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Até 45% do risco de demência está ligado a fatores modificáveis, aponta OMS

No Dia Mundial do Alzheimer, nutróloga explica por que controlar pressão, diabetes, peso e outros fatores ao longo da vida também faz parte do cuidado com a saúde cognitiva | Divulgação

Por Tríade Comunicação

Cuidar da saúde cognitiva não é uma preocupação que deve começar apenas na terceira idade. Novas diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicadas em 2026, reforçam que até 45% do risco de demência pode estar relacionado a fatores modificáveis, entre eles hipertensão, diabetes, inatividade física, tabagismo, consumo de álcool e outros aspectos que podem ser trabalhados ao longo da vida.

O dado ganha destaque neste 21 de setembro, Dia Mundial do Alzheimer, ao ampliar a discussão sobre prevenção para além da idade e da predisposição genética. A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência e responde por aproximadamente 60% a 70% dos casos. Atualmente, mais de 57 milhões de pessoas vivem com demência no mundo.

Segundo a médica nutróloga Eline Soriano, olhar para a saúde metabólica ao longo dos anos também é uma forma de cuidar da saúde cognitiva.

“Quando falamos em envelhecimento saudável, precisamos entender o organismo de forma integrada. Alterações como hipertensão, diabetes, obesidade e colesterol elevado não repercutem apenas na saúde cardiovascular. O controle desses fatores ao longo da vida também está relacionado à redução do risco de declínio cognitivo e demência”, explica.

A relação é especialmente importante porque muitos desses fatores começam a se desenvolver décadas antes da velhice. A própria OMS destaca que o risco de demência se acumula ao longo da vida e recomenda, entre as estratégias de redução de risco, a prática de atividade física, alimentação equilibrada, manutenção de peso saudável e controle da pressão arterial, colesterol e glicemia.

Metabolismo e envelhecimento

Condições metabólicas e cardiovasculares podem afetar, por diferentes mecanismos, a saúde cognitiva. Diabetes e resistência à insulina, por exemplo, estão associadas a alterações vasculares e metabólicas, enquanto hipertensão, excesso de peso e colesterol elevado integram o conjunto de condições que devem ser acompanhadas e controladas como parte de uma estratégia mais ampla de redução do risco de demência.

“Não existe uma medida isolada capaz de prevenir o Alzheimer. O que existe é a construção de saúde ao longo dos anos. Alimentação adequada, atividade física, sono de qualidade e controle das doenças metabólicas fazem parte desse cuidado, sempre considerando os fatores individuais de cada paciente”, ressalta Eline Soriano.

A atualização das recomendações da OMS também chama atenção para aquilo que não deve ser encarado como solução preventiva isolada. A entidade não recomenda o uso de vitaminas B e E, ômega-3 ou multivitamínicos e minerais, na ausência de deficiência diagnosticada, como estratégia específica para reduzir o risco de declínio cognitivo ou demência.

Para a nutróloga, a mensagem do Dia Mundial do Alzheimer é também um convite para antecipar o cuidado. “É importante que as pessoas não esperem chegar à terceira idade para pensar em envelhecimento saudável. A forma como cuidamos do metabolismo aos 30, 40 ou 50 anos pode repercutir na saúde que teremos nas décadas seguintes”, conclui.