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Desafio de cinema nacional é chegar ao espectador

Para professor da FAPCOM, a disputa pela atenção do público começa antes da estreia e passa por redes sociais, influenciadores e recomendações

Estrear nos cinemas está longe de garantir plateia. Em 2025, 111 dos 203 longas brasileiros lançados no circuito comercial não alcançaram mil espectadores, segundo levantamento do portal Filme B. Para Luís Mauro Sá Martino, doutor em Ciências Sociais e professor da Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação (FAPCOM), parte do problema está na forma como essas produções são apresentadas a quem poderia assisti-las.

“Fazer o filme é o início do processo. O ponto seguinte é pensar em como o público vai encontrar motivos para se interessar por ele”, afirma.

O balanço do ano mostra o tamanho do contraste. De acordo com a Agência Nacional do Cinema (Ancine), 367 títulos nacionais passaram pelas salas em 2025, entre estreias e obras que seguiam em cartaz, e somaram 11,12 milhões de espectadores. A maior fatia desse público, porém, ficou com pouquíssimos títulos: sete deles concentraram 73% dos ingressos vendidos pelos lançamentos do ano, ainda segundo o Filme B.

Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, é o caso mais evidente. Vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional, o longa reuniu 5,8 milhões de espectadores no país entre o fim de 2024 e abril de 2025. O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, seguiu caminho parecido e recebeu quatro indicações ao Oscar 2026, entre elas a de Melhor Filme. Nos dois casos, a passagem por festivais, as premiações e a cobertura da imprensa levaram as produções a gente que dificilmente as escolheria pela programação do shopping. Ambas, no entanto, contaram com distribuição robusta e campanhas internacionais, estrutura que a maioria dos lançamentos nacionais nunca terá.

É justamente aí que, para Martino, a comunicação pesa mais. Sem verba para grandes campanhas, um filme menor depende de ser encontrado onde o espectador já passa o tempo: vídeos curtos, os chamados “cortes”, perfis de influenciadores, indicações de amigos, o próprio feed.


“Cada um desses espaços tem uma lógica e reúne comunidades diferentes. Um filme pode despertar interesse pela história, por uma atriz ou ator, pelo tema ou por uma discussão que repercutiu na internet. A apresentação precisa levar esses fatores em conta”, explica.

Por isso, segundo o professor, a divulgação pode seguir acompanhando as conversas que surgem em torno de cada título.

Os próximos meses vão pôr essa lógica à prova. A 50ª edição da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo ocupa as salas da capital paulista em outubro, e dois lançamentos nacionais de peso vêm na sequência. 100 Dias, de Carlos Saldanha, sobre a travessia do Atlântico Sul a remo feita por Amyr Klink em 1984, estreia em 29 de outubro. Uma semana depois, em 5 de novembro, é a vez de Feito Pipa, de Allan Deberton, escolhido para representar o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar 2027 de Melhor Filme Internacional.

Martino lembra que o desafio também envolve a formação de quem trabalha na área, que precisa transitar por linguagens e plataformas muito distintas.

“Parte do trabalho de quem trabalha com comunicação, no caso do cinema, é abrir caminho para que um filme seja conhecido. Quando isso dá certo, essas histórias alcançam gente que nunca teria contato com elas”, conclui.

Sobre a FAPCOM

Fundada em 2005 pela Pia Sociedade de São Paulo (Paulinas e Paulinos), a FAPCOM – Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação, é uma instituição de ensino superior reconhecida pela excelência na formação em Comunicação, Filosofia e áreas correlatas. Com uma proposta que integra conhecimento, ética, inovação e responsabilidade social, a faculdade prepara profissionais para os desafios do mercado contemporâneo por meio de uma formação humanística, crítica e alinhada às transformações da sociedade e da tecnologia.

Fonte: Assessoria