AXIA Energia implementa projeto que promove a convivência entre aves e linhas de transmissão no Nordeste
O projeto piloto iniciado no estado de Alagoas envolve a instalação em torres de transmissão de dispositivos inibidores e plataformas artificiais de nidificação feitas de cipó biodegradável para realocação segura dos ninhos, criando um ambiente mais seguro e garantindo tanto a preservação das aves quanto a segurança operacional do sistema elétrico
A relação entre a operação do sistema elétrico e as aves silvestres têm imposto desafios ambientais e técnicos em áreas de transmissão de energia. Em vários estados do Nordeste, o histórico de desligamentos de energia associado à presença de aves nas estruturas fez com que a AXIA Energia, após intensos estudos envolvendo diversas áreas técnicas, implementasse um projeto que promovesse a convivência harmônica entre carcarás (Caracara plancus), espécie que utiliza torres de transmissão como ponto de observação e construção de ninhos, e a operação das linhas de transmissão da companhia.
A solução encontrada para o problema envolveu as áreas de Meio Ambiente, Operação e Manutenção. O objetivo era desenvolver um plano que equilibrasse a confiabilidade do sistema elétrico e a proteção das aves. O acompanhamento mensal e o uso de câmeras permitiram observar o comportamento dos carcarás e ajustar as estratégias adotadas até que se alcançasse uma harmonização entre a natureza e a presença humana.
O projeto-piloto, iniciado em 2024, foi aplicado em 20 torres da linha de transmissão de 230 kV Rio Largo II – Arapiraca III, selecionadas com base em critérios como recorrência de desligamentos provocados pela presença de aves, acessibilidade e proximidade da Subestação Rio Largo. Metade das estruturas recebeu intervenções específicas, enquanto as demais foram mantidas como grupo de controle, permitindo a comparação dos resultados ao longo do monitoramento.
Nas torres selecionadas, foram instalados dispositivos inibidores de pouso e espículas em pontos críticos das estruturas, além de plataformas artificiais de nidificação. A combinação dessas soluções teve como objetivo dificultar a construção de ninhos em áreas de risco e, ao mesmo tempo, oferecer locais alternativos mais seguros para que as aves pudessem se reproduzir.
“O projeto foi pensado para atender a uma demanda da Operação que reduzisse os danos ao sistema elétrico e, ao mesmo tempo, preservasse o ciclo de vida das aves. O resultado foi um modelo que diante dos resultados positivos será replicado nos demais ativos da companhia”, destaca Jader Fernandes de Jesus, diretor de Licenciamento Ambiental e Condicionantes da AXIA Energia.
Foto: Divulgação AXIA Energia
Os resultados comprovaram que as aves aceitaram as plataformas artificiais. Em um dos casos, em que o ninho havia sido construído em posição crítica, com distância mínima da linha de alta tensão, ocorreu a realocação para a estrutura artificial instalada na própria torre, em local seguro. De forma natural, o casal de carcarás manteve o ciclo reprodutivo no novo local, com postura, desenvolvimento do filhote e voo, sem impactos à operação da linha e sem necessidade de qualquer interação entre homem e animal, uma vez que todo o manejo é realizado em momento estratégico, durante a ausência das aves e de forma rápida e segura.
A experiência confirmou que, quando realizada de forma técnica e no momento adequado, a realocação de ninhos pode ser uma alternativa eficaz para conciliar a proteção da fauna com a segurança do sistema elétrico. Para garantir que a aplicação dos ninhos artificiais ocorra de forma satisfatória, a empresa passou a adotar vistorias regulares em conjunto com a equipe de manutenção. Com isso, a detecção dos ninhos ocorre ainda na fase inicial de construção da estrutura, momento em que a equipe de Meio Ambiente entra em ação para realizar o manejo e o reposicionamento da nova morada dos carcarás.
Solução sustentável
As plataformas artificiais utilizadas no projeto são cestos confeccionados em cipó, material natural, biodegradável e de baixo impacto ambiental. A escolha desse material levou em consideração critérios técnicos e ambientais: o cipó apresenta resistência mecânica e às condições climáticas, oferece conforto térmico e possui características semelhantes às estruturas naturais utilizadas pelas aves, o que aumenta a aceitação das plataformas pela espécie. Além disso, a iniciativa contribui para a economia local, uma vez que os cestos foram adquiridos de fornecedores da região, valorizando o trabalho artesanal e o conhecimento tradicional local.
Com o sucesso do projeto-piloto, a AXIA Energia já aprovou a ampliação da iniciativa para outros ativos no Nordeste, especialmente nos estados de Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará, além da expansão das ações em Alagoas. Também estão previstos novos testes com materiais alternativos, o aprimoramento dos dispositivos de inibição e a ampliação do uso de tecnologias de monitoramento, com expectativa de aplicação da solução para outras espécies em diferentes regiões do país.
Os vídeos podem ser acessados pelo link, com crédito Divulgação AXIA Energia: Link
Sobre a AXIA Energia
A AXIA Energia, maior empresa de energia 100% renovável do Hemisfério Sul, é responsável por 17% da capacidade de geração nacional e 37% do total de linhas de transmissão do Sistema Interligado Nacional (SIN). A companhia possui 81 usinas, sendo 47 hídricas, 33 eólicas e uma solar.
Fonte: Assessoria