforçou o diretor.
Celebração reúne memória e expectativas para o futuro
Uma comissão foi formada especialmente para planejar as comemorações dos 20 anos do Campus Arapiraca. A programação tem como tema Germinando Saberes, Transformando Vidas: 20 Anos de Ufal no Interior será realizada na sede, no próximo dia 30.
As atividades começarão às 8h, com recepção e apresentação da Banda da Polícia Militar. Às 9h, haverá uma solenidade oficial com autoridades e, às 10h, o parabéns comunitário e o corte do bolo de aniversário. A programação da manhã será encerrada com a cerimônia da Cápsula do Tempo, das 11h às 12h.
A comunidade acadêmica poderá escrever cartas sobre suas expectativas para a Universidade, que serão guardadas para abertura daqui a 20 anos. “Todos estão convidados a participar, direcionando suas mensagens às melhorias, às qualidades e aos anseios sobre o que se espera da Universidade no interior daqui a duas décadas”, disse Anderson Anderson Carnaúba, gerente de Planejamento do campus e responsável pela comissão.
À tarde, a programação será retomada às 14h com um encontro ecumênico de Ação de Graças, sob o tema Sementes de Esperança: Gratidão e Respeito aos 20 Anos de Saberes. Também estão previstos momentos de integração, apresentação cultural e o plantio de 20 mudas de árvores
As comemorações incluem ainda as unidades educacionais. Em Penedo, o evento será realizado no dia 29 de setembro, a partir das 19h, no Cine Penedo, com apresentação da Banda Fanfarra da Escola Estadual Dr. Alcides Andrade, solenidade comemorativa e apresentação da cantora Elaine Kundera. Em Palmeira dos Índios, a celebração está prevista para 13 de novembro, com programação ainda em elaboração.
