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Cirurgia para corrigir a chamada “orelha de abano” pode ser feita na infância

Otoplastia é indicada a partir dos 5 ou 6 anos em casos individuais, mas a decisão deve considerar a maturidade e a vontade da criança, explica otorrinolaringologista | Magnific

Quem tem uma característica física que chama atenção pode acabar desenvolvendo estratégias para escondê-la. Entre crianças e adolescentes, alterações nas orelhas podem fazer com que alguns evitem determinados cortes de cabelo, prender os fios ou até situações sociais por vergonha da própria aparência. Quando esse incômodo existe e afeta a relação da criança consigo mesma, a otoplastia, cirurgia que corrige alterações no formato, no tamanho ou no posicionamento das orelhas, pode ser uma alternativa para buscar mais harmonia e naturalidade.

De acordo com o Dr. Thiago Miranda, otorrinolaringologista do HOPE, especializado em cirurgia plástica facial, não há uma idade única que determine quando a cirurgia deve ser realizada. Em geral, o procedimento pode ser considerado a partir dos 5 ou 6 anos, período em que a orelha já atingiu grande parte do seu desenvolvimento. Além da faixa etária, porém, outros fatores precisam ser avaliados. “A decisão não deve ser baseada apenas na idade. É importante avaliar o desenvolvimento da orelha, a maturidade da criança, se ela própria se incomoda com a alteração e se consegue compreender e colaborar com os cuidados do pós-operatório”, explica.

A indicação mais conhecida da otoplastia é a chamada orelha de abano, caracterizada pelo maior afastamento das orelhas em relação à cabeça. O procedimento também pode ser utilizado para corrigir alterações no formato e nas proporções das orelhas, como modificações da anti-hélice, concha muito desenvolvida, assimetrias entre as duas orelhas e algumas deformidades congênitas. Em determinadas situações, também é possível corrigir características relacionadas ao tamanho ou ao formato do lóbulo. “O objetivo não é deixar todas as orelhas iguais, mas buscar mais harmonia e naturalidade, respeitando a anatomia de cada paciente”, afirma o especialista.

“Quando existe um incômodo verdadeiro da própria criança, isso pode repercutir na autoestima e na maneira como ela se relaciona socialmente. Por isso, em casos bem indicados, realizar a cirurgia durante a infância pode evitar que esse desconforto acompanhe a criança por muitos anos”, comenta Dr. Thiago.

O médico ressalta, porém, que a decisão não deve partir exclusivamente dos pais. “A cirurgia não deve ser feita simplesmente porque os pais desejam modificar a aparência do filho. A vontade e a maturidade da criança precisam ser consideradas”, orienta.

Como é feita a otoplastia

Na maioria dos casos, a otoplastia é realizada por meio de uma incisão na região posterior da orelha, onde a cicatriz tende a ficar bastante discreta. A partir desse acesso, o cirurgião trabalha a cartilagem para modificar seu formato ou posicionamento, de acordo com a alteração apresentada pelo paciente.

“Dependendo da alteração, podemos criar ou reforçar as dobras naturais da orelha, reduzir uma concha muito desenvolvida ou aproximar a orelha da cabeça”, detalha o otorrinolaringologista.

O pós-operatório costuma ser tranquilo, mas é esperado que o paciente apresente algum inchaço, sensibilidade e, eventualmente, pequenos hematomas nos primeiros dias. É necessário evitar traumas e pressão sobre as orelhas, inclusive durante o sono. Dependendo da técnica utilizada, pode ser indicada uma faixa para proteger a região e ajudar a manter as orelhas na posição adequada durante determinado período.

“O retorno à escola ou às atividades mais leves costuma ocorrer relativamente rápido, frequentemente em torno de uma semana, dependendo da evolução individual. Já esportes, atividades de contato e situações com risco de trauma precisam ser evitados por algumas semanas e liberados pelo cirurgião”, explica Dr. Thiago.

Impactos na autoestima

Embora essa parte do rosto ocupe uma pequena área, uma alteração que incomoda o paciente pode ter um impacto significativo na percepção que ele tem da própria aparência. Crianças e adolescentes podem evitar penteados, cortes de cabelo ou situações em que a região fique mais exposta como forma de esconder a característica que causa desconforto. “A orelha pode parecer uma estrutura pequena, mas uma alteração que incomoda muito o paciente pode ter uma repercussão desproporcional na autoestima”, destaca o especialista.

Antes de optar pelo procedimento, a recomendação é que os pais conversem com a criança e procurem entender como ela se sente em relação à própria característica. A avaliação médica deve considerar a anatomia, as expectativas e a capacidade do paciente de compreender e seguir os cuidados necessários. “A primeira orientação seria: não tomem a decisão apenas olhando para a orelha. Escutem a criança”, comenta o Dr. Thiago. Segundo ele, também é fundamental explicar o que a cirurgia pode ou não modificar, além de conversar sobre cicatrizes, riscos, possíveis assimetrias residuais e cuidados durante a recuperação.

“Quando existe indicação, maturidade e expectativa realista, a otoplastia pode ser realizada com bastante segurança e proporcionar um resultado muito natural. O objetivo não é criar uma orelha perfeita, e sim uma orelha mais harmônica e que deixe de ser motivo de incômodo para aquele paciente”, finaliza o Dr. Thiago Miranda, otorrinolaringologista do HOPE.

Fonte: Assessoria