Festival de Música de Penedo celebra a riqueza da cultura brasileira
Jamerson Soares
A 18ª edição do Festival de Música de Penedo (Femupe) abriu as portas para mais um momento de celebração à música de concerto e à cultura popular brasileira, na noite da quinta-feira (22). Na cerimônia de abertura houve homenagens, apresentações culturais e intensa participação do público, que lotou o Teatro Sete de Setembro, no Centro Histórico da cidade.
O calor no local não desanimou a plateia, que vibrou com a proposta do evento de promover o intercâmbio entre artistas locais e de outras partes do Brasil, reunindo músicos, professores e estudantes da área. A solenidade de abertura reuniu autoridades e representantes das instituições parceiras. A cerimônia contou com a presença de intérprete de Libras, destacando o compromisso do evento com a acessibilidade.
A frente de honra foi formada pela vice-reitora da Universidade Federal de Alagoas, Eliane Cavalcanti, no exercício da Reitoria; César Nonato, pró-reitor de Extensão e Cultura da Ufal; o secretário de Turismo e Economia Criativa de Penedo, Jair Galvão, representando o prefeito Ronaldo Lopes; a secretária de Cultura de Penedo, Teresa Machado; o coordenador-geral do Femupe, professor Marcos Moreira; Adeildo Sotero, presidente da Federação do Comércio do Estado de Alagoas (Fecomércio-AL); Carlos Pessoa, diretor do Sesc Alagoas.
Em sua fala Adeildo Sotero destacou a alegria de estar em Penedo, agradeceu o convite e afirmou que a cultura ocupa um lugar importante na atuação do Sistema Fecomércio e em sua parceria com o Femupe. “O Festival é uma iniciativa que reafirma a força cultural e a capacidade que temos de transformar a realidade quando trabalhamos em parceria. O Sistema Fecomércio, por meio do Sesc, tem uma missão fundamental, profundamente ligada ao desenvolvimento social. E a cultura ocupa um lugar muito importante nessa missão, pois acreditamos que ela é um instrumento de educação”, afirmou.
Carlos Pessoa, Teresa Machado e Jair Galvão iniciaram suas falas parabenizando a organização coletiva do evento. Pessoa cumprimentou a plateia e enfatizou o legado da parceria entre o Festival e o Sesc para a comunidade, com iniciativas que promovem a transformação social, especialmente entre os jovens.
Teresa celebrou a realização do evento e a determinação do professor Marcos Moreira, ressaltando também o potencial das políticas públicas culturais para promover o desenvolvimento de uma nação. Galvão comemorou a presença dos penedenses no teatro e destacou a ocupação de 100% em quase toda a rede hoteleira da cidade, impulsionada pela repercussão do Femupe. Além disso, ressaltou a parceria entre o município de Penedo e a universidade pública.
Universidade e cultura
Em sua fala, a vice-reitora da Ufal, Eliane Cavalcanti, parabenizou a instituição pelos 20 anos da Unidade da Ufal em Penedo, e enfatizou a importância da relação entre o festival, a academia e a comunidade. Ela também destacou o processo de organização e realização do evento.
“Hoje é um momento de muita alegria e muita satisfação. Geralmente, quando iniciamos o ano, trabalhamos, assim como o Carlos [Pessoa] bem colocou, as tratativas, a organização, para que, no segundo semestre do ano, possamos oferecer para o nosso povo, a nossa gente, momentos tão importantes. Momentos de quebra de paradigma, momentos de reflexão, momento de resgate, momento de transformação. Espero que esse momento transforme cada vez mais a vida de cada um de vocês”, afirmou a vice-reitora.
Logo depois, o coordenador-geral do festival, Marcos Moreira, iniciou sua fala agradecendo a presença do público e da comunidade penedense. “Eu realmente quero agradecer a vocês por estarem aqui, agradecer mesmo”, disse.
Em seguida, o professor convidou para subir ao palco o presidente do Boi Bumbá Garantido, de de Parintins (AM), Marialvo Brandão, que também estava presente no teatro. Brandão falou sobre o significado do pertencimento cultural e a importância do intercâmbio entre Penedo e a Amazônia, região que abriga parte importante do imaginário popular brasileiro.
Espetáculo surpresa
O público foi surpreendido por uma apresentação especial durante a cerimônia de abertura. Em meio à plateia, surgiu o Boi Garantido, que encantou e emocionou o público ao representar a história da cultura popular, construída ao longo de gerações.
Os movimentos do personagem foram acompanhados pela flauta tocada por uma das integrantes do coletivo. Entre as músicas executadas estavam “Vermelho”, que ficou mais conhecida na voz de Fafá de Belém, e “Eu Sou Garantido”.
A aparição do boi levou ao palco do festival a força das tradições amazônicas, aproximando diferentes expressões culturais brasileiras em uma noite marcada pela diversidade artística.
A teatralidade de Antônio Nóbrega
Após a atração surpresa, a programação de abertura prosseguiu com o espetáculo performático de Antônio Nóbrega, ator, cantor e violinista recifense. O artista subiu ao palco acompanhado de uma banda formada por quatro integrantes, com instrumentos de corda e percussão, incluindo violão, baixo, guitarra, violino, bateria e sanfona.
Nóbrega demonstrou presença de palco e expressividade corporal, integrando os movimentos à execução musical, em uma performance na qual o instrumento parecia dançar junto com o artista. Durante a apresentação, ele cantou e tocou, explorando a musicalidade, a poesia e a interpretação cênica.
Entre as músicas apresentadas estavam “O Poeta é um Alquimista”, com versos que evocam a busca e a capacidade criativa do poeta; “O Poeta é um Fingidor”; “Tripulantes Perfeitas”, que apresenta a imagem de uma nau navegando por outros planos; e “Buruçu”.
O artista uniu música, afeto regional, expressões nordestinas e poesia falada e cantada. Sua apresentação revelou versatilidade ao combinar expressividade física, atmosfera cancioneira e boêmia e reflexão política.
Em outro momento do espetáculo, Nóbrega leu uma carta-poema sobre a importância de votar em representantes comprometidos com a redução das desigualdades sociais, o incentivo à arte e à cultura e a defesa da dignidade humana no Brasil.
O Femupe
O Festival de Música de Penedo (Femupe) é uma realização da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), executado por meio do Centro de Musicologia de Penedo (Cemupe) e da Pró-reitoria de Extensão e Cultura (Proexc).
O evento é fruto da união institucional com o Sesc Alagoas, Prefeitura de Penedo, Banco do Nordeste, Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA), Associação dos Empresários e Empreendedores do Turismo e da Economia Criativa de Penedo (Astec), Sebrae Alagoas, Sociedade Montepio dos Artistas de Penedo e outros parceiros.
Confira a cobertura fotográfica completa no Acervo Imagético Manoel Mota.